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E-Redes afasta falha na distribuição no apagão. Reposição condicionada pela REN

Presidente do conselho de administração da E-Redes afirma que o 'blackout' de 28 de abril teve origem a montante, sublinha ativação imediata dos planos de crise e garante que 95% dos clientes tinham eletricidade no final do próprio dia.

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eletricidade Nuno André Ferreira
07 de Janeiro de 2026 às 15:40

O apagão, que afetou Portugal a 28 de abril, teve origem numa falha no abastecimento da rede de transporte à rede de distribuição e não num problema na infraestrutura da E-Redes, afirmou José Ferrari Careto, presidente do conselho de administração da empresa distribuidora de energia elétrica em Portugal continental.

Durante uma audição na Comissão de Ambiente e Energia, no âmbito do grupo de trabalho criado para analisar o incidente, a distribuidora detetou às 11h33 a perda total de alimentação proveniente da rede de transporte, o que levou à interrupção generalizada do fornecimento de eletricidade a cerca de 6,5 milhões de clientes.

 “Quando não há energia a montante, a qualidade da rede de distribuição deixa de ser relevante”, afirmou aos deputados, sublinhando que a E-Redes ficou impossibilitada de abastecer os consumidores enquanto não voltou a existir energia disponível no sistema.

Perante a falha, a empresa ativou de imediato o Plano Operacional de Atuação em Crise, um mecanismo usado regularmente em situações extremas, como tempestades severas ou grandes incêndios, e iniciou a articulação com a REN e com as autoridades de proteção civil. 

Ferrari Careto explicou que a reposição do serviço teve de ser feita de forma gradual, em função da energia libertada pela rede de transporte, uma vez que produção e consumo têm de estar permanentemente equilibrados. A empresa mobilizou cerca de 600 técnicos no terreno e recorreu extensivamente ao telecomando de subestações, suportado pela sua rede própria de fibra ótica, evitando deslocações físicas a centenas de instalações.

 Ao final do dia, já 95% dos clientes já tinham eletricidade, apontou Ferrari Careto, tendo o restabelecimento total ocorrido por volta das 3h00 da madrugada seguinte. O responsável rejeitou a ideia de que o país tenha estado 36 horas sem eletricidade, considerando que, à escala e complexidade do sistema, a recuperação foi rápida.

Na audição, o presidente da E-Redes defendeu ainda que o plano de investimento na rede de distribuição, associado à transição energética, à integração de renováveis e ao crescimento da mobilidade elétrica, não deve ser confundido com o apagão. Portugal dispõe atualmente de cerca de 240 mil quilómetros de rede de distribuição e tem 100% dos pontos de consumo equipados com contadores inteligentes desde novembro de 2024, um nível de digitalização pouco comum na Europa, concluiu.

O apagão que deixou Portugal e Espanha às escuras a 28 de abril foi classificado por peritos da Rede Europeia de Operadores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E) como o mais severo registado na Europa nas últimas duas décadas, sendo descrito como um evento raro, provocado por uma cascata de sobretensões que se propagou rapidamente pela Península Ibérica,  deixando sem eletricidade Portugal e Espanha durante grande parte do dia e levando ao colapso das comunicações e à interrupção de serviços essenciais como transportes ou pagamentos.

Para garantir a resiliência da rede energética nacional e robustecer a capacidade de resposta das infraestruturas críticas, o Governo  aprovou, em julho, um .

Entre as medidas, está a duplicação das centrais a prestar o serviço de arranque autónomo do sistema (blackstart), somando as centrais de Baixo Sabor e do Alqueva às da Tapada do Outeiro e de Castelo de Bode e o lançamento de um leilão de 750 megavolt-ampere (MVA) de sistema com base em armazenamento de baterias.

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