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Valorização de 516% das ações leva Farfetch a prejuízos de 3,3 mil milhões em 2020

A empresa liderada pelo português José Neves reportou esta quinta-feira à noite, após o fecho de Wall Street, as contas do quarto trimestre e do total de 2020. Os prejuízos deveram-se sobretudo à valorização das ações, que escalaram 516% no ano.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 25 de Fevereiro de 2021 às 21:46
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A retalhista online de moda de luxo liderada pelo português José Neves reportou perdas anuais de 3,3 mil milhões de dólares (9,75 dólares por ação [66 cêntimos por ação numa base ajustada]), contra um prejuízo de 373,6 milhões um ano antes.

 

No quarto trimestre, a Farfetch reportou uma perda de 2,28 mil milhões, quando no período homólogo de 2019 registou um resultado líquido negativo de 110,1 milhões de dólares.

 

A justificar estes prejuízos está, em grande medida (mais de 90%, sendo o resto devido a imparidades), a valorização das ações – que tem de estar refletida na contabilidade por força das obrigações convertíveis com que a empresa se financia e também dos pagamentos baseados em ações (os chamados share-based payments que são atribuídos aos colaboradores).

 

"O prejuízo reportado após impostos de 2,3 mil milhões de dólares no quarto trimestre e de 3,3 mil milhões no ano reflete o impacto não monetário das obrigações convertíveis (convertible notes)", sublinha Elliot Jordan, CFO da empresa.

 

Em 2020, a Farfetch obteve um financiamento de 1,2 mil milhões de dólares a taxas de juros baixas ou inexistentes, através de obrigações convertíveis. "Este financiamento permitiu-nos investir no negócio e executar a nossa visão para a plataforma. Como acontece com qualquer operação de financiamento, fizemos uma avaliação do retorno do investimento e acreditamos que o valor criado por esses investimentos para os acionistas excede em muito o custo para o negócio", acrescenta.

 

Elliot Jordan refere também o facto de o preço das ações da Farfetch ter valorizado "significativamente em 2020". "À medida que a avaliação de mercado da empresa aumenta, também aumenta o valor das obrigações e o custo a elas associado, ainda que numa fração reduzida comparativamente com a valorização no mercado. O contrário seria igualmente verdade - uma desvalorização do valor das ações representaria uma redução do valor das obrigações convertíveis".

Receitas aumentam e há lucros ao nível do EBITDA

 

Já as receitas da empresa foram de 1,67 mil milhões em 2020, um aumento de 64% face aos 1,02 mil milhões de 2019. No quarto trimestre ascenderam a 540,1 milhões, mais 41% do que os 383,2 milhões obtidos entre outubro de dezembro do ano precedente.

 

Outro destaque positivo do último trimestre de 2020 está no facto de a empresa ter atingido lucros ao nível do EBITDA ajustado pela primeira vez.

"Estamos muito satisfeitos com o desempenho financeiro da Farfetch no último ano. E a valorização do preço das ações, ao longo do último ano, demonstra que a empresa potenciou uma significativa criação de valor para os detentores de obrigações convertíveis, bem como para os nossos acionistas", refere Elliot Jordan.

José Neves salientou, nesta apresentação das contas, que 2020 pôs a plataforma da Farfetch à prova mas que, "graças às nossas robustas capacidades, às operações resilientes e à máxima perseverança dos mais de 5.000 Farfetchers, estivemos à altura do desafio, permitindo que os nossos perto de 1.400 vendedores do Marketplace e clientes das Soluções da Plataforma Farfetch sirvam continuamente milhões de consumidores do segmento do luxo em todo o mundo".

Com a entrada em 2021, o fundador, CEO e chairman da Farfetch diz sentir mais energia do que nunca "com a perspetiva de alavancarmos as incríveis conquistas alcançadas até agora e as capacidades únicas da plataforma para irmos atrás de significativas oportunidades de crrescimento que vemos na nossa meta de sermos um possibilitador digital que liga os criadores, curadores e consumidores da indústria mundial do luxo, tanto online como offline – uma oportunidade de aproximadamente 300 mil milhões de dólares".

 

As ações da empresa, sediada em Londres e cotada desde setembro de 2018 na bolsa de Nova Iorque, dispararam 516,5% em 2020, tendo arrancado o ano a valer 11,11 dólares e encerrado nos 63,81 dólares – e tendo chegado a negociar na casa dos 70 dólares.

Agora, os títulos seguem a recuar 7,87% para 58,79 dólares no "after hours" do mercado nova-iorquino.


(notícia atualizada às 21:57)

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