EDP prevê investir 1,56 mil milhões no Brasil até 2028
A EDP opera atualmente cerca de 3,5 gigawatts de capacidade instalada no Brasil, incluindo centrais hídricas, solares e eólicas.
A EDP Brasil prevê investir 9 mil milhões de reais (cerca de 1,56 mil milhões de euros) entre 2026 e 2028 no país, com foco em transmissão e distribuição de energia.
Em entrevista exclusiva à Lusa, o presidente da EDP na América do Sul, João Brito Martins, afirmou que do total previsto para o período, 3,7 mil milhões de reais (cerca de 641 milhões de euros) serão destinados à transmissão de energia.
Enquanto o restante, adiantou, será aplicado nas concessões de distribuição nos estados de São Paulo e do Espírito Santo.
A renovação da concessão em São Paulo por mais 30 anos, realizada na sexta-feira, ocorre após a empresa ter renovado, em julho de 2025, a operação no Espírito Santo, tornando-se a primeira companhia a concluir o processo na atual leilão de renovações do setor elétrico brasileiro.
A EDP abastece atualmente cerca de quatro milhões de clientes no Brasil, sendo 2,2 milhões em São Paulo e 1,8 milhões no Espírito Santo, além de atuar em geração renovável, transmissão e comercialização de energia em diversos estados brasileiros.
"Através das nossas centrais, das nossas linhas de transmissão, da comercialização de energia, servimos muito mais clientes, mas não de forma direta, de forma de forma indireta", pontua João Brito Martins ao destacar que a companhia está presente em quase todos os estados brasileiros.
A EDP opera atualmente cerca de 3,5 gigawatts de capacidade instalada no Brasil, incluindo centrais hídricas, solares e eólicas, além de aproximadamente 3 mil quilómetros de linhas de transmissão, metade já em operação e metade em construção.
O executivo da elétrica portuguesa classificou o Brasil como um "mercado muito importante" para o grupo e afirmou que o país é hoje a base das operações da EDP na América do Sul, incluindo ativos no Chile.
Segundo João Brito Martins, a EDP acompanha com atenção o avanço do mercado de armazenamento de energia por baterias, considerado uma das principais tendências globais do setor elétrico.
A EDP iniciou na semana passada uma operação em teste de um sistema de baterias associado a um parque eólico no Chile de 80 megawatts, classificado pelo CEO da companhia como mais um momento importante da empresa.
"É o primeiro projeto de baterias em escala que temos na região e que começou a operação em teste. Esperamos brevemente entrar a operação comercial total", descreveu.
"O Brasil é uma referência positiva em termos de estrutura e modelo regulatório no mundo", afirmou, ao defender que o país possui um sistema previsível e com incentivos adequados para investimentos privados no setor elétrico.
Apesar disso, o responsável alertou para desafios provocados pelo crescimento acelerado da geração renovável distribuída, que tem levado a excedentes de produção de energia em determinados períodos do dia - daí a importância das baterias elétricas.
Segundo o executivo, o Brasil enfrenta atualmente cortes de geração renovável, conhecidos no setor pela palavra inglês "curtailment" (corte de geração), devido ao excesso de oferta de energia em relação ao consumo em algumas horas.
"Portanto, esse 'curtailment' tem estado a impactar, porque no ano passado foi na ordem dos 20% no caso do Brasil. E isso acaba por nos criar uma perda financeira grande do lado da nossa geração renovável", explicou.
O gestor afirmou ainda que a empresa aguarda a publicação do edital do primeiro leilão brasileiro de baterias, atualmente em discussão pelo governo federal.
"Esperemos que aconteça ainda neste ano e entendemos que ele é crítico quer para a segurança do sistema, quer para minimizar o efeito de 'curtailment', de corte de energia" sublinhou.
Para o executivo, a expansão das linhas de transmissão e a implementação de sistemas de armazenamento por baterias são fundamentais para reduzir o desperdício de energia e reforçar a segurança do sistema elétrico brasileiro.
"Portanto, eu diria que são os dois principais temas que temos hoje aqui que precisam de algum aprimoramento da regulação", completou João Brito Martins.