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REN tem "muita confiança" nos seus gestores arguidos no processo dos CMEC da EDP

Rodrigo Costa garante que o conselho de administração mantém plena confiança no administrador João Faria Conceição e no director Pedro Furtado.

Rodrigo Costa
Rodrigo Costa Miguel Baltazar
04 de Maio de 2018 às 16:14

O conselho de administração da REN mantém a sua confiança nos dois gestores da empresa constituídos arguidos na investigação aos contratos CMEC (Contratos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual) da EDP.

A REN conta com dois arguidos neste processo: o administrador executivo João Faria Conceição, que foi assessor de Manuel Pinho no Governo de José Sócrates, e o responsável de regulação Pedro Furtado.

"Continuamos a ter confiança nas nossas pessoas, foi uma posição assumida pelo board [conselho de administração]. Temos muita confiança nessas pessoas", disse o presidente da REN esta sexta-feira, 4 de Maio, em declarações à margem da apresentação do plano estratégico da empresa até 2021.

O gestor também destacou que este tema foi abordado durante a assembleia-geral de accionistas que teve lugar na quinta-feira. "Eu próprio na minha apresentação falei logo sobre o tema. Fui eu que falei primeiro no tema. E tivemos uma pergunta sobre essa matéria. Não é um tema que não se possa abordar".

"É um tema relevante, e a empresa lida com ele com transparência e tranquilidade", afirmou. Rodrigo Costa apontou que a investigação "remonta há muitos anos, quando a empresa era do Estado e em que as pessoas nem sequer trabalhavam na REN".

Além dos dois responsáveis da REN, já foram constituídos outros oito arguidos neste processo: Ricardo Salgado (ex-presidente do BES), Manuel Pinho (ex-ministro da Economia de José Sócrates), António Mexia (presidente da EDP), João Manso Neto (administrador da EDP), Rui Cartaxo (adjunto de Manuel Pinho no Governo de José Sócrates e ex-presidente da REN), Pedro Resende e Jorge Machado (antigos vogais do conselho de administração da EDP), e Miguel Barreto (ex-director da Direcção-Geral de Energia DGEG).

A REN já admitiu que receia sofrer um impacto pela investigação aos contratos CMEC da EDP. "A REN pode ser afectada pela investigação em curso sobre alegados crimes de corrupção e participação económica em negócio durante a liberalização do mercado da electricidade em Portugal", avisou a empresa liderada por Rodrigo Costa no prospecto de aumento de capital da REN divulgado em Novembro de 2017.

"A REN não pode prever o desfecho da investigação ou de quaisquer diligências associadas. Qualquer desenvolvimento negativo destas diligências por referência aos colaboradores da REN ou à REN pode prejudicar a reputação da REN junto do público e dos seus "stakeholders" e pode afectar adversa e significativamente a sua actividade, situação financeira e resultados operacionais", alerta a companhia.

A transportadora de electricidade e de gás natural relembra que no dia 2 de Junho a Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária e o Ministério Público conduziram buscas na sede da REN em Lisboa no contexto da investigação a alegados crimes de corrupção e participação económica em negócio durante a privatização da EDP e a liberalização do mercado da electricidade português.

"Em detalhe, o Ministério Público alega que certos administradores actuais e quadros da EDP, um administrador da REN e um alto quadro da REN e ex-membros do Governo Português poderão ter estado envolvidos num esquema para beneficiar ilegalmente a EDP, empresa anteriormente detida pelo Estado Português e que, por sua vez, detinha o monopólio do mercado eléctrico, a propósito da cessação antecipada de determinados contratos de aquisição de energia durante o período 2004-2007", pode ler-se no documento divulgado em Novembro de 2017.

A empresa clarifica a sua posição neste processo: "A REN não é arguida no processo em causa e de momento não é acusada de qualquer prática criminosa" e disse que já se ofereceu "para colaborar com as autoridades".

E disse que não existem "razões claras" para que gestores da REN estejam sob a alçada da investigação: o administrador executivo João Faria Conceição, que foi assessor de Manuel Pinho no Governo de José Sócrates, e o responsável de regulação da empresa Pedro Furtado.

"As razões que levaram as autoridades a constituir um administrador da REN e um alto quadro da REN como arguidos não são claras, mas a REN encontra-se a trabalhar no sentido de contribuir para se apurarem todos os factos relevantes", declara a REN.

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