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Brexit: Costa vai criar unidade para pensar como atrair empresas britânicas

O primeiro-ministro anunciou a criação de uma unidade de missão para pensar um "quadro atractivo" para trazer empresas que saiam do Reino Unido por causa do Brexit. Várias cidades europeias estão já bem adiantadas nesse processo. Lisboa tem trunfos mas até agora está sem estratégia.

Reuters
Negócios com Lusa 23 de Março de 2017 às 11:59
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O primeiro-ministro afirmou nesta quinta-feira, 23 de Março, que será lançada uma unidade de missão destinada a incentivar a localização em Portugal de empresas em Portugal que pretendam continuar sem condicionalismos no espaço europeu após a saída do Reino Unido da União Europeia.

 

António Costa falava na sessão de abertura da Convenção Nacional dos Serviços, conferência que se prolonga até sexta-feira, na Fundação do Oriente, em Lisboa, após uma breve intervenção do presidente da Confederação do Comércio Português, João Vieira Lopes.

 

Na parte final do seu discurso, António Costa citou o antigo primeiro-ministro e actual secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para dizer que um político deve fazer essencialmente duas coisas: Evitar criar problemas e transformar os problemas em oportunidades.

 

Ora, segundo o actual primeiro-ministro, na sequência das suas visitas de Estado à China e à Índia, tornou-se para si evidente que o problema do "brexit", saída do Reino Unido da União Europeia, pode ser encarado por Portugal como uma oportunidade.

 

"Portugal pode ser uma excelente plataforma para empresas que estão instaladas na União Europeia e que não têm vontade de sair. Por isso, iremos criar uma unidade de missão com o objectivo específico de termos um quadro atractivo para a localização em Portugal de empresas que desejem manter-se na União Europeia e que, por força da legítima decisão dos cidadãos britânicos, não queiram ficar fora da União Europeia", declarou António Costa.

 

Ainda de acordo com o líder do executivo, esta será também uma forma de Portugal "contribuir para a globalização e para o reforço da própria base económica da União Europeia".

 

"É uma boa forma de demonstrarmos que não estamos na União Europeia nem com complexos de sermos um país do sul, mas com o enorme orgulho de sermos um país atlântico e aberto ao mundo, com capacidade de acrescentar valor e actividade económica", acrescentou o primeiro-ministro.

 

No seu discurso, António Costa procurou também evidenciar as potencialidades de globalização do sector dos serviços, defendendo que Portugal tem uma vantagem competitiva pela sua inserção geoestratégica a nível mundial, tendo uma língua global e laços profundos em todos os continentes.

 

Várias cidades europeias, caso de Frankfurt, Paris e Madrid estão já bem adiantadas neste processo de atracção de empresas do Reino Unido, em particular de empresas do sector financeiro. Já Lisboa não tem estratégia, embora tenha alguns bons trunfos.


 

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