AIE admite fazer nova libertação de reservas de petróleo. Crise já supera choque de 1973
Nas reservas estratégicas dos países ainda existem 1,4 mil milhões de barris de petróleo. Mesmo que estreito de Ormuz retome operações amanhã, efeitos vão demorar tempo até serem sentidos por completo.
O presidente executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, admitiu nesta segunda-feira que o organismo pode voltar a disponibilizar reservas estratégicas de petróleo dos seus estados membros, "se e quando necessário".
"Espero que a situação seja resolvida rapidamente para que os mercados possam começar a recuperar. Mas também temos de estar preparados caso continue por mais tempo", afirmou.
Numa declaração pública feita ao início da tarde desta segunda-feira, Fatih Birol fez um ponto de situação sobre o estado do mercado energético a propósito do conflito no Médio Oriente, que diminuiu significativamente não só a produção de petróleo, bem como a sua exportação, devido à paralisação do estreito de Ormuz.
O presidente da AIE voltou a frisar uma ideia já veiculada na semana passada, que o conflito no Médio Oriente "está a criar a maior perturbação de abastecimento na história do mercado petrolífero mundial". E desta vez foi mais longe: "O volume da oferta de petróleo fora do mercado já é superior ao volume de petróleo que foi retirado do mercado durante o choque petrolífero de 1973".
O líder da AIE relembrou depois a ação de libertar até 400 milhões de barris de petróleo por parte dos estados membros, tomada pela AIE, que já ajudou os preços do petróleo a descerem quando comparados com os preços de há uma semana. Mas deixou o aviso: "O mais importante é o retomar da navegação no Estreito de Ormuz".
Fatih Birol sublinhou que sobretudo os países da Ásia, com destaque para os do sul e sudeste, são os que já estão a sentir o maior impacto das disrupções no mercado petrolífero e de gás natural. E os próprios países do Médio Oriente, como o Iraque, estão a ser privados da sua principal fonte de receitas fiscais, acrescentou. "Estamos a coordenar com os membros que os barris de petróleo cheguem ao mercado de forma atempada", analisou o presidente da AIE.
Os países asiáticos vão libertar 100 milhões de barris de petróleo, os europeus outros 100 milhões e os americanos outros 170 milhões de barris, mais 20 milhões de barris de produção adicional.
Esta libertação de petróleo corresponde a cerca de 20% das reservas estratégicas dos 32 países da AIE. E segundo Fatih Birol, ainda existem mais 1,4 mil milhões de barris disponíveis nestas reservas caso seja necessário atuar novamente.
"Mesmo que Ormuz abra amanhã, ainda demoraria tempo até que o comércio global de energia recupere. A AIE vai continuar a trabalhar em proximidade com os governos para encontrar respostas para as disrupções que estamos a assistir".
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