EDP avança para tribunal para contestar corte de 102 milhões nas rendas de energia

"Esgotada a via administrativa e no termo do prazo legal previsto, a EDP decidiu contestar judicialmente o valor" do corte, defende a EDP.
Mafalda Santos
pub
Negócios com Lusa 04 de setembro de 2018 às 18:40

A EDP vai contestar judicialmente o valor da revisibilidade final dos Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC) no valor de 154 milhões de euros, um valor 102 milhões inferior ao que foi apurado pela eléctrica liderada por António Mexia (256 milhões de euros).

Fonte oficial da eléctrica justifica a decisão garantindo que "o cálculo do preço a que foram estimadas as receitas futuras das centrais CMEC não obedece à metodologia estabelecida legalmente, tal como a EDP tem vindo a defender desde que o valor foi apurado".

Além disso, refere o grupo, "não foi considerada a recuperação dos custos incorridos por estas centrais com a tarifa social e a CESE [Contribuição Especial do Setor Energético], ao contrário do que a lei e os contratos prevêem. A EDP já tem, aliás, vindo a contestar a não consideração destes valores nas revisibilidades anuais desde 2011".
Em comunicado, o gabinete do secretário de Estado da Energia salienta que "a decisão do Governo de homologação do ajustamento final dos CMEC resultou de uma proposta do regulador ERSE e permitiu uma poupança nos CMEC de cerca de 40% do valor pretendido pela EDP".
A tutela diz ainda que a decisão "assentou, pela primeira vez, numa proposta da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) e não, como sucedia anteriormente, numa proposta da própria empresa, no âmbito de um grupo de trabalho constituído apenas pela própria empresa e pela Concessionária da Rede Nacional de Transporte (RNT)".
A EDP, por sua vez, salienta ainda que "permanece empenhada em procurar as melhores soluções para o setor energético, sem prejuízo da defesa dos seus direitos". A ação administrativa decorre no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, sendo que o requerido é o Ministério da Economia.
O Governo garante que está a atuar no "mais rigoroso cumprimento da lei, nas suas várias vertentes, seguindo, aliás, o entendimento manifestado pelo Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR), em pareceres emitidos recentemente". Para a tutela, "a decisão de homologação respeitou integralmente os direitos contratuais da empresa, salvaguardando, como não podia deixar de ser, os interesses dos consumidores portugueses."

O Expresso também avançou com a notícia  que a EDP reclama ter direito a mais 100 milhões de euros do que o montante aprovado pelo Governo. "Esgotada a via administrativa e no termo do prazo legal previsto, a EDP decidiu contestar judicialmente o valor da revisibilidade final", adiantou ao Expresso fonte oficial da EDP.

Em causa está um diferendo que se vem arrastando há vários meses entre a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) e o grupo de trabalho constituído pela REN - Redes Energéticas Nacionais e pela EDP Produção. A primeira entidade chegou a um valor de 154,1 milhões de euros a serem pagos pela parcela final dos CMEC (2017-2027), ou seja, menos 102 milhões de euros do que pediam as duas empresas. Em Abril, o Governo homologou as contas da ERSE, dando na prática "luz verde" ao montante apurado pelo regulador.

pub

Os CMEC são uma compensação relativa à cessação antecipada dos CAE, o que aconteceu na sequência da transposição de legislação europeia no final de 2004, tendo depois sido revistos em 2007. Ainda assim, mantiveram-se dois CAE - Turbogás e Tejo Energia -, que são geridos pela REN Trading.

São actualmente abrangidos pelo regime dos CMEC 16 centrais hídricas da EDP, cujos contratos terminarão faseadamente até 2027 (Alto Lindoso, Touvedo, Venda Nova, Vilarinho das Furnas, Pocinho, Valeira, Vilar-Tabuaço, Régua, Carrapatelo, Torrão, Crestuma-Lever, Caldeirão, Aguieira, Raiva, Pracana, Fratel).

pub