Empresas Orey Antunes vai mudar para voltar ao que era. Deixa sector financeiro

Orey Antunes vai mudar para voltar ao que era. Deixa sector financeiro

A Sociedade Orey Antunes, cotada em Lisboa, vai sair do sector financeiro. Vai recentrar actividade no transporte e logística. O sector financeiro ficará para o principal accionista.
Orey Antunes vai mudar para voltar ao que era. Deixa sector financeiro
Miguel Baltazar
Alexandra Machado 11 de agosto de 2018 às 13:01
Depois de em 2004 ter diversificado actividade, assumindo papel no sector financeiro, a Orey Antunes assume agora um novo destino. Vai deixar a área financeira, para se voltar a centrar na actividade tradicional: o transporte e logística.

Isso mesmo assumiu no relatório e contas referente a 2017, agora publicado, tendo já o seu conselho de administração aprovado essa mudança, segundo comunicado à CMVM.

Assim, a Sociedade Comercial Orey Antunes (SCOA) decidiu "tomar a decisão estratégica de focar a actividade da sociedade nas áreas de transportes e logística e serviços relacionados", assumindo "a decisão estratégica de sair do sector financeiro", lê-se no comunicado que revela as decisões do conselho de administração.

E para tal pretende, "com a maior brevidade possível" alienar os activos relacionados com a actividade financeira, isto depois de já ter alienado o Banco Inversis. A empresa decidiu "vender o restante do negócio financeiro e de acelerar o desinvestimento dos activos não operacionais no Brasil, nomeadamente os projectos Araras e OpIncrível".

A Orey Antunes explica que não é uma decisão fácil. "Esta decisão não foi fácil e põe um ponto final numa estratégia do conceito de 'holding' de negócios diversificados nomeadamente com presença em sector financeiro e não financeiro. Desde que tomámos esta decisão de diversificação em 2004, todas as circunstâncias nos foram adversas", justifica no relatório de 2017, falando de um sector financeiro menos atractivo, e de os investidores e reguladores não gostarem de empresas mistas.

Uma combinação de factores "prejudicial para a sociedade porque não agradávamos 'nem a gregos nem a troianos'", e "mantendo a sociedade cotada em bolsa e querendo extrair o maior valor possível para todos os 'stakeholders', a melhor alternativa é enfocar numa única actividade", pelo que "o único enfoque que faz sentido é no negócio onde somos mais competitivos e temos maior dimensão, deixando aos accionistas o papel da diversificação".

Vai começar por pedir ao Banco de Portugal a alteração da Orey Financial de IFIC (Instituição Financeira de Crédito) para SC (Sociedade Corretora), avançando com a redução de capital e pedido de autorização de venda do seu capital. Essa alteração vai levar à alienação da sociedade corretora, valorada em 400 mil euros "de acordo com as ofertas recebidas. E quem fez as propostas? O principal accionista. A Orey Inversiones Financieras SL, sociedade accionista da SCOA, propôs ficar com 60% da Orey Financial, ficando os restantes 40% na Consultoria & Inversiones Escorial SL.

Em 2017, o grupo Orey viu as receitas operacionais caírem 8,7% para 67,02 milhões de euros, mas a margem bruta aumentou 6,7% para 19,74 milhões de euros, "o que significa um aumento da qualidade das receitas".

Os custos operacionais foram cortados em 6,4% para 15,84 milhões de euros, o que levou a que o EBITDA operacional mais do que duplicasse de 1,56 milhões de euros em 2016 para 3,89 milhões de euros em 2017. Se contabilizado outras vertentes não operacionais, o EBITDA passou de 4,33 milhões de euros negativos em 2016 para 4,50 milhões de euros positivos em 2017, depois de em 2016 "o desempenho ter sido influenciado pela perda contabilística registada relativa à venda do Banco Inversis e também pelos custos da reestruturação".

Os resultados líquidos gerados no ano de 2017 ainda foram negativos em 2,04 milhões de euros, com uma imparidade na Orey Financial (8,09 milhões de euros), Horizon View (3,40 milhões de euros), Lynx (2,36 milhões de euros). Contribuiu também para o prejuízo o contributo negativo da Orey Financial (comeu 1,85 milhões de euros) e o impacto adverso da evolução do real face ao euro nos projectos de investimento no Brasil (5,80 milhões de euros), explica a empresa. 

Face às decisões que têm vindo a ser tomadas, Duarte D'Orey acredita que 2018 "será o ano em que iremos dar os passos finais da reestruturação e iniciar uma nova etapa de crescimento neste novo enquadramento estratégico".