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Vasco de Mello: "Queremos que PME sejam grandes e as grandes empresas sejam globais"

O presidente da recém-criada Associação Business Roundtable Portugal defende que Portugal tem de regressar ao top 15 dos países europeus em riqueza per capita, o que o obriga a "crescer muito mais do que nas últimas duas décadas".

Maria João Babo mbabo@negocios.pt 22 de Junho de 2021 às 11:26
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Vasco de Mello, presidente da Associação Business Roundtable Portugal (BRP), lançada publicamente esta terça-feira, considera que o país tem de crescer "muito mais do que tem crescido" e ambicionar "regressar ao top 15 europeu em riqueza per capita". Um objetivo que entende que só pode ser conseguido através da qualificação dos portugueses, de ganhos de escala das empresas e com o Estado a ser um facilitador da atividade económica e de criação de riqueza para a sociedade.

Apresentada esta terça-feira, a nova associação, que tem Cláudia Azevedo, da Sonae, e António Rios de Amorim, da Corticeira Amorim, como vice-presidentes, reúne 42 líderes das maiores empresas privadas a operar no país, "preocupados com a falta de crescimento do país".

Vasco de Mello explicou que o atual momento, em que a pandemia irá ter consequências sociais e económicas com repercussões nos próximos anos, motivou esses empresários e gestores a criarem esta nova associação que pretende contribuir para traçar um rumo do país para as próximas décadas.

"Queremos um Portugal que cresça muito mais, onde as PME ambicionem a ser grandes e as grandes empresas a ser globais", afirmou o primeiro presidente da recém-criada associação, que conta na direção com um total de 9 membros, assumindo os cargos de vogal Fernando da Cunha Guedes (Sogrape), Guy Villax (Hovione), João Castello-Branco (Semapa), Nuno Amado (BCP), Paulo Rosado (Outsystems) e Sandra Santos (BA Glass). Pedro Ginjeira do Nascimento assumirá o cargo de secretário-geral a 1 de julho. Os mandatos serão de três anos e rotativos. 

Segundo Vasco de Mello, as 42 empresas que integram a BRP tiveram em 2020 receitas acumuladas de 82 mil milhões de euros, dos quais mais de 45 mil milhões foram obtidas fora de Portugal via exportações ou investimentos diretos, empregam mais de 382 mil trabalhadores, dos quais 207 mil em Portugal, pagam um salário médio "que é cerca de duas vezes o salário médio" pago pelo setor privado, e investiram mais de 6,8 mil milhões de euros.

Entre as associadas constam, além das que estão representadas na direção, empresas como a Galp, CTT, Altri ou CIN.


Vasco de Mello sublinhou que o processo de criação da associação começou há vários meses, realçando que a BRP tem "um caráter multifacetado, independente e apolítico".


O responsável explicou que a associação irá trabalhar também com grupos de trabalho que irão elaborar recomendações sobre os temas considerados críticos. Em seu entender, o diagnóstico aos problemas da economia portuguesa está feito, pretendendo a BRP "aproveitar o trabalho já desenvolvido" e "equilibrar o rigor do trabalho académico com o pragmatismo do mundo dos negócios".

"Acreditamos que é nossa responsabilidade contribuir ativamente para o desenvolvimento do país", sublinhou, garantindo que a associação irá desenhar "propostas a pensar em Portugal e não nas empresas dos associados".


São três as macro-áreas de trabalho da nova entidade: as pessoas, com o foco na qualificação; as empresas, com o foco na revitalização do tecido empresarial, criando empresas mais competitivas, inovadoras e com maior escala; e o Estado, enquanto promotor e dinamizador da criação de riqueza para a sociedade.


É que "sem pessoas qualificadas não há empresas fortes, sem empresas mais fortes não há mais riqueza e qualidade de vida, e sem politicas públicas adequadas não há maior qualificação das pessoas  nem empresas mais fortes", disse.

Pessoas, empresas e Estado

Na apresentação da associação, Cláudia Azevedo, vice-presidente da BRP, salientou que Portugal está na cauda da Europa em termos de formação, defendendo que não é com politicas do passado "que isto vai mudar".  Já sobre quem está no mercado de trabalho alertou que será preciso até 2030 "requalificar 1,1 milhões de portugueses".

Já António Amorim, também vice-presidente da nova associação, salientou, relativamente aos problemas identificados no tecido empresarial português, que faltam no país empresas grandes. "Portugal está atrasado na dimensão das empresas, que é um dos fatores mais determinantes para podermos crescer a um ritmo mais acelerado", disse, apontando ainda desafios como a baixa produtividade, a falta de escala, a fraca autonomia financeira e o défice de investimento em I&D.

Já sobre o papel do Estado, Vasco de Mello frisou que "o Estado tem de ser parte da solução", defendendo um Estado que "garanta um sistema judicial justo, eficiente e simples, que combata a burocracia e a complexidade desnecessária, que simplifica processos e garante a transparência, capaz de garantir a previsibilidade fiscal, rapidez e simplicidade na relação com cidadãos e empresas, exigente com os seus serviços, preocupado com sucesso de empresas e cidadãos, e capaz de transmitir confiança que tanta falta faz aos investidores portugueses e internacionais".

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