Petróleo volta a subir mais de 5%. Europa fecha no vermelho com mercados a anteciparem subida dos juros
Discussões em torno da disponibilização de reservas de petróleo está a marcar o dia. Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quarta-feira.
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Europa fecha no vermelho com mercados a anteciparem subida dos juros. Rheinmetall tomba 8%
Os principais índices europeus encerraram a sessão desta quarta-feira com perdas em praticamente toda a linha, ainda que tenham conseguido recuperar de mínimos intradiários depois de o Presidente norte-americano ter voltado a dizer que a guerra com o Irão terminaria “em breve”. Isto num dia em que a Agência Internacional de Energia (AIE) concordou libertar 400 milhões de barris de crude de reservas de emergência para fazer frente à disrupção no Estreito de Ormuz, que tem condicionado o escoamento de petróleo produzido no Médio Oriente.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – cedeu 0,59%, para os 602,54, depois de ter chegado a cair mais de 1% durante a sessão.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perdeu 1,37%, o espanhol IBEX 35 caiu 0,53%, o italiano FTSEMIB desvalorizou 0,95%, o francês CAC-40 recuou 0,19%, ao passo que o britânico FTSE 100 registou perdas de 0,56%. O neerlandês AEX acompanhou os ganhos da bolsa de Lisboa e ganhou ligeiros 0,05%.
“A reação do mercado acionista aos comentários de Trump hoje foi morna”, disse à Bloomberg Wolf von Rotberg, do Bank J Safra Sarasin. “A influência de Trump sobre a situação depende da reação iraniana e da sua disposição de reabrir o estreito de Ormuz. Até que isso aconteça, tanto uma queda sustentada nos preços do petróleo quanto uma recuperação duradoura nos mercados acionistas parecem improváveis”, acrescentou o mesmo especialista.
A par da volatilidade registada no mercado petrolífero, o sentimento do mercado foi abalado por declarações de Peter Kazimir, membro do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), que alertou sobre a possibilidade de a entidade que define a política monetária da Zona Euro subir as taxas de juro diretoras mais cedo do que o esperado, como forma de responder a uma possível subida da inflação à boleia do aumento dos custos da energia.
"Neste momento, precisamos de manter a calma", referiu, mas sublinhando logo de seguida que "uma reação do BCE está potencialmente mais perto do que muitas pessoas pensam", disse Kazimir. "Não quero especular sobre abril ou junho. Mas vamos estar preparados se for necessário", acrescentou o elemento do Banco Central Europeu.
Os mercados estão agora inclinados para um aumento das taxas de juro em junho ou mais tarde, apostando que a subida dos custos da energia levará o BCE a agir ainda este ano. “Esse é o maior risco, pois quanto mais tempo durar o conflito, maior será o impacto dos preços do petróleo sobre a inflação e, consequentemente, sobre as taxas”, destacou à agência de notícias financeiras Roland Kaloyan, do Société Générale. “O BCE e os bancos centrais em geral estão alerta quanto à inflação, para evitar uma repetição do caso de 2022, quando o pico da inflação foi considerado temporário”, defendeu.
Quanto aos setores, o do imobiliário (-2,07%) registou as maiores quedas, seguido dos serviços financeiros (-1,43%) e do industrial (-1,15%). Do lado dos ganhos, o setor do petróleo e gás (+1,59%) liderou os ganhos, com o retalho (+0,28%) e o dos media (+0,26%) a registarem valorizações.
Entre os movimentos do mecado, a Rheinmetall caiu mais de 8%, depois de a empresa alemã de defesa ter previsto que as vendas deste ano ficarão aquém das expectativas dos analistas. Já a Legal & General Group desvalorizou 5,65%, uma vez que o rácio de solvabilidade – que mede a capacidade de uma empresa honrar as suas dívidas de médio e longo prazo - da seguradora e gestora de ativos ficou aquém das previsões do mercado.
Juros da dívida disparam na Zona Euro
Os juros da dívida soberana dos países da Zona Euro dispararam esta quarta-feira, numa altura em que os investidores aumentam as apostas numa subida das taxas de juro pelo Banco Central Europeu, após os aumentos dos preços da energia, que impulsionaram as expectativas de uma subida da inflação.
A Europa é vista como particularmente vulnerável a uma escalada da guerra no Médio Oriente, uma vez que a região importa quase todo o seu petróleo e a maior parte do seu gás natural, ficando mais exposta do que os EUA, que é um exportador líquido de energia.
Os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, aumentaram em 11,5 pontos-base, para 3,339%. Em Espanha a "yield" da dívida com a mesma maturidade seguiu a mesma tendência e acelerou 11,7 pontos, para 3,405%. Já os juros da dívida soberana da Itália agravaram-se em 14,3 pontos, para 3,523%.
Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa subiu 12,6 pontos, para 3,568%, ao passo que os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, registou um aumento de 9,7 pontos, para os 2,929%.
Fora da Zona Euro, os juros das "gilts" britânicas, também a dez anos, registaram o maior agravamento, de 13,5 pontos-base, para 4,686%.
Ouro perde terreno. Investidores temem subida das taxas de juro
Os preços do ouro estão a recuar, ainda que de forma ligeira, enquanto o centro das atenções continuam a ser a guerra no Médio Oriente e a libertação de reservas de crude pela Agência Internacional de Energia (AIE), numa tentativa de mitigar o aumento de preços da energia por todo o mundo.
O metal amarelo perde 0,41% para 5.170,61 pontos, depois de esta terça-feira ter escalado 1%.
A AIE, que coordena a libertação de reservas dos países da OCDE, vai libertar 400 milhões de barris de crude das suas reservas estratégicas. É a maior libertação de "ouro negro" da história.
O ouro continua a ser pressionado por um dólar mais forte, ao mesmo tempo que os investidores temem já que os bancos centrais regressem à subida das taxas de juro em breve, numa tentativa de controlar a subida da inflação, que deverá acelerar com a crise energética em vigor. A subida dos juros tende a pressionar o ouro.
O ouro subiu cerca de 20% este ano, embora os preços não tenham avançado desde o início da guerra no Irão no final do mês passado.
Petróleo volta a subir mais de 5%. Investidores duvidam da eficácia da libertação de reservas
Os preços do petróleo estão a valorizar esta tarde, numa sessão bastante volátil, numa altura em que os investidores avaliam a quantidade de barris de crude que vão ser libertados de forma urgente pela Agência Internacional de Energia (AIE). O mercado está com dúvidas se esta libertação será suficiente para conter o impacto da subida de preços do "ouro negro", enquanto o Estreito de Ormuz continua praticamente encerrado.
Além disso, as valorizações cresceram depois de a Reuters ter noticiado que o Irão já colocou “uma dúzia” de minas no estreito de Ormuz, citando fontes militares dos EUA.
Esta tarde, o West Texas Intermediate (WTI), referência para os estados Unidos, soma 5,9% para 88,37 dólares por barril, enquanto o Brent, referência para a Europa, salta 5,82% para 92,91 dólares por barril.
A AIE anunciou esta quarta-feira que iria libertar 400 milhões de barris de crude das suas reservas, superando a quantidade libertada em 2022 devido à guerra na Ucrânia. No entanto, dado que o consumo mundial é de 100 milhões por dia, e pelo Estreito de Ormuz passam cerca de 20 milhões diários, o valor parece insuficiente para o médio prazo.
A decisão revela ainda a situação precária em que se encontra o mercado petrolífero. Além disso, e apesar de os EUA terem oferecido proteção às embarcações que quisessem atravessar o estreito de Ormuz, três navios foram atingidos esta quarta-feira, o que demonstra que o conflito não dá sinais de abrandamento - apesar de Donald Trump ter dito que a guerra estaria a chegar perto do fim, isto porque "praticamente não há mais nada para atacar", disse o Presidente, que enfrenta grande pressão económica e política para pôr fim aos ataques.
Ainda assim, as autoridades norte-americanas e israelitas afirmaram que estavam preparadas para mais duas semanas de ofensiva e que há poucas hipóteses de negociações diplomáticas.
Os analistas do UBS explicam que o mercado ainda se foca no volume interrompido devido ao fecho do estreito e "a perceber que o trânsito não é seguro", numa cota citada pela Bloomberg.
"Parece muito um mercado a negociar na névoa da guerra, reagindo em tempo real à medida que os acontecimentos se desenrolam", disse Rebecca Babin, do CIBC Private Wealth Group, à Bloomberg. "Os negociadores continuam a ser afetados pela intensa ação dos preços e pela extrema volatilidade do petróleo bruto, com os desenvolvimentos a provocarem oscilações intradiárias acentuadas", acrescentou.
Dólar sobe após dados da inflação dos EUA. Preços do petróleo impulsionam moeda
O dólar sobe esta quarta-feira, suportado pelos preços do petróleo, negociado na moeda norte-americana, que continuam a subir cerca de 5% mesmo depois de a Agência Internacional de Energia ter anunciado a maior libertação de reservas estratégicas da sua história, na ordem dos 400 milhões de barris.
O índice do dólar DXY, que segue a divisa norte-americana contra um cabaz das principais moedas, sobe 0,42% para 99,25.
Apesar da decisão histórica, os receios sobre os constrangimentos no estreito de Ormuz continuam a impulsionar o cruse, depois das notícias de que o Irão está a colocar minas na importante via marítima para o escoamento do petróleo da região.
A subida do dólar acontece depois de os dados da inflação norte-americana terem ficado em linha com as expectativas em fevereiro, mantendo o ritmo de 2,4% em termos homólogos. “Tendo em conta que os receios inflacionistas têm sido abundantes nas últimas semanas, esta é uma lufada de ar fresco”, referiu Andrew Hazlett, trader de câmbio da Monex Inc”, à Bloomberg.
“Os números do próximo mês serão mais interessantes para mim, uma vez que isso deve trazer algum tipo de impacto da guerra no Irão, mas a leitura de hoje ajuda a acalmar os receios de que a inflação estava a escapar ao nosso controlo”, acrescentou.
Já o euro cai 0,34% para 1,1570 dólares, depois de ter acelerado no seguimento das declarações do membro do conselho de governadores do BCE e líder do banco central eslovaco, Peter Kazimir, que disse que a guerra no Irão e o seu impacto na inflação podem levar o BCE a subir as taxas mais cedo do que o previsto.
Agência Internacional de Energia confirma libertação de 400 milhões de barris de crude em reservas
A Agência Internacional de Energia (AIE) deu luz verde à maior libertação de sempre de reservas de petróleo, numa tentativa de contar a subida dos preços da energia na sequência da guerra no Médio Oriente. Os 32 membros da AIE vão libertar 400 milhões de barris - o maior número de sempre.
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Wall Street divide-se entre ganhos e perdas. Oracle dispara quase 14%
Os principais índices norte-americanos arrancaram divididos entre ganhos e perdas, numa altura em que o conflito no Médio Oriente continua a centrar atenções. Apesar de os países do G7, onde se inclui os EUA, estarem a discutir usar as suas reservas estratégias para conter as movimentações do crude e o Japão e Portugal até se terem adiantado nessa questão, os ataques a petroleiros no estreito de Ormuz continuam a dar força aos preços da matéria-prima.
O "benchmark" S&P 500 abriu a sessão com perdas de 0,20% para 6.795,06 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite cede 0,47% para 22.802,86 pontos e o industrial Dow Jones desliza 0,21% para 47.604,06 pontos. Os três grandes índices norte-americanos encerraram a sessão divididos entre ganhos e perdas, num dia marcado por grande volatilidade com todos os olhos postos no estreito por onde passa 20% do petróleo e gás natural consumido por todo o mundo.
"A questão das reservas de petróleo é mais psicológica do que qualquer outra coisa", explica Mark Malek, diretor de investimentos da Siebert Financial, à Bloomberg. "Mas a psicologia é o mais importante para os mercados neste momento - não apenas para o petróleo bruto, mas também para as ações. Possivelmente ainda mais importante do que bombas ou barris", acrescenta ainda.
Os investidores estão ainda a reagir à nova leitura da inflação nos EUA em fevereiro. O índice de preços no consumidor acabou por ficar inalterado em termos anuais nos 2,4% - ainda um pouco longe da meta de 2% definida pela Reserva Federal (Fed), mas dentro das expectativas. Por sua vez, a inflação subjacente, que exclui os preços de bens de valor volátil, cifrou-se nos 2,5%, o mesmo valor do mês passado. Ainda esta semana vai ser conhecida a evolução do indicador favorito do banco central para medir os preços.
Estes dados não dizem muito ao mercado, até porque todos os olhos continuam na guerra no Irão e nos impactos futuros da escalada dos preços da energia, mas a estabilização da inflação pode ser encarada como positiva. "Pelo menos, ao entrar neste choque dos preços da energia, a inflação parece estar a estabilizar e estamos a ver algumas confirmações de que o efeito das tarifas sobre a inflação está agora a diminuir", afirma Sal Guatieri, economista sénior da BMO Capital Markets, à Bloomberg.
Entre as principais movimentações de mercado, a Oracle dispara 13,67%, depois de ter visto as suas receitas quase duplicarem no ano passado e ter apresentado previsões que indicam que a procura pela infraestrutura de centros de dados não está a abrandar, apesar dos receios dos analistas sobre os investimentos elevados nesta área.
Japão antecipa-se à AIE e vai libertar reservas de petróleo já na próxima semana
O Japão prepara-se para tomar a dianteira na libertação de petróleo das suas reservas estratégicas. Esta quarta-feira, a primeira-ministra nipónica, Sanae Takaichi, anunciou que o país vai começar a introduzir crude no mercado já na próxima semana - sem esperar pela decisão dos membros da Agência Internacional de Energia (AIE), da qual o Japão também faz parte.
Takaichi revela que a utilização das reservas pode acontecer já na segunda-feira. O "stock" de crude japonês é mantido em conjunto pelo setor privado e pelo Estado, correspondendo ao equivalente a 254 dias de consumo da matéria-prima e produtos destilados no país.
O volume a ser libertado ainda não é certo, mas, de acordo com a líder do executivo, deverá corresponder ao consumo de 15 dias na parte gerida pelo setor privado e ao de um mês na parte controlada pelo Estado.
Mais de 90% do petróleo que chega ao Japão é importado de países do Médio Oriente, com a grande maioria a passar pelo estreito de Ormuz - agora praticamente encerrado, devido aos ataques do Irão aos petroleiros que passam por este ponto crítico do comércio global.
Euribor desce a três, a seis e 12 meses
A taxa Euribor desceu esta quarta-feira com força a três, a seis e a 12 meses em relação a terça-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que baixou para 2,122%, continuou abaixo das taxas a seis (2,173%) e a 12 meses (2,369%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, cedeu, ao ser fixada em 2,173%, menos 0,122 pontos do que na terça-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a janeiro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,93% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,78% e 24,98%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor caiu para 2,369%, menos 0,183 pontos do que na terça-feira, quando subiu para um novo máximo desde janeiro de 2025.
No mesmo sentido, a Euribor a três meses desceu ao ser fixada em 2,122%, menos 0,016 pontos do que na terça-feira.
Pessimismo em torno da politica monetária atira Europa para o vermelho. Rheinmetall afunda 5%
Os principais índices europeus estão a negociar em território negativo, com Alemanha e França a liderarem as perdas, num dia em que as declarações de Peter Kazimir, governador do banco central da Eslováquia, estão a aumentar o pessimismo em torno do futuro da política monetária na Zona Euro. O também membro do conselho de governadores da autoridade avisou que uma subida nas taxas de juro pode estar "mais perto do que muitas pessoas pensam".
"Esse é o maior risco, pois quanto mais tempo durar o conflito, maior será o impacto dos preços do petróleo na inflação e, consequentemente, nas taxas", explica Roland Kaloyan, diretor de estratégia de ações europeias do Société Générale. "O Banco Central Europeu e os bancos centrais em geral estão em alerta quanto à inflação, para evitar uma repetição do caso de 2022, quando o pico da inflação foi considerado apenas temporário".
A esta hora, o Stoxx 600 perde 1,08% para 599,56 pontos, afastando-se cada vez mais dos máximos históricos que atingiu antes do estalar do conflito no Médio Oriente. Este movimento anula uma fatia considerável dos movimentos do dia anterior, quando as ações foram impulsionadas pelos comentários de Donald Trump, Presidente dos EUA, de que a guerra com o Irão chegaria ao fim "muito em breve".
A adicionar à incerteza, os preços do petróleo voltaram esta quarta-feira a disparar mais de 5%, mesmo após ter sido noticiado que a Agência Internacional de Energia (AIE) está a propor uma libertação recorde das reservas estratégicas. A Bloomberg avança que os países membros poderão inundar o mercado com 300 a 400 milhões de barris - o dobro do movimento registado com a invasão da Ucrânia de 180 milhões. A decisão será conhecida esta quarta-feira à tarde.
Entre as principais movimentações de mercado, a Rheinmetall afunda 5,14%, depois de ter projetado um crescimento nas receitas de 45% para este ano - um valor que ficou abaixo das expectativas dos analistas. Por sua vez, a Porsche avança 0,53%, apesar de a fabricante de automóveis de luxo ter indicado que espera viver mais um ano de crescimento tímido nas vendas, ao mesmo tempo que enfrenta grandes encargos com o abandono dos projetos elétricos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 1,65%, o espanhol IBEX 35 recua 0,53%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,96%, o neerlandês AEX recua 0,75%, enquanto o francês CAC-40 cede 1.13%, ao passo que o britânico FTSE 100 regista perdas de 1,65%.
Juros disparam na Zona Euro. Investidores voltam a incorporar uma subida nas taxas diretoras
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão, novamente, a disparar esta quarta-feira, pressionados pelas declarações do governador do banco central da Eslováquia, que antecipa uma subida nas taxas diretoras mais cedo que o esperado por "muitas pessoas". As palavras levaram os investidores a voltarem a incorporar um aperto de 25 pontos-base na política monetária por parte do Banco Central Europeu (BCE) este ano - com grande probabilidade de o mesmo chegar em junho.
"Neste momento, precisamos de manter a calma", referiu o membro do conselho de governadores da autoridade monetária da Zona Euro esta terça-feira, mas sublinhando logo de seguida que "uma reação do BCE está potencialmente mais perto do que muitas pessoas pensam". "Não quero especular sobre abril ou junho. Mas vamos estar preparados se for necessário", disse ainda.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aceleram 5,4 pontos-base para 2,886%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade disparam 6,6 pontos para 3,508% e a das obrigações italianas escalam 7 pontos para 3,593%.
Pela Península Ibérica, mantém-se a tendência, com os juros da dívida portuguesa a dez anos a subirem 6,1 pontos-base para 3,285% e os da dívida espanhola a crescerem 6,3 pontos para 3,350%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas também a dez anos registam um agravamento de 7,4 pontos-base para 4,625%.
AIE vai propor utilização de até 400 milhões de barris de reservas de emergência
A Agência Internacional de Energia (AIE) vai propor, nesta quarta-feira, uma utilização de 300 a 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas dos 32 países membros.
A confirmar-se a informação avançada pela agência de notícias Bloomberg, esta seria a maior "libertação" de reservas de emergência de barris de petróleo de sempre, superando em larga escala o movimento feito depois do início da guerra na Ucrânia (de 180 milhões de barris). A decisão final só deverá ser anunciada da parte da tarde.
Já no início da madrugada o jornal The Wall Street Journal noticiava que a AIE preparava-se para fazer a maior libertação de sempre de reservas estratégicas de petróleo.
Nesta quarta-feira de manhã, os países do G7 apoiaram a utilização de reservas estratégicas para mitigar a subida dos preços da energia. "Apoiamos, em princípio, a implementação de medidas proativas para lidar com a situação, incluindo a utilização de reservas estratégicas", declararam os ministros da energia do G7 num comunicado conjunto divulgado esta quarta-feira.
Os 32 países que são membros da AIE têm, no seu conjunto, 1,2 mil milhões de barris de petróleo em reservas de emergência.
Dólar resiste com reservas de petróleo no radar
O dólar está a negociar relativamente estável face aos seus principais rivais esta quarta-feira, embora tenha registado um momento de fraqueza após o Wall Street Journal ter noticiado que a Agência Internacional de Energia (AIE) propôs aos seus países membros uma libertação recorde das reservas de petróleo - superior aos 182 milhões de barris que inundaram o mercado em 2022.
"O dólar americano está ligeiramente em baixa, principalmente porque tem sido negociado como a moeda refúgio por padrão, de modo que qualquer notícia que possa aliviar as preocupações em torno do abastecimento de petróleo terá algum reflexo no dólar", explica Khoon Goh, diretor de "research" no Australia & New Zealand Banking Group, citado pela Bloomberg.
O índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da divisa norte-americana face às suas principais concorrentes - chegou a cair 0,2% nesta sessão, mas, entretanto, reduziu as perdas para apenas 0,04%. Apesar de o estalar do conflito ainda ter dado força à "nota verde", o dólar tem vindo a negociar no vermelho nas três últimas sessões, com Donald Trump, Presidente dos EUA, a sinalizar que quer a guerra a acabar "muito em breve". A esta hora, o euro avança 0,06% para 1,1618 dólares.
Mesmo assim, e com o conflito a entrar no seu décimo segundo dia, existem poucos sinais de que o fim da guerra está para breve. Já por diversas vezes, o líder norte-americano referiu que vai atacar o Irão com ainda mais força nos próximos dias, enquanto Teerão já recusou por várias vezes voltar à mesa de negociação. Na terça-feira, Trump ameaçou o país do Médio Oriente com "consequências militares nunca vistas", após notícias de que o Irão terá começado a colocar minas no estreito de Ormuz.
“Se o Irão colocou quaisquer minas no estreito de Ormuz, e não temos relatos de o tenham feito, queremos que sejam removidas imediatamente. Se por algum motivo foram colocadas minas, e não forem removidas rapidamente, as consequências militares para o Irão serão a um nível nunca visto antes”, escreveu Trump na Truth Social.
Ouro estabiliza próximo dos 5.200 dólares
A onça de ouro está a negociar sem grandes alterações esta quarta-feira, num dia em que a reação dos mercados à guerra no Irão está a ser bastante mais contida do que nas sessões anteriores. Os investidores continuam a olhar atentamente para os desenvolvimentos no Médio Oriente, num dia em que o dólar mostra alguma resiliência e o petróleo voltou aos ganhos - embora não tão expressivos como no arranque da semana.
A esta hora, o metal amarelo avança 0,11% para 5.195,12 dólares por onça, depois de já ter avançado mais de 1% na sessão anterior. Desde o arranque do ano, o ouro já valorizou cerca de 20%, tendo mesmo chegado a ultrapassar a barreira dos 5.600 dólares nos últimos dias de janeiro - antes de cair abruptamente abaixo do nível dos 5 mil dólares, pressionado por uma liquidação quase sem precedentes de posições no mercado dos metais preciosos.
O ouro também não tem reagido com grande estabilidade ao escalar do conflito no Irão. Numa primeira reação ainda chegou a subir, mas o reforço do dólar rapidamente atirou o metal precioso - encarado por muitos investidores como o seu ativo de refúgio predileto - para o vermelho. O ouro acabou ainda por ser utilizado para cobrir perdas noutros ativos, como é o caso das ações.
"O metal sofreu um pouco com o peso da força do dólar americano e a queda das ações dos EUA na semana passada, com o ouro a ser vendido para cobrir chamadas de margem de ações", explica David Wilson, diretor de estratégia de commodities do BNP Paribas, à Bloomberg. "O interesse pelo ouro físico, especialmente na Ásia, serviu de apoio", acrescenta o analista, referindo ainda o impacto da perspetiva de subidas nas taxas de juro para a matéria-prima.
Países do G7 apoiam utilização de reservas estratégicas de petróleo
Os ministros da Energia do G7 admitiram esta quarta-feira utilizar as reservas estratégicas de petróleo para fazer face à volatilidade dos preços da energia provocada pela guerra no Médio Oriente.
Leia mais aqui.
Petróleo mantém-se abaixo dos 90 dólares. Agência Internacional de Energia propõe libertação recorde de reservas
Após uma sessão de grandes alívios, os preços do petróleo estão, de novo, a subir - embora em menor magnitude do que no arranque da semana. O dia começou com subidas para o Brent - o crude de referência para a Europa -, mas a tendência acabou por inverter-se momentaneamente, depois de o Wall Street Journal ter noticiado que a Agência Internacional de Energia (AIE) propôs aos seus 32 membros uma libertação recorde das reservas estratégicas de crude. Agora, está de novo a negociar no verde.
A esta hora, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - acelera 2,53% para 85,56 dólares por barril, enquanto o Brent ganha 2,37% para 89,89 dólares. No arranque da semana, os preços do petróleo quase tocaram os 120 dólares por barril, mas acabaram por cair abaixo da marca dos 90 dólares depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter indicado que o fim da guerra estava para "muito breve".
Caso se confirme, os países que fazem parte desta agência poderão inundar o mercado petrolífero com mais de 182 milhões de barris. O valor corresponde ao volume libertado em 2022, após a invasão da Ucrânia por parte da Rússia, que levou a uma escala nos preços da energia por todo o mundo - semelhante ao que se assiste agora com o estalar do conflito no Médio Oriente. Uma decisão deve chegar ainda esta quarta-feira, diz o jornal norte-americano.
Uma potencial libertação das reservas de petróleo por parte da AIE pode ser encarada como "uma válvula de escape ou como um sinal de alerta", refere Charu Chanana, estratega-chefe de investimentos da Saxo Markets, à Bloomberg. "Pode aumentar temporariamente a oferta e conter o pânico, mas também indica ao mercado que o risco de interrupção é suficientemente grave para justificar medidas de emergência", acrescenta.
O mesmo já tinha acontecido em 2022. Numa reação inicial à entrada de 182 milhões de barris no mercado, os preços do petróleo até acabaram por subir, com os investidores a encararem esta decisão como uma materialização das suas ansiedades em torno do mercado de crude. No entanto, a libertação de reservas acabou por ajudar, mais tarde, os países a conterem a escalada dos preços da energia.
Os investidores tentam ainda decifrar os sinais contraditório vindos por parte de Washington em relação ao estreito de Ormuz. O secretário norte-americano da Energia, Chris Wright, terá publicado por engano, entretanto apagada, uma mensagem a dizer que a Marinha dos EUA escoltou um petroleiro por esta passagem crítica do comércio global. No entanto, momentos mais tarde a Casa Branca admitiu que esta ação não tinha acontecido.
Tecnológicas dão força à Ásia. Europa aponta para perdas com política monetária em foco
As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta quarta-feira maioritariamente em alta, num dia em que os preços do petróleo estabilizaram abaixo dos 90 dólares, depois de o Wall Street Journal ter noticiado que a Agência Internacional de Energia (AIE) propôs aos seus 32 membros a maior libertação de reservas de crude da história. Até agora, o recorde era de 2022, quando os países que fazem parte desta agência libertaram 182 milhões de barris para fazer face à escalada de preços face à invasão da Ucrânia.
"Os mercados continuam nervosos com os desenvolvimentos no Médio Oriente", explica Khoon Goh, diretor de "research" do Australia & New Zealand Banking Group, à Bloomberg. "Por isso, qualquer notícia sobre a libertação de petróleo das reservas estratégicas, seja da AIE, dos EUA ou do G7, proporciona um certo alívio a curto prazo para os mercados petrolíferos", acrescenta ainda.
Pela Europa, e após os grandes ganhos da sessão anterior, é dia de correção, com a negociação de futuros do Euro Stoxx 50 a deslizar quase 0,7%. O sentimento deverá ainda ser pressionado pelas declarações do governador do banco central da Eslováquia, que vê uma "reação do Banco Central Europeu potencialmente mais próxima do que muitas pessoas pensam" - ou seja, uma subida nas taxas de juro para combater o atual disparo nos preços da energia após o estalar do conflito no Irão. O mercado aponta para um aperto da política monetária de 25 pontos base em junho.
Voltando à Ásia, as tecnológicas estiveram em foco, com um índice regional do setor a acelerar mais de 3% esta quarta-feira. As ações receberam impulso dos bons resultados da norte-americana Oracle, já depois de o fecho de Wall Street, com as receitas da empresa quase a duplicarem e as previsões para este ano a indicarem que a procura pela infraestrutura de centros de dados não está a abrandar, apesar dos receios dos analistas sobre os investimentos elevados nesta área.
Entre as principais praças da região, o japonês Nikkei 225 acelerou 1,43% e o sul-coreano Kospi ganhou 1,40%, enquanto o australiano S&P/ASX 200 saltou 0,59%. Pela China, o otimismo do arranque da sessão não conseguiu sobreviver e o Hang Seng, de Hong Kong, acabou com perdas de 0,26%. Já o Shanghai Composite viveu a tendência contrária, acabando a negociação com ganhos de 0,25%.
Apesar da tendência mista desta quarta-feira, o mercado chinês tem enfrentando bastante menos volatilidade do que os seus pares asiáticos desde que o conflito estalou no Irão. O renminbi tem permanecido consideravelmente estável face ao dólar e os juros da dívida soberana pouco mexeram nos últimos doze dias de guerra.
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