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Novo contrato coletivo no setor do calçado aumenta salários em 3,1%

“Procurámos reconhecer a evolução do mercado e garantir que os trabalhadores estejam devidamente valorizados, alinhando as condições salariais e profissionais com as exigências contemporâneas da indústria”, afirma Luís Onofre, presidente da associação patronal do setor.

Luís Onofre, presidente da APICCAPS.
Luís Onofre, presidente da APICCAPS. Pexels
20 de Março de 2026 às 09:56

O cluster do calçado e artigos de pele, através da associação patronal do setor (APICCAPS) e da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de Portugal (FESETE), celebrou um novo contrato coletivo de trabalho que abrange cerca de 40 mil trabalhadores.

O acordo prevê uma atualização da massa salarial de 3,1%, “depois de já acomodada a atualização do Salário Mínimo Nacional, refletindo assim o esforço de adaptação do setor a um contexto económico exigente, marcado pela pressão sobre os custos e pela necessidade de reforçar a competitividade internacional”, realça a APICCAPS, em comunicado.

Para Luís Onofre, presidente desta associação empresarial, a assinatura deste contrato coletivo representa um instrumento essencial para a estabilidade do setor. “A existência de um contrato coletivo de trabalho é determinante para a regulação e organização da indústria, garantindo previsibilidade às empresas e proteção aos trabalhadores”, afirma.

Luís Onofre frisa ainda que o entendimento alcançado surge num momento “particularmente desafiante” para a economia nacional e para esta indústria fortemente orientada para a exportação, gerando mais de 95% da sua faturação nos mercados internacionais.

Ainda assim, o presidente da APICCAPS considera que o acordo traduz um equilíbrio entre as necessidades das empresas e a valorização dos recursos humanos. “Procurámos reconhecer a evolução do mercado e garantir que os trabalhadores estejam devidamente valorizados, alinhando as condições salariais e profissionais com as exigências contemporâneas da indústria”, enfatiza.

O novo contrato coletivo do setor é também visto, na perspetiva da APICCAPS, como “um sinal de compromisso social e de coesão, numa altura em que as empresas enfrentam um enquadramento internacional incerto”.

Apresentando-se como a “indústria mais sexy da Europa”, a indústria portuguesa de calçado exportou no ano passado 68 milhões de pares, no valor de 1,7 mil milhões de euros, mais 0,8% do que no ano anterior, com a performance no Velho Continente a mitigar a quebra de 12,3% nos Estados Unidos.

 

 

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