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Covid-19 e descida do petróleo impõem queda de 72% nos lucros da Galp

As restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus e a forte quebra dos preços do petróleo levaram a uma descida de 72% nos lucros da petrolífera portuguesa.

A Galp, liderada por Carlos Gomes da Silva,   é a empresa com maior ponderação no PSI-20, com um peso superior a 12%.
Miguel Baltazar
Rita Faria afaria@negocios.pt 27 de Abril de 2020 às 07:35
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A Galp Energia fechou o primeiro trimestre deste ano com lucros de 29 milhões de euros, o que traduz uma quebra de 72% face ao resultado líquido registado no mesmo período do ano passado.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa justifica este resultado com a "adversidade das condições de mercado" que levaram ao registo de um prejuízo de 257 milhões de euros, segundo as normas contabilísticas internacionais (IFRS), em resultado do reconhecimento da desvalorização do inventário da Galp em 278 milhões devido à queda das cotações dos produtos.

Entre janeiro e março, o capex ficou em linha com o período homólogo, nos 144 milhões de euros, enquanto a dívida líquida aumentou em 61 milhões para 1,496 mil milhões de euros. O EBITDA caiu para 469 milhões de euros.

"Os resultados operacionais da Galp no primeiro trimestre de 2020 caíram 5% face ao período homólogo devido à contração provocada pela pandemia do COVID-19 e às medidas de confinamento na Península Ibérica, que fizeram cair o preço do petróleo e provocaram quedas acentuadas na procura de energia por parte das empresas e dos consumidores", explica a empresa em comunicado.

O maior contributo para a queda do EBITDA veio da área de exploração e produção onde a quebra foi de 24% para 286 milhões de euros. A produção de petróleo e gás natural até subiu 17%, mas os resultados acabaram por ser penalizados pela forte queda nos preços do petróleo.  

Já na área da refinação, o EBITDA melhorou em 90 milhões de euros em relação ao primeiro trimestre de 2019, que havia sido marcado por restrições operacionais no sistema refinador da Galp. "As matérias-primas processadas aumentaram 18% e as vendas de produtos petrolíferos aumentaram 13%, beneficiando de um aumento das exportações. As margens de refinação caíram cerca de 19% em relação ao ano anterior, em parte devido aos trabalhos de manutenção programada no hidrocracker da refinaria de Sines", detalha a empresa.

Na área de Gas & Power, as vendas de gás natural também caíram, "com a atividade de trading a refletir a deterioração das condições do mercado, enquanto as vendas de eletricidade permaneceram estáveis", informa a Galp.

Galp corta despesa em 500 milhões ao ano até 2021

Na sequência da forte descida global da procura, decorrente das restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus, a Galp decidiu reduzir o investimento e despesas operacionais em mais de 500 milhões de euros por ano em 2020 e 2021.

No comunicado, a empresa informa que neste período "o investimento líquido irá situar-se entre 500 milhões e 700 milhões de euros, valores que poderão ser ajustados conforme a evolução das condições do mercado".

"A flexibilidade do portefólio de ativos e projetos da Galp permitiu que a empresa tenha respondido de forma ágil para salvaguardar a sua resiliência no ambiente de mercado atual essencialmente através da recalendarização de projetos de expansão", refere a empresa, acrescentando que algumas das iniciativas para o corte de custos já estão em vigor, enquanto outras serão implementadas conforme necessário.

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