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Costa Silva pode "ressuscitar" interesse em explorar reservas de gás offshore no Algarve

Costa e Silva diz que Portugal já podia ter um importante hub de gás natural no Algarve e estar a produzir este combustível que neste momento escasseia na Europa. Se surgirem interessados, o ministro não se opõe.

António Cotrim
Bárbara Silva barbarasilva@negocios.pt 12 de Maio de 2022 às 17:21
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O ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, disse esta quinta-feira no Parlamento que Portugal já podia ter hoje em dia um importante hub de gás natural no Algarve e estar a produzir este combustível que neste momento escasseia na Europa, face à ameaça da Rússia de cortar os fornecimentos aos países da União Europeia que dele dependem quase em exclusivo. 

Confrontado pelos deputados do PSD com as declarações feitas em 2018, quando era CEO da petrolífera Partex (detida pela Gulbenkian e depois vendida a acionistas tailandeses) e disse que "já não valia a pena investir mais em Portugal", Costa Silva justificou que o disse tendo em conta os entraves e impedimentos que a empresa que liderava encontrou por parte do Governo nessa altura quando quis explorar o gás offshore no Algarve.

"Ao largo da costa algarvia tenho reservas enormes de gás, mas não foi possível avançar, daí eu dizer que não valia a pena investir", disse o ministro, sublinhando: "Se hoje existirem empresas interessadas em investir nessas reservas e se vieram ter comigo, eu não terei reservas. Eu não penso fora da caixa. Eu não tenho qualquer caixa". 

No netanto, o ministro garantiu que ainda não há qualquer projeto de mineração profunda no mar. 

Costa Silva foi ouvido esta quinta feira em audição conjunta pela Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação e a Comissão de Agricultura e Pescas, no âmbito da apreciação, na especialidade, do Orçamento do Estado para 2022.

Há quatro anos, quando comandava os destinos da Partex, o agora ministro da Economia afirmou que a sua empresa tinha acabado de decidir deixar de investir em Portugal e que não iria contestar a rescisão dos contratos com o Governo para exploração e prospeção de petróleo.

"Nós, pura e simplesmente, decidimos não investir mais em Portugal, não vale a pena. Apostámos no projeto do Algarve porque existia um Governo em que o ministro Álvaro Santos Pereira, que foi muito criticado, tinha a preocupação de desenvolver os recursos naturais e percebeu que o país precisava de uma onda de reindustrialização e que isso criaria riqueza e emprego", disse.

E justificou: "quando mudou o Governo, passámos para o ciclo oposto, que é governar em função do que dizem os autarcas e a opinião pública, sem haver uma visão clara da importância que o projeto Algarve poderia ter", disse.

Segundo o responsável, o projeto [do Algarve] era "plausível e executável", tendo sido feitas campanhas sísmicas. Adianta também que fechou os projetos em Peniche e no Alentejo.

No entender do então presidente da Partex, "uma política que hostiliza as empresas e o lucro não cria condições amigas do investimento e do desenvolvimento do país".
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