Calçado português vai a Bruxelas defender a reindustrialização da Europa

São produzidos mais de 24 mil milhões de pares por ano em todo o mundo, o que evidencia a forte deslocalização da produção de calçado para fora do Velho Continente. “É possível produzir calçado de excelência, na Europa, a preços justos”, considera Luís Onofre.
Dua Lipa usa calçado português na nova campanha da Nespresso.
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Rui Neves 18 de Maio de 2026 às 10:31

A indústria portuguesa de calçado, que exporta mais de 95% da sua produção, fechou 2025 a exportar o mesmo número de pares, 68 milhões, mas a aumentar em 0,8% a faturação para 1.718 milhões de euros, face ao ano anterior, com a performance no Velho Continente a mitigar a quebra de 12,3% nos Estados Unidos.

Apresar de ter registado um crescimento muito moderado, a evolução das exportações portuguesas de calçado assume maior relevância quando analisada à luz da evolução dos principais concorrentes internacionais.

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Itália e Espanha, dois dos principais concorrentes diretos de Portugal, registaram quebras nas exportações de calçado de 1% e 3%, respetivamente.

São atualmente produzidos mais de 24 mil milhões de pares de calçado por ano em todo o mundo, sendo mais de 88% provenientes da Ásia, com a China a dominar com mais de 50% do total, o que evidencia a forte deslocalização da produção para fora da Europa.

Perante este cenário, a indústria portuguesa apresenta-se como um caso de estudo alternativo, apostando numa produção assente em elevados padrões de qualidade, inovação tecnológica e crescente sustentabilidade ambiental. “É possível produzir calçado de excelência, na Europa, a preços justos”, considera Luís Onofre, presidente da associação do setor (APICCAPS), em comunicado.

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Ora, o setor português do calçado, através da APICCAPS e Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, vai a Bruxelas, a 16 de junho, defender a reindustrialização da Europa com base em inovação, sustentabilidade e produção de proximidade.

A iniciativa decorre na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia (REPER) e reunirá eurodeputados, decisores políticos e parceiros europeus para debater o futuro da indústria do calçado no contexto global.

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Apresentando-se como a “indústria mais sexy da Europa”, a indústria portuguesa de calçado concretizou, nos últimos três anos, “o maior investimento de sempre”, com mais de 100 milhões de euros aplicados ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com o objetivo de preparar o futuro da indústria.

Entre os projetos estruturantes destaca-se o BioShoes4All, que mobilizou cerca de 70 milhões de euros e envolveu mais de 60 parceiros, incluindo empresas, universidades e centros tecnológicos.

O projeto visa acelerar a transição da cadeia de valor do calçado para a bioeconomia, promovendo o desenvolvimento de novos biomateriais, a implementação de processos produtivos inovadores, a digitalização e a valorização de resíduos, contribuindo para a redução da pegada ambiental.

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Para o presidente da APICCAPS, esta iniciativa assume também uma dimensão política, num momento em que a Europa discute o reforço da sua base industrial. “Continuamos a acreditar no futuro da indústria na Europa, mas é fundamental garantir princípios de comércio livre, justo e equilibrado”, afirma.

Segundo Luís Onofre “a reindustrialização europeia exige uma visão estratégica que valorize a produção local, promova a inovação e assegure condições de concorrência equitativas à escala global”.

A sessão em Bruxelas pretende, assim, “apresentar os resultados alcançados e reforçar o contributo da indústria portuguesa para uma estratégia europeia baseada em cadeias de valor mais resilientes, sustentáveis e competitivas”.

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