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EDP inaugura no Chile primeiro complexo de baterias associado a parque eólico

A infraestrutura está integrada no parque eólico da empresa em Ovalle e destina-se a reduzir perdas de energia renovável e aumentar a flexibilidade do sistema elétrico chileno, num investimento de cerca de 38 milhões de euros.

Miguel Stilwell d'Andrade, CEO da EDP
Miguel Stilwell d'Andrade, CEO da EDP Pedro Ferreira / Jornal de Negócios
17:55
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A elétrica EDP iniciou a operação do complexo de armazenamento por baterias Punta de Talca, no norte do Chile, um investimento de 44 milhões de dólares (cerca de 38 milhões de euros).

A infraestrutura é integrada ao parque eólico da empresa em Ovalle e destina-se a reduzir perdas de energia renovável e aumentar a flexibilidade do sistema elétrico chileno.

Com capacidade instalada de 240 Megawatt/hora e potência de 60 megawatt durante quatro horas, o sistema foi acoplado ao parque eólico Punta de Talca, de 83 Megawatt, que entrou em operação em 2024.

Segundo a empresa, o complexo poderá armazenar, em média, 60 Gigawatt/hora por ano e contribuir para o abastecimento de mais de 30 mil residências da região.

O investimento total no empreendimento eólico e no sistema de baterias ultrapassa 160 milhões de dólares (138,4 milhões de euros).

Durante uma visita de jornalistas às instalações, o presidente-executivo da EDP para a América do Sul, João Brito Martins, afirmou que o projeto representa um passo importante na estratégia da companhia para integrar armazenamento e geração renovável.

Segundo descreveu, este é o primeiro projeto da empresa no mundo a combinar um parque eólico com um sistema de armazenamento por baterias, embora o grupo já possua experiências semelhantes associadas à energia solar nos Estados Unidos.

"Obviamente o projeto por si tem um impacto económico relevante, um impacto importante também para o sistema no Chile", descreveu.

O executivo lembrou ainda que o grupo já opera cerca de 550 Megawatts de baterias, sobretudo nos Estados Unidos, sendo esta a primeira instalação do género na região sul-americana.

Segundo explicou, a empresa aproveitou a legislação chilena que permitiu à EDP ter uma vantagem competitiva ao ter baterias acopladas ao parque.

"Entendemos que as baterias têm o efeito sistémico e, portanto, faz todo o sentido fazermos este parque híbrido eólico de baterias aqui no Chile", frisou.

A opção por associar as baterias ao parque eólico resulta, segundo descreveu, da necessidade de enfrentar o fenómeno do 'curtailment' -- quando há o corte obrigatório de geração renovável por limitações da rede ou do mercado -- e de aproveitar diferenças de preços ao longo do dia.

De acordo com responsáveis técnicos da EDP, o parque regista períodos em que a energia é produzida com preços muito baixos ou mesmo próximos de zero, situação em que as baterias permitem armazenar eletricidade para posterior injeção na rede em horários de maior valor económico.

O modelo financeiro do projeto prevê praticamente eliminar tanto o 'curtailment' físico como a venda de energia a preços nulos.

A expectativa é que isso comece a acontecer a partir de novembro, quando termina o período de teste e começa a fase comercial.

A infraestrutura funciona como um sistema híbrido, utilizando a mesma subestação e linha de transmissão do parque eólico.

A capacidade de evacuação da subestação é de 90 megawatt, enquanto o parque possui 83 Megawatt instalados, sendo a bateria utilizada de forma complementar sem ultrapassar esse limite.

São 14 torres eólicas - sendo que cada uma tem capacidade de 5.9 Megawatt de geração - espalhados em uma área de 54 hectares diante ao oceano pacífico

A empresa mantém ainda projetos em desenvolvimento noutras regiões do Chile, incluindo iniciativas que combinam geração eólica, solar e armazenamento, mas condiciona novos investimentos à evolução das condições de mercado e à viabilidade financeira dos empreendimentos.

A embaixadora de Portugal no Chile, Helena Bicho, que compareceu a inauguração do parque de baterias, afirmou à Lusa que o empreendimento da EDP mostra o compromisso das empresas portuguesas com inovação e sustentabilidade.

"Para mim foi muito útil ter aprendido o que significa um parque de baterias, o sistema de armazenamento de energias em baterias, que é de facto um fator do futuro para o êxito da transição energética", afirmou.

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