Estudo alerta que Europa investe pouco em energia eólica e renovação de edifícios
O relatório calcula que os investimentos na transição para uma economia de baixo carbono atingiram 534 mil milhões de euros em 2025, um valor muito abaixo dos 878 mil milhões de euros necessários.
A União Europeia (UE) está a investir muito pouco na energia eólica e na renovação dos edifícios para uma maior eficiência energética, segundo um estudo publicado na sexta-feira, que destaca a estagnação dos gastos com o clima na Europa.
"O ímpeto perdeu força" e após um aumento acentuado em 2022, na sequência da crise energética desencadeada pela guerra na Ucrânia, os investimentos em energia limpa estagnaram nos últimos anos, lamentou o Instituto de Economia Climática (I4CE).
De acordo com o relatório, os investimentos na transição para uma economia de baixo carbono atingiram 534 mil milhões de euros em 2025, um valor muito abaixo dos 878 mil milhões de euros necessários para atingir as metas climáticas da UE até 2030.
A energia eólica, as redes elétricas e a renovação de edifícios continuam a ser subfinanciadas, enquanto a energia solar, o armazenamento em baterias e os postos de carregamento estão dentro do previsto.
De um modo geral, os investimentos em energias renováveis e nucleares diminuíram 9% em relação a 2024, dando continuidade a uma tendência decrescente devido à lentidão dos processos de licenciamento, à capacidade limitada da rede elétrica e ao crescimento da procura de eletricidade mais lento do que o esperado.
Os investimentos em remodelações de edifícios também caíram 5% em 2025, devido à redução de certos programas de apoio público, principalmente no setor residencial.
Entre as "surpresas positivas", os investimentos em veículos elétricos recuperaram já em 2025, mesmo antes dos efeitos da guerra no Médio Oriente e do encerramento do estreito de Ormuz desde o final de fevereiro.
Esta situação regista-se na Alemanha, um país tradicionalmente muito ligado aos motores de combustão interna, observa Clara Calipel, uma das autoras do relatório.
De um modo geral, "estamos a ver que os programas de subsídio público" para os veículos elétricos "têm um impacto considerável nos investimentos", sublinhou.
O instituto, presidido pelo economista Jean Pisani-Ferry, defende um maior planeamento e estabilidade regulamentar na UE.
Clara Calipel criticou as recentes alterações nas políticas de Bruxelas, incluindo uma série de flexibilizações das normas ambientais, particularmente no que diz respeito às normas de CO2 para automóveis.
"Isto envia sinais muito negativos aos investidores, especialmente no setor de fabrico de baterias", defendeu.
Em dezembro, a Comissão Europeia propôs o abandono da proibição da venda de automóveis novos com motor de combustão interna em 2035, de forma a oferecer mais flexibilidade à indústria.
Em vez disso, os fabricantes terão de reduzir as emissões de CO2 em 90% em comparação com os níveis de 2021 e compensar os restantes 10%.