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Reduflação. Sabe o que é? Tem "risco reduzido de afetar reputação das marcas"

É "uma técnica" para lidar com a inflação. Um exemplo? O preço da embalagem mantém-se inalterado, mas o conteúdo diminui. A Havas Media Group acredita que a estratégia não penalizará as marcas.

Uma subida acentuada dos bens alimentares pode afetar mais as famílias de rendimentos mais baixos, uma vez que gastam uma maior parte do seu salário em alimentação.
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Lusa 29 de Maio de 2022 às 11:47
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A diretora de Insights & Strategy da Havas Media Group Portugal defendeu que a reduflação, "uma técnica" para lidar com a inflação, "apresenta um risco reduzido de afetar a reputação das marcas".

A reduflação, ou 'shrinkflation', em inglês, é um termo "relativamente recente" e uma técnica "usada pelas marcas há algum tempo (na segunda metade do século XX) perante cenários de crescente custo de produção ou evoluções de produto", explicou a diretora de Insights & Strategy, Sofia Vieira.

Esta técnica consiste no aumento de custo por unidade ou por quantidade, ou seja, "o custo da embalagem mantém-se, mas o seu conteúdo diminui", refere a responsável, salientando que têm sido identificados "vários casos de 'shrinkflation'" em Espanha, nomeadamente em cosmética e perfumaria, mas também na alimentação.

"Em Portugal não há nenhum caso identificado, mas será expectável que haja marcas a fazê-lo dada a inflação que se faz sentir a vários níveis", acrescentou Sofia Vieira.

"Seria preciso um consumidor particularmente atento - que tivesse uma noção do custo por unidade/grama/ml - para notar evoluções deste tipo", referiu a responsável, quando questionada se pagar o mesmo por menos quantidade afeta a reputação das marcas.

Logo, "o 'shrinkflation' é uma técnica para lidar com a inflação que apresenta um risco reduzido de afetar a reputação das marcas", sublinhou, apontando, no entanto, que "se for detetada é normalmente encarada de forma bastante negativa".

Isto porque "é um mecanismo pouco transparente, usado normalmente para transferir o efeito da subida de preços para o consumidor final", considerou.

"De acordo com dados do nosso estudo Meaningful Brands, a exigência de transparência tem vindo a crescer, sendo um 'driver' [motor} muito importante de confiança na marca e de 'brand equity', mas onde as 102 marcas que avaliámos têm um desempenho frágil (apenas 34% dos consumidores avalia positivamente as marcas sob este ponto de vista)", exemplificou.

Mas não há um risco dos consumidores deixarem de comprar determinado produto? Sofia Vieira admite que sim.

"Esse risco é maior perante marcas que tenham um maior número de referências ou produtos substitutos, sobretudo se os consumidores começarem a fazer contas ao custo por unidade/quantidade", considerou.

"Sabemos que, em contextos de perda de compra, o consumidor se torna mais permeável a promoções, produtos de outras marcas e a produtos de marca branca", e "quanto maior for o valor da marca para o consumidor, menor será o risco desta ser trocada por outra", prosseguiu.

Nesse sentido, "o risco de redução da frequência ou valor de compra depende naturalmente do setor/categoria de produto", sintetizou Sofia Vieira.

Questionada pela razão para não se falar muito do 'shrinkflation', a responsável considerou que, por ser "uma prática de difícil monitorização, seria preciso conhecer para todas as marcas a evolução do custo por quantidade ou unidade".

Já sobre que tipo de marcas/setores é que praticam mais esta técnica, a diretora referiu que em Portugal isso não é conhecido.

"Há categorias de produtos onde tal prática não é possível", ou seja, sempre que existem modelos de compra ao quilo, como é o caso da fruta, exemplificou.

"Mas há categorias de produto onde será mais fácil recorrer a este tipo de método: temos o exemplo do caso espanhol, onde esta prática foi detetada nos setores da cosmética, perfumaria e alimentação", apontou.
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