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Irmãos Karmali instalam 257 oleões inteligentes no planalto beirão

A iniciativa da portuguesa Hardlevel, líder na gestão e pré-tratamento de óleos alimentares usados no nosso país, que é detida por dois irmãos de ascendência indiana, vai servir uma população de 345 mil habitantes de 19 concelhos da região.

A Hardlevel, com sede em Gaia, é detida pelos irmãos Salim e Karim Karmali. Paulo Duarte
Rui Neves ruineves@negocios.pt 29 de Julho de 2020 às 12:24
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Dotada de uma rede de 1.250 oleões contratualizados com mais de 50 municípios, tendo em 2019 produzido e fornecido cerca de 80 mil toneladas de óleos alimentares usados, depois de devidamente tratados, a refinarias de biocombustíveis, como a Prio e a Galp, a Hardlevel soma e segue.

Apresentando-se como líder em Portugal e um dos principais operadores europeus do setor, estabeleceu uma parceria com a Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão (AMRPB), estando agora a proceder à instalação de um total de 257 oleões inteligentes nos 19 municípios que compõem esta região.

Uma iniciativa que vai servir uma população de 345 mil habitantes e ajudar a evitar que os óleos alimentares usados sejam erradamente depositados no esgoto urbano, afetando o funcionamento das ETAR’s municipais.

"Até ao momento foram já instalados mais de 120 oleões, numa operação que ficará concluída durante a primeira quinzena do próximo mês de setembro e cujo valor do investimento, para a Hardlevel, ascende aos 200 mil euros", avança a empresa, em comunicado.

Em causa está a instalação de oleões inteligentes nos municípios de Aguiar da Beira, Carregal do Sal, Castro Daire, Gouveia, Mangualde, Mortágua, Nelas, Oliveira de Frades, Oliveira do Hospital, Penalva do Castelo, Santa Comba Dão, São Pedro do Sul, Sátão, Seia, Tábua, Tondela, Vila Nova de Paiva, Viseu e Vouzela.

"Estes 257 oleões inteligentes serão incluídos na Rede Nacional de Oleões, que criámos em 2017 e é a primeira rede organizada de recolha de Óleos Alimentares Usados em Portugal, contando atualmente com mais de 1.500 oleões contratualizados por todo o país, distribuídos por 55 municípios, retalhistas e superfícies comerciais da Sonae e Intermarché, e postos de abastecimento de combustível", refere Salim Karmali, empresário português de ascendência indiana que, juntamente com o seu irmão Karim, são donos da Hardlevel.

Para Mário de Almeida Loureiro, presidente do Conselho Executivo da AMRPB, entidade gestora de resíduos sólidos urbanos, "este projeto pretende criar uma alternativa ambientalmente adequada para a deposição destes resíduos produzidos por produtores domésticos", destacando tratar-se de uma iniciativa que permite "não só dar cumprimento à legislação em vigor no que respeita à gestão de óleos alimentares usados, mas também evitar que estes sejam erradamente depositados no esgoto urbano, afetando o normal funcionamento das ETAR municipais, gerando custos extraordinários para os municípios".

Óleos  na "palma da mão" e que podem ser trocados por prémios
De acordo com a descrição da Hardlevel, estes óleos, designado por Smart S+, estão equipados com sonar e com dispositivos IoT ("Internet of Things") que permitem a rastreabilização dos depósitos de forma individual e/ou por agregado familiar.

"Em simultâneo, os munícipes, por via de uma app, poderão aceder no telemóvel ou no computador à localização dos oleões, à capacidade disponível dos mesmos em tempo real, bem como à contabilização dos depósitos e aos ‘greenpoints’ que têm acumulados, que poderão ser trocados por prémios", realça a Hardlevel.

"Os municípios podem também utilizar esta tecnologia como ferramenta de sensibilização e incentivo, recompensando os cidadãos que promovam o correto encaminhamento dos óleos alimentares usados, através da implementação de campanhas e sorteios que atribuam prémios como trotinetes elétricas, bilhetes para o teatro, museus ou concertos", exemplifica Salim Karmali.

A Hardlevel prevê, ainda este ano, alargar a Rede Nacional de Oleões para mais duas dezenas de municípios, tendo "já assegurado" a instalação de oleões inteligentes em Almada, Alenquer, Sertã, Olhão, Baião, Sernancelhe e Idanha-A-Nova.

"Até 2023, através dos protocolos e parcerias que estamos a estabelecer com municípios, retalhistas de superfícies comerciais, postos de abastecimento de combustível e outras entidades que pretendam associar-se ao ‘Projeto Carbono Negativo’, no sentido de contribuírem para a redução das emissões de CO2, a Rede Nacional de Oleões contará com mais de cinco mil oleões Smart S+", enfatiza Salim Karmali.

Investir 33 milhões numa fábrica de biodiesel em Palmela e entrar na China

Os irmãos Karmali, que esperam concluir o plano de entrada da Hardlevel nos mercados espanhol e chinês, previsto para o último trimestre deste ano, revelou ao negócios, há pouco mais de mês, a abertura do capital da empresa, com vista a uma expansão da atividade que permita escalar o modelo de negócio a nível mundial, apontando a um volume de negócios que ultrapassará os 100 milhões de euros em 2021, quase duplicando a faturação de 58 milhões registada no ano passado.

Com a abertura do capital da empresa, Hardlevel pretende "apoiar e desenvolver a consolidação setorial, numa lógica de aquisição de empresas que operam noutros países, bem como potenciar o investimento na instalação, já no próximo ano, de uma ‘biorefinaria do futuro’".

Com capacidade de processamento de 50 mil toneladas anuais, a fábrica a instalar em Palmela, num investimento estimado em 33 milhões de euros, irá produzir biodiesel através do processamento de outro tipo de matérias-primas menos nobres, tais como óleos e gorduras provenientes de lamas de depuração de ETAR’s, efluentes das extratoras e refinarias de óleos virgens, óleo de cachos e cascas de frutos, entre outros.

Foi em novembro de 2006, quando Karim tinha 25 anos e Salim 21, que os irmãos Karmali constituíram a Hardlevel, que tem sede em Gaia, com um incentivo público a fundo perdido de 39 mil euros, no âmbito de um programa de apoio ao empreendedorismo do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

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