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Crime faz Lisboa superar qualidade de vida de Paris, Londres e Barcelona

Num ano em que várias "concorrentes" sofreram atentados terroristas, a capital portuguesa sobe cinco lugares num ranking que ajuda as empresas no pagamento a expatriados. Conheças as melhores e piores cidades para viver.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 20 de Março de 2018 às 00:01
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A melhoria na classificação da categoria associada à criminalidade na cidade levou Lisboa a escalar cinco posições no ranking anual da qualidade de vida elaborado pela consultora Mercer, surgindo agora a capital portuguesa classificada na 38.ª posição, num total de 231 avaliadas na edição de 2018.

 

Já à frente de Madrid (49º lugar) e de Nova Iorque (45º) em estudos anteriores, após dois recuos consecutivos, Lisboa ultrapassa este ano cidades como Paris (39º), Londres (41º) ou Barcelona (43º), que durante o ano de 2017 foram palco de vários atentados terroristas, vitimando dezenas de pessoas e aumentando o sentimento de insegurança. Estabilidade política, serviços de saúde, trânsito, alojamento e clima são outros dos 39 critérios analisados.

 

Utilizado pelas empresas e outras organizações para ajudar a definir a compensação aos trabalhadores destacados no estrangeiro, este ranking é liderado pelo nono ano consecutivo por Viena (Áustria). Numa lista encabeçada sobretudo por cidades europeias, a canadiana Vancouver (5º) é a primeira posicionada do continente americano, cabendo essa distinção a Singapura (25º) e Montevideu (77º) nas regiões da Ásia e da América Latina, respectivamente.

 

Em sentido inverso, na cauda desta tabela estão sobretudo cidades das regiões de África e da Ásia Ocidental, penalizados pela "instabilidade política persistente, a pobreza, o clima e a falta de investimentos adequados em infra-estruturas", segundo diagnostica a 20.ª edição deste estudo, assinalando a subida de algumas cidades em economias emergentes. É o caso do Dubai, que está agora na 74ª posição e é o local com melhor qualidade de vida no Médio Oriente.

 

Além de ser um obstáculo significativo para a atractividade de talento e empresas numa cidade, a fraca qualidade de vida pode afectar consideravelmente o estilo de vida de um expatriado. Tiago Borges, responsável pela área de retribuições da Mercer Portugal

 

A qualidade de vida é um dos argumentos para as cidades atraírem profissionais e também investimentos estrangeiros. Tiago Borges, responsável pela área de retribuições da Mercer Portugal, sublinha que, "além de ser um obstáculo significativo para a atractividade de talento e empresas numa cidade, a fraca qualidade de vida pode afectar consideravelmente o estilo de vida de um expatriado". O que, acrescenta, tem impacto sobretudo nos jovens que "depositam grandes expectativas nas oportunidades de estilo de vida, lazer e entretenimento" nos destinos.

 

Várias empresas multinacionais anunciaram nos últimos meses a escolha de Lisboa para acolher operações, sobretudo nas áreas das tecnologias e da engenharia. É o caso da Mercedes, que está a criar na capital portuguesa a "Autoeuropa do digital", ou do novo centro de excelência da Uber para apoiar diferentes países europeus. Outras cidades portuguesas (não analisadas neste estudo global) também estão a ser contempladas nestes planos, como aconteceu com a Google em Oeiras ou com a Euronext no Porto.

 

Desafiar o talento e o dinheiro

 

Nas contas do Governo são já perto de uma centena os centros de competências de empresas internacionais instalados no país, que empregam cerca de 50 mil pessoas. A 7 de Março, durante a inauguração do centro tecnológico do banco de investimento francês Natixis na Invicta, entre os factores de atractividade elencados pelo primeiro-ministro, António Costa, estava justamente o "elevado nível de segurança", a par com "um ambiente de negócios amigável" para os estrangeiros, as boas redes de infra-estruturas, incluindo do ponto de vista tecnológico, e a qualidade dos recursos humanos portugueses.

 

Diogo Alarcão, CEO da Mercer Portugal, considera, citado numa nota de imprensa, que "atrair e reter pessoas é um dos principais desafios para as empresas nos próximos cinco anos", até porque "a força de trabalho é cada vez mais díspar, móvel, fortemente exposta ao digital e com necessidades e aspirações muito diferentes no que se refere à carreira, estilo de vida e, finalmente, onde e como quer trabalhar". "É fundamental que as empresas considerem estes factores na sua proposta de valor, quer para os seus colaboradores locais, como para os expatriados", avisa o gestor.

 

Diogo Alarcão, CEO da Mercer Portugal, considera a atracção e retenção de talentos como um dos maiores desafios até 2023.
Diogo Alarcão, CEO da Mercer Portugal, considera a atracção e retenção de talentos como um dos maiores desafios até 2023.

 

Durante uma audição na Assembleia da República, a 6 de Março, o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) garantiu que o investimento directo estrangeiro está a crescer no país, que passou a estar no radar das multinacionais, adiantando que a agência tem em "pipeline" investimentos produtivos de 2,3 mil milhões de euros e que 70% desse valor em negociação é proveniente de investidores externos.

 

Alguns dias antes, a propósito da decisão da Devexperts, uma multinacional alemã que presta serviços de "software" para empresas do sector financeiro, de instalar um centro de investigação e desenvolvimento em Portugal, Luís Castro Henriques assegurou ao Negócios que "a AICEP está neste momento a acompanhar cerca de 30 potenciais projectos de centros de serviços, que se poderão traduzir na criação de mais de cinco mil empregos".

Lisboa "tropeça" no saneamento

A consultora Mercer divulga, em conjunto com a edição deste ano do estudo da qualidade de vida, um ranking autónomo sobre as condições de saneamento das cidades, que analisa as infra-estruturas relacionadas com a remoção de resíduos e esgotos, níveis de doenças infecciosas, poluição do ar, fornecimento e qualidade de água. Nesta lista, Lisboa cai para o 59º lugar, ainda assim, continuando acima de cidades como Barcelona (61º), Londres (67º) ou Roma (77º). A liderança nesta variável – "importante para a atractividade de uma cidade, tanto ao nível do talento, como para o investimento directo estrangeiro das empresas" – pertence a Honolulu (Havai, EUA), seguida por Helsínquia (Finlândia) e Otava (Canadá), que partilham o segundo posto. No fundo surgem as localidades de Dhaka (Bangladesh) e Port-Au-Prince (Haiti).

(Correcção: A imagem inicial associada a Conacri era de Bissau)
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