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Lucros da EDP recuam 4% até Setembro

A pesar nas contas da eléctrica estiveram o aumento dos custos financeiros, a seca e a falta de vento, e o impacto cambial. Pela positiva, aumentaram as receitas da EDP Brasil e da EDP Renováveis. Os analistas estimavam uma queda mais acentuada.

Miguel Baltazar
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 29 de Outubro de 2015 às 16:49
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Os lucros da EDP recuaram 4% para 736 milhões de euros nos primeiros nove meses face ao período homólogo, de acordo com o comunicado da empresa à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários. A pesar negativamente nas contas da energética está o aumento dos custos financeiros, a seca e a falta de vento em vários mercados e a apreciação do dólar.

É de sublinhar que os custos financeiros líquidos subiram 38% para 626 milhões de euros. Já os juros financeiros pagos subiram 3% devido ao impacto da apreciação do dólar face ao euro.

A eléctrica aponta que o EBITDA dos primeiros nove meses foi influenciado negativamente por "condições atmosféricas excepcionalmente adversas em diferentes geografias", como no Brasil e Portugal.

No Brasil, a "intensificação da seca nos nove meses traduziu-se num défice de geração hídrica de 18%". Contudo, a companhia destaca que as "medidas tomadas até ao momento e alguma amenização da seca permitiram uma redução do impacto negativo".

Olhando para Portugal, a "hidraulicidade ficou 22% aquém da média histórica, o que compara com uma hidraulicidade 33% acima da média nos nove meses homólogos".

Já o impacto cambial negativo foi de 23 milhões de euros, menos 1% do EBITDA, "reflexo da depreciação do real em 12% e da apreciação do dólar em 21%, ambos face ao euro".

Destaque para o contributo positivo da EDP Brasil cujas receitas aumentaram 90% para 163 milhões de euros. Já a EDP Renováveis contribuiu com 69 milhões de euros para as contas da EDP, mais 36% face a 2014.

Este resultado ficou acima do esperado pelos analistas consultados pela Reuters que previam um recuo de 11% para 685 milhões de euros.

O EBITDA (resultados antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) do grupo EDP subiu 10% para 2.991 milhões de euros. A impactar positivamente este indicador estiveram os 295 milhões da compra a desconto de 50% de Pecém I no segundo trimestre.

Ao mesmo tempo, os cofres da eléctrica beneficiaram da entrada de 89 milhões de euros devido à venda de activos de gás em Espanha no primeiro semestre. Já a EDP Renováveis contribuiu com 40 milhões de euros no terceiro trimestre. É de destacar também o impacto positivo da venda de 50% das hídricas no Brasil de Jari/Cachoeira-Caldeirão e mais 129 milhões de euros ganhos devido ao fechar do novo acordo colectivo de trabalho (ACT).

Olhando para a EDP Renováveis, o EBTIDA cresceu 22% para 782 milhões de euros nos nove meses, devido ao aumento de 8% da capacidade instalada, os melhores preços de venda em Espanha e nos Estados Unidos, do impacto favorável da apreciação do dólar face ao euro.

A EDP Brasil, por seu turno, registou um crescimento do EBITDA em 75% para 655 milhões, beneficiando do ganho resultante da aquisição de 50% de Pecém I. A situação de seca no Brasil pesou nas contas da EDP, com um impacto negativo de 89 milhões. Já a depreciação do real face ao euro cortou 70 milhões de euros nos primeiros nove meses.

Analisando a dívida líquida, a mesma cresceu 300 milhões para 17,3 mil milhões de euros nos primeiros nove meses, com o efeito da aquisição de Pecém I a ser "largamente compensado" pela venda de activos de gás em Espanha.

A energética presidida por António Mexia destaca que a posição de liquidez financeira (o dinheiro em caixa e as linhas de crédito disponíveis) ascende a 5.100 milhões de euros, "cobrindo as necessidades de refinanciamento da EDP até ao final de 2017".

(Notícia actualizada às 17h35)
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