Norte-americana Gilead compra empresa de biotecnologia por 7,8 mil milhões de dólares
O preço máximo que a Gilead vai pagar pela Arcellx representa um prémio de cerca de 68% face à média dos últimos 30 dias das suas ações.
A farmacêutica norte-americana Gilead Sciences, que conta com presença em Portugal, vai comprar a Arcellx, que se dedica ao desenvolvimento de medicamentos para curar o cancro no sangue, por até 7,8 mil milhões de dólares. O anúncio foi feito esta segunda-feira e a acontece numa altura em que as grandes farmacêuticas dos EUA olham com interesse redobrado para empresas de biotecnologia com medicamentos comprovados, que podem ser rapidamente colocados no mercado.
O valor máximo do negócio representa um prémio de cerca de 68% face ao preço médio dos últimos 30 dias das ações da Arcellx, com a Gilead a pagar 115 dólares por título - número ao qual podem acrescer mais cinco dólares, caso certos objetivos sejam cumpridos por parte da empresa. As duas partes já tinham uma parceria, assinada em 2022, para a comercialização de medicamentos para combater o mieloma múltiplo - um tipo de cancro que tem origem na medula óssea e que pode levar a mazelas noutros órgãos e ossos.
Com esta aquisição, a Gilead vai conseguir "pôr as mãos" à nova tecnologia da Arcellx, que se encontra agora em fase de testes clínicos e que tem como base a reprogramação de células-T de forma a que estas reconheçam e eliminem células cancerígenas, tirando partido do próprio sistema imunitário dos pacientes. Espera-se que o regulador norte-americano tome uma decisão sobre a utilização deste medicamento em pacientes reincidentes até dezembro deste ano.
Sob a liderança de Daniel O'Day, a Gilead conseguiu construir um portefólio considerável na área da oncologia, munindo-se de várias aquisições como quando comprou a Immunomedics por 21 mil milhões de dólares ou a CymaBay Therapeutics por 4,3 mil milhões. Neste momento, as ações da farmacêutica norte-americana estão a valorizar 0,07%, enquanto as da Arcellx disparam 77,90% - muito devido ao prémio "chorudo" que a Gilead vai pagar pela empresa.
Nos últimos meses, a farmacêutica tem enfrentado pressões sobre as suas receitas, depois de ter assinado um acordo com a administração Trump para cortar nos preços de vários medicamentos. Em dezembro, a empresa afirmou que iria descontar vários fármacos presentes no seguro de saúde público Medicaid, destinado a pessoas de baixo rendimento - uma lista que inclui medicamentos para o HIV, hepatite e ainda covid-19.
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