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Ex-presidente da Carris: “Houve uma coisa que todos percebemos. A Refer só tomou boas decisões”

Silva Rodrigues não quis comentar o motivo que terá levado o Governo a demitir algumas personalidades ligadas aos “swaps” e a optar por manter outros no cargo, como Maria Luís Albuquerque. Só a ministra o poderá explicar, disse. Ao antigo responsável da Carris, a ministra terá dito que foi demitido para estar “sem constrangimentos” na comissão de inquérito.

04 de Setembro de 2013 às 14:39

José Silva Rodrigues, antigo presidente do conselho de administração da Carris, respondeu com ironia quando foi questionado qual a sua opinião sobre o facto de ter sido destituído do cargo por ter subscrito “swaps” mas de isso não ter acontecido com outras personalidades, como Maria Luís Albuquerque.

“Houve uma coisa que percebemos todos. A Refer só tomou boas decisões”, disse José Silva Rodrigues na comissão de inquérito aos “swaps” esta quarta-feira, fazendo uma referência à gestora da rede de infra-estruturas ferroviárias, já que a actual ministra das Finanças foi, aí, directora financeira entre 2001 e 2007, tendo proposto a subscrição de derivados financeiros. Já no caso da Carris, terão havido algumas “más decisões”, ironizou, mais uma vez, o antigo responsável da transportadora.  

“Não conseguimos perceber mais nada”, resumiu o responsável, fazendo referência ao relatório do IGCP que analisou os “swaps” das empresas públicas e que refere que os derivados na carteira da Refer eram adequados (apesar de admitir alguma complexidade) ao passo que dois dos quatro produtos “swaps” da Carris foram considerados especulativos. Silva Rodrigues defende que os “swaps” da empresa que liderou até Junho deste ano, altura em que foi demitido pelo Governo, serviram apenas para proteger face à variação da taxa de juro e não tinham nenhuma estrutura especulativa. 

Sobre os critérios que levaram à sua demissão, o responsável disse que não foi informado dos mesmos. “Só a senhora ministra é que terá de dizer quais foram os critérios para haver decisores que foram considerados [como tendo tomado] más decisões e outros que foram considerados [como tendo tomado] boas decisões”, disse.

“A minha demissão não foi fundamentada. Foi conveniente no quadro político, na forma como Governo quis tratar o tema dos ‘swaps’”, declarou o agora funcionário da transportadora Barraqueiro. O gestor argumenta que foi despedido "sem justa causa". 

Demitidos para não estarem constrangidos na comissão de inquérito

Silva Rodrigues foi demitido por uma resolução do conselho de ministros de 6 de Junho, juntamente com Vale Teixeira e Paulo Magina, que tinham sido gestores da EGREP e CP, respectivamente, por o Governo ter perdido confiança para desempenharem cargos de gestão em funções públicas. Todos tinham contratado "swaps" nas empresas. Além deles, Juvenal da Silva Peneda e Braga Lino foram destituídos de secretários de Estado por terem sido administradores do Metro do Porto. Maria Luís Albuquerque foi mantida no cargo de secretária de Estado do Tesouro (actualmente, é ministra das Finanças). 

Para lhe explicar a razão da demissão, houve uma reunião entre Silva Rodrigues e a então secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, a 31 de Maio. Segundo o gestor, foi-lhe dito que a demissão “não representava um julgamento do Governo" mas acontecia "porque o Governo entendia que os gestores deveriam estar sem qualquer constrangimento quando se apresentassem na comissão parlamentar de inquérito”.

Comunicado público de Silva Rodrigues prejudicaria estratégia do Executivo

Antes de ser demitido, quando começou a ser noticiado que havia empresas públicas, entre as quais a Carris, que teriam instrumentos de gestão do risco financeiro especulativos, Silva Rodrigues quis fazer uma declaração pública a desmentir qualquer estrutura especulativa nos “swaps” da transportadora - uma ideia que ainda hoje defende. 

Contudo, o Executivo aconselhou-o a não o fazer. Segundo o que disse na comissão de inquérito, o gabinete do secretário de Estado do Transportes, Sérgio Monteiro, pediu para não “pronunciar-se sobre o tema”. “Não era uma questão da Carris, mas que envolvia várias empresas”. “A tomada de posição da Carris poderia estragar a estratégia do Governo junto dos bancos”, explicou Silva Rodrigues na comissão de inquérito. Na altura, o Ministério das Finanças negociava com os bancos para cancelar os "swaps" das empresas públicas. 

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