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OCDE diz que Portugal podia ter mais 280 mil empreendedores

Um estudo da OCDE dá conta do desperdício implícito no facto de nem todas as pessoas terem as mesmas oportunidades para ser empreendedoras. Já em termos globais, o empreendedorismo em Portugal compara bem com a média.

Margarida Peixoto margaridapeixoto@negocios.pt 29 de Novembro de 2021 às 19:00
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Se em Portugal todos tivessem as mesmas condições para ser empreendedores, o país teria mais 280 mil pessoas a transformar ideias em negócios. A conclusão é da OCDE, que publicou esta segunda-feira um estudo sobre os "Empreendedores em falta" nos países da União Europeia e da OCDE, onde alerta para o potencial de crescimento e de inovação que está a ser desperdiçado.


"Nem todas as pessoas têm as mesmas oportunidades para transformar as suas ideias em negócios", frisa a OCDE. "Poderia haver mais nove milhões de pessoas a começar e a gerir novos negócios na União Europeia – e 35 milhões nos países da OCDE – se todos fossem tão ativos na criação de empresas como os homens em idade central (entre 30 e 49 anos)", concluem os investigadores.


A conclusão resulta do facto de se ter verificado que há grupos populacionais sub-representados entre os empreendedores. A lacuna é particularmente evidente entre as mulheres, mas também há falhas consoante os grupos etários.


Para Portugal, o relatório conclui que 85% dos "empreendedores em falta" são mulheres e 60% têm mais de 50 anos. A nível da OCDE a desvantagem das mulheres e dos mais velhos também é identificada, embora seja ligeiramente menos gritante: no caso das mulheres a percentagem é de 75% e dos mais velhos é de 50%. Porém, é assinalada uma desvantagem também dos mais jovens que não se deteta em Portugal. 


"As oportunidades perdidas devem-se a vários fatores, incluindo maiores dificuldades no acesso ao financiamento, lacunas de qualificações, redes de apoio subdesenvolvidas e barreiras institucionais", lê-se no documento, que dá como exemplos a falta de redes de apoio para a infância ou o desencorajamento social, referindo-se ao fenómeno em termos gerais. 


Esta desigualdade, explica a OCDE, foi aumentada pela pandemia de covid-19: "A propensão para reduzir horas de trabalho ou encerrar negócios foi maior entre os empreendedores de grupos sub-representados e em desvantagem", assinalam. 


Para combater este fenómeno, a OCDE recomenda aos governos que aumentem o financiamento para as startups, em especial para as pessoas que têm maiores dificuldades no acesso ao financiamento no mercado de crédito habitual, como por exemplo "as mulheres, os jovens e os imigrantes", frisam os peritos. Também são precisos programas de melhoria das qualificações, sobretudo em literacia financeira, conhecimentos digitais e de negócios – áreas onde as lacunas são mais evidentes também entre os grupos sub-representados. E por fim, sugere que os apoios sejam mais direcionados, e calibrados à medida das necessidades.

País tem boas condições globais

 

Apesar da desvantagem de alguns grupos populacionais ser evidente em Portugal, o país compara bem com a média da União Europeia no que diz respeito às condições globais para o empreendedorismo. Segundo o estudo, Portugal está "entre o top 5 de países da União Europeia no financiamento a pequenas e médias empresas, qualificações e expectativas de empreendedorismo".

 

O documento dá também nota de uma incidência mais elevada de empreendedorismo em Portugal do que a média da União Europeia, sobretudo entre os mais jovens, e de melhores expectativas dos empreendedores.

 

Esta vantagem comparativa em termos globais deve-se "sobretudo à simplificação administrativa e de procedimentos de licenciamento da última década", assinalam os peritos. Mais: Portugal tem já programas direcionados para apoiar o empreendedorismo jovem e alguns apoios também específicos para a população imigrante.

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