Petróleo abaixo dos 90 dólares. Juros disparam com aumento das taxas de juro no horizonte
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quarta-feira.
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Juros disparam na Zona Euro. Investidores voltam a incorporar uma subida nas taxas diretoras
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão, novamente, a disparar esta quarta-feira, pressionados pelas declarações do governador do banco central da Eslováquia, que antecipa uma subida nas taxas diretoras mais cedo que o esperado por "muitas pessoas". As palavras levaram os investidores a voltarem a incorporar um aperto de 25 pontos-base na política monetária por parte do Banco Central Europeu (BCE) este ano - com grande probabilidade de o mesmo chegar em junho.
"Neste momento, precisamos de manter a calma", referiu o membro do conselho de governadores da autoridade monetária da Zona Euro esta terça-feira, mas sublinhando logo de seguida que "uma reação do BCE está potencialmente mais perto do que muitas pessoas pensam". "Não quero especular sobre abril ou junho. Mas vamos estar preparados se for necessário", disse ainda.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aceleram 5,4 pontos-base para 2,886%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade disparam 6,6 pontos para 3,508% e a das obrigações italianas escalam 7 pontos para 3,593%.
Pela Península Ibérica, mantém-se a tendência, com os juros da dívida portuguesa a dez anos a subirem 6,1 pontos-base para 3,285% e os da dívida espanhola a crescerem 6,3 pontos para 3,350%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas também a dez anos registam um agravamento de 7,4 pontos-base para 4,625%.
Dólar resiste com reservas de petróleo no radar
O dólar está a negociar relativamente estável face aos seus principais rivais esta quarta-feira, embora tenha registado um momento de fraqueza após o Wall Street Journal ter noticiado que a Agência Internacional de Energia (AIE) propôs aos seus países membros uma libertação recorde das reservas de petróleo - superior aos 182 milhões de barris que inundaram o mercado em 2022.
"O dólar americano está ligeiramente em baixa, principalmente porque tem sido negociado como a moeda refúgio por padrão, de modo que qualquer notícia que possa aliviar as preocupações em torno do abastecimento de petróleo terá algum reflexo no dólar", explica Khoon Goh, diretor de "research" no Australia & New Zealand Banking Group, citado pela Bloomberg.
O índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da divisa norte-americana face às suas principais concorrentes - chegou a cair 0,2% nesta sessão, mas, entretanto, reduziu as perdas para apenas 0,04%. Apesar de o estalar do conflito ainda ter dado força à "nota verde", o dólar tem vindo a negociar no vermelho nas três últimas sessões, com Donald Trump, Presidente dos EUA, a sinalizar que quer a guerra a acabar "muito em breve". A esta hora, o euro avança 0,06% para 1,1618 dólares.
Mesmo assim, e com o conflito a entrar no seu décimo segundo dia, existem poucos sinais de que o fim da guerra está para breve. Já por diversas vezes, o líder norte-americano referiu que vai atacar o Irão com ainda mais força nos próximos dias, enquanto Teerão já recusou por várias vezes voltar à mesa de negociação. Na terça-feira, Trump ameaçou o país do Médio Oriente com "consequências militares nunca vistas", após notícias de que o Irão terá começado a colocar minas no estreito de Ormuz.
“Se o Irão colocou quaisquer minas no estreito de Ormuz, e não temos relatos de o tenham feito, queremos que sejam removidas imediatamente. Se por algum motivo foram colocadas minas, e não forem removidas rapidamente, as consequências militares para o Irão serão a um nível nunca visto antes”, escreveu Trump na Truth Social.
Ouro estabiliza próximo dos 5.200 dólares
A onça de ouro está a negociar sem grandes alterações esta quarta-feira, num dia em que a reação dos mercados à guerra no Irão está a ser bastante mais contida do que nas sessões anteriores. Os investidores continuam a olhar atentamente para os desenvolvimentos no Médio Oriente, num dia em que o dólar mostra alguma resiliência e o petróleo voltou aos ganhos - embora não tão expressivos como no arranque da semana.
A esta hora, o metal amarelo avança 0,11% para 5.195,12 dólares por onça, depois de já ter avançado mais de 1% na sessão anterior. Desde o arranque do ano, o ouro já valorizou cerca de 20%, tendo mesmo chegado a ultrapassar a barreira dos 5.600 dólares nos últimos dias de janeiro - antes de cair abruptamente abaixo do nível dos 5 mil dólares, pressionado por uma liquidação quase sem precedentes de posições no mercado dos metais preciosos.
O ouro também não tem reagido com grande estabilidade ao escalar do conflito no Irão. Numa primeira reação ainda chegou a subir, mas o reforço do dólar rapidamente atirou o metal precioso - encarado por muitos investidores como o seu ativo de refúgio predileto - para o vermelho. O ouro acabou ainda por ser utilizado para cobrir perdas noutros ativos, como é o caso das ações.
"O metal sofreu um pouco com o peso da força do dólar americano e a queda das ações dos EUA na semana passada, com o ouro a ser vendido para cobrir chamadas de margem de ações", explica David Wilson, diretor de estratégia de commodities do BNP Paribas, à Bloomberg. "O interesse pelo ouro físico, especialmente na Ásia, serviu de apoio", acrescenta o analista, referindo ainda o impacto da perspetiva de subidas nas taxas de juro para a matéria-prima.
Países do G7 apoiam utilização de reservas estratégicas de petróleo
Os ministros da Energia do G7 admitiram esta quarta-feira utilizar as reservas estratégicas de petróleo para fazer face à volatilidade dos preços da energia provocada pela guerra no Médio Oriente.
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Petróleo mantém-se abaixo dos 90 dólares. Agência Internacional de Energia propõe libertação recorde de reservas
Após uma sessão de grandes alívios, os preços do petróleo estão, de novo, a subir - embora em menor magnitude do que no arranque da semana. O dia começou com subidas para o Brent - o crude de referência para a Europa -, mas a tendência acabou por inverter-se momentaneamente, depois de o Wall Street Journal ter noticiado que a Agência Internacional de Energia (AIE) propôs aos seus 32 membros uma libertação recorde das reservas estratégicas de crude. Agora, está de novo a negociar no verde.
A esta hora, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - acelera 2,53% para 85,56 dólares por barril, enquanto o Brent ganha 2,37% para 89,89 dólares. No arranque da semana, os preços do petróleo quase tocaram os 120 dólares por barril, mas acabaram por cair abaixo da marca dos 90 dólares depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter indicado que o fim da guerra estava para "muito breve".
Caso se confirme, os países que fazem parte desta agência poderão inundar o mercado petrolífero com mais de 182 milhões de barris. O valor corresponde ao volume libertado em 2022, após a invasão da Ucrânia por parte da Rússia, que levou a uma escala nos preços da energia por todo o mundo - semelhante ao que se assiste agora com o estalar do conflito no Médio Oriente. Uma decisão deve chegar ainda esta quarta-feira, diz o jornal norte-americano.
Uma potencial libertação das reservas de petróleo por parte da AIE pode ser encarada como "uma válvula de escape ou como um sinal de alerta", refere Charu Chanana, estratega-chefe de investimentos da Saxo Markets, à Bloomberg. "Pode aumentar temporariamente a oferta e conter o pânico, mas também indica ao mercado que o risco de interrupção é suficientemente grave para justificar medidas de emergência", acrescenta.
O mesmo já tinha acontecido em 2022. Numa reação inicial à entrada de 182 milhões de barris no mercado, os preços do petróleo até acabaram por subir, com os investidores a encararem esta decisão como uma materialização das suas ansiedades em torno do mercado de crude. No entanto, a libertação de reservas acabou por ajudar, mais tarde, os países a conterem a escalada dos preços da energia.
Os investidores tentam ainda decifrar os sinais contraditório vindos por parte de Washington em relação ao estreito de Ormuz. O secretário norte-americano da Energia, Chris Wright, terá publicado por engano, entretanto apagada, uma mensagem a dizer que a Marinha dos EUA escoltou um petroleiro por esta passagem crítica do comércio global. No entanto, momentos mais tarde a Casa Branca admitiu que esta ação não tinha acontecido.
Tecnológicas dão força à Ásia. Europa aponta para perdas com política monetária em foco
As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta quarta-feira maioritariamente em alta, num dia em que os preços do petróleo estabilizaram abaixo dos 90 dólares, depois de o Wall Street Journal ter noticiado que a Agência Internacional de Energia (AIE) propôs aos seus 32 membros a maior libertação de reservas de crude da história. Até agora, o recorde era de 2022, quando os países que fazem parte desta agência libertaram 182 milhões de barris para fazer face à escalada de preços face à invasão da Ucrânia.
"Os mercados continuam nervosos com os desenvolvimentos no Médio Oriente", explica Khoon Goh, diretor de "research" do Australia & New Zealand Banking Group, à Bloomberg. "Por isso, qualquer notícia sobre a libertação de petróleo das reservas estratégicas, seja da AIE, dos EUA ou do G7, proporciona um certo alívio a curto prazo para os mercados petrolíferos", acrescenta ainda.
Pela Europa, e após os grandes ganhos da sessão anterior, é dia de correção, com a negociação de futuros do Euro Stoxx 50 a deslizar quase 0,7%. O sentimento deverá ainda ser pressionado pelas declarações do governador do banco central da Eslováquia, que vê uma "reação do Banco Central Europeu potencialmente mais próxima do que muitas pessoas pensam" - ou seja, uma subida nas taxas de juro para combater o atual disparo nos preços da energia após o estalar do conflito no Irão. O mercado aponta para um aperto da política monetária de 25 pontos base em junho.
Voltando à Ásia, as tecnológicas estiveram em foco, com um índice regional do setor a acelerar mais de 3% esta quarta-feira. As ações receberam impulso dos bons resultados da norte-americana Oracle, já depois de o fecho de Wall Street, com as receitas da empresa quase a duplicarem e as previsões para este ano a indicarem que a procura pela infraestrutura de centros de dados não está a abrandar, apesar dos receios dos analistas sobre os investimentos elevados nesta área.
Entre as principais praças da região, o japonês Nikkei 225 acelerou 1,43% e o sul-coreano Kospi ganhou 1,40%, enquanto o australiano S&P/ASX 200 saltou 0,59%. Pela China, o otimismo do arranque da sessão não conseguiu sobreviver e o Hang Seng, de Hong Kong, acabou com perdas de 0,26%. Já o Shanghai Composite viveu a tendência contrária, acabando a negociação com ganhos de 0,25%.
Apesar da tendência mista desta quarta-feira, o mercado chinês tem enfrentando bastante menos volatilidade do que os seus pares asiáticos desde que o conflito estalou no Irão. O renminbi tem permanecido consideravelmente estável face ao dólar e os juros da dívida soberana pouco mexeram nos últimos doze dias de guerra.
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