Organização Mundial de Agricultores prevê queda da produção se conflito se prolongar
Se durante um ano a disponibilidade de fertilizantes for reduzida em 30%, a produção de grãos pode diminuir até 15%, alertam agricultures.
A Organização Mundial de Agricultores prevê uma descida da produção de alimentos em 2027 de até 15% se não for restabelecido de forma estável o comércio de fertilizantes, alterado pelo conflito no Médio Oriente e a escassez de alternativas.
O presidente da organização, Arnold Puech d'Alissac, destacou, em entrevista à agência EFE, que o impacto da crise está a ser "muito desigual", em função das zonas.
Os agricultores do hemisfério sul, que têm urgência em comprar fertilizantes para usarem sobretudo entre agosto e outubro, estão a ter mais dificuldades do que os do norte, que têm mais tempo, uma vez que precisam de os aplicar no próximo ano.
A maioria dos países importa fertilizantes nitrogenados, responsáveis por metade dos alimentos que se consomem no planeta, recordou Puech d'Alissac.
Por isso, para lá da trégua acordada, um bloqueio de longo prazo do estreito de Ormuz, por onde transita até 30% do comércio mundial de fertilizantes, tem um impacto direto na atividade do setor primário.
"Se durante um ano se reduz a disponibilidade de fertilizantes em 30%, a produção de grãos diminuirá 12,5%, inclusive até 15%", advertiu o representante dos agricultores, que alertou para o "risco da flutuação do preço".
De momento, descartou que a segurança alimentar esteja em perigo, devido "às enormes reservas mundiais de grãos", o que faz com que o preço dessa matéria prima seja "muito baixo", pela primeira vez em muito tempo.
No entanto, a produção no futuro pode ser comprometida se a crise se prolongar, já que os agricultores requerem fertilizantes e gasóleo no momento em que devem decidir o que cutivar na próxima temporada, sob a ameaça de que maiores custos de produção reduzam as margens de lucro ou lhes causem prejuízos.
Segundo Puech d'Alissac, as alternativas à escassez de fertilizantes são "muito poucas", entre as quais se destaca uma maior produção de leguminosas como ervilhas ou soja.
Neste sentido, pode aumentar a produção de soja na Argentina e no Brasil, porque é "menos arriscada e mais barata", em comparação com o milho, o trigo, a cevada ou o arroz.