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Sonae regista prejuízos de 56 milhões em 2002 (act2)

A Sonae SGPS anunciou hoje que registou prejuízos de 56 milhões de euros em 2002, devido a resultados extraordinários negativos e a um aumento de 33% nos encargos financeiros, avançou a empresa liderada por Belmiro de Azevedo em comunicado.

Negócios negocios@negocios.pt 12 de Março de 2003 às 17:27
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A Sonae SGPS anunciou hoje que registou prejuízos de 56 milhões de euros em 2002, devido a resultados extraordinários negativos e a um aumento de 33% nos encargos financeiros, avançou a empresa liderada por Belmiro de Azevedo em comunicado.

Em 2001, a empresa que consolida as actividades da SonaeCom, Imobiliária, Indústria e Modelo Continente havia alcançado lucros de 55 milhões de euros.

A deterioração dos resultados explica-se pelo abrandamento económico - que afectou as vendas - o aumento em 33% das perdas cambiais e encargos com dívida e a perdas extraordinárias de 26,4 milhões de euros.

Os resultados extraordinários «estão sobretudo associados a custos de reorganização», justifica a empresa em comunicado. Em 2001, os resultados extraordinários foram positivos em

As vendas caíram 1,7% para os 6,28 mil milhões de euros devido a variações cambiais. Expurgado esse efeito, o volume de negócios da Sonae SGPS [SON] aumentou 3,6% para os 6,62 mil milhões de euros, ou 5,25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

As actividades da Sonae além fronteiras, onde se incluem países como o Canadá, o Reino Unido e o Brasil para negócios de derivados de madeira e distribuição, foram afectadas pelas quedas das várias divisas face ao euro.

A redução de 2% no volume de negócios nos derivados de madeira «teve origem na evolução adversa da taxa de câmbio do dólar canadiano, libra esterlina e real brasileiro face ao euro, na deterioração económica, bem como na pressão generalizada sobre os preços de venda», segundo o comunicado da empresa.

O «cash flow» operacional, ou EBITDA, aumentou 7,3% para os 649 milhões de euros, enquanto os resultados financeiros - medem as perdas resultantes de encargos com dívida e depreciações cambiais - aumentaram 33% para os 253 milhões de euros.

«Este aumento está em parte associado ao aumento da dívida média para financiamento dos investimentos ocorridos em anos anteriores, mas também ao peso das diferenças cambiais líquidas negativas», afirma a empresa em comunicado.

A companhia não revelou dados sobre a dívida média, avançando, no entanto, que o endividamento consolidado líquido, a 31 de Dezembro, era de 3,29 mil milhões de euros, menos 203 milhões do que o registado no último dia do ano de 2001.

Investimento cai para metade

Os investimentos atingiram os 744 milhões de euros, menos 765 milhões de euros em relação a 2001.

Na Sonae Indústria [SONA], o investimento foi de cerca de 106 milhões de euros, contra os 408 milhões de 2001, tendo sido, na sua maioria, canalizado para a finalização das linhas de aglomerado de partículas e de OSB, na unidade alemã Glunz. O restante foi utilizado para «pequenas acções de optimização nas diversas unidades», explica a empresa.

Na área da distribuição, onde a empresa controla, entre outras, a Modelo Continente [MCON], a Sonae despendeu 121 milhões de euros na abertura de 25 lojas das várias insígnias, correspondente ao acréscimo de cerca de 25.000 m2 ao parque existente, reconversão e racionalização de lojas no Brasil e numa nova plataforma de sistemas de apoio à gestão. Em 2001, o investimento nesta área foi de 338 milhões de euros.

No sector imobiliário e de exploração de centros comerciais, onde actua a Sonae Imobiliária [SONIM], a empresa gastou 304 milhões de euros, mais que os 216 milhões realizados em 2001.

O dinheiro foi investido na aquisição, em parceria com a ING Real Estate Bishop, de um conjunto de centros comerciais à espanhola Filo, na abertura do Parque D. Pedro no Brasil e do centro comercial Plaza Mayor, em Málaga, e construção de centros comerciais em Madrid, Múrcia (Espanha), expansão do CascaisShopping, e promoção de outros centros em Toledo (Espanha) e em Brescia (Itália).

Na área das telecomunicações, onde a companhia controla as operadora fixa Novis e móvel Optimus - sob a esfera da SonaeCom [SNC] - os investimentos atingiram os 152 milhões de euros, o que compara com os 252 milhões de euros de 2001, para reforço das «infra-estruturas móvel e fixa», detalhou a empresa.

Queda nos investimentos é para manter

No capítulo reservado às perspectivas futuras da empresa, a Sonae afirma que o seu desenvolvimento «manter-se-á fortemente condicionado».

A actividade será afectada pela incerteza relativa ao «timing» e rapidez da retoma económica e pela evolução dos negócios do sector de serviços, mais directamente dependente da confiança dos consumidores que, em Portugal, se encontra ao nível mais baixo de sempre.

Mesmo assim, a Sonae afirma que «é expectável a continuação da melhoria da rendibilidade operacional, acompanhada de uma adequada contenção dos investimentos, com o consequente reforço da estrutura do balanço».

As acções da Sonae SGPS encerraram nos 0,35 euros, a cair 5,41%.

Por Ricardo Domingos

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