Bondalti acusa Ercros de "graves omissões, induções em erro e inexatidões" na resposta à OPA
O conselho de administração da Ercros deu um parecer "desfavorável" à oferta pública de aquisição (OPA) da Bondalti. A empresa portuguesa defende-se dizendo que a posição não foi unânime entre os administradores, tendo a proposta até o apoio dos trabalhadores, e que o auditor independente avaliou o preço como sendo justo. Acusa ainda a química catalã de uma série de omissões e incorreções.
"A Bondalti manifesta a sua surpresa ao constatar que a Ercros, através da comunicação realizada ontem aos meios de comunicação, procedeu a graves omissões, induções em erro e inexatidões relativamente ao próprio relatório emitido pelo conselho de administração da empresa", diz a empresa do Grupo José de Mello, em comunicado.
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Concretiza que "chama a atenção o facto de o comunicado omitir a informação mais relevante para que o acionista minoritário possa tomar uma decisão verdadeiramente informada", que é a conclusão do relatório do perito independente Evercore, contratado pela Ercros, segundo a qual o preço é justo. "Por outro lado, a Ercros ignorou a falta de unanimidade na opinião dos administradores", continua.
A Bondalti acusa a Ercros de não ter tornado pública a opinião favorável à OPA da administradora Lourdes Vega Fernández, nem a vontade do administrador Eduardo Sánchez Morrondo de emitir uma opinião individual diferente da do relatório. "Do mesmo modo, também não considerou relevante fazer referência ao relatório favorável das Secções Sindicais Maioritárias da CCOO e da UGT na Ercros sobre a Oferta e o seu potencial reforço em matéria de emprego, condições laborais, atividade industrial, viabilidade futura da Sociedade e implantação territorial", acrescenta.
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Embora o comunicado refira que os três membros do conselho de administração da Ercros que são acionistas da empresa declararam unanimemente a sua intenção de não vender as suas ações, a Bondalti considera que este omite que "os referidos administradores se reservam o direito de reconsiderar a sua intenção caso as circunstâncias se alterem relativamente às existentes à data do presente relatório."
Além da questão do parecer desfavorável, há ainda outros temas que são alvo de crítica por parte do grupo português, que se propôs a pagar 3,505 euros por cada ação da Ercros (um prémio superior a 40% face à cotação antes do anúncio da OPA), numa operação que já recebeu aprovação do supervisor espanhol.
A autorização da CNMC obriga a que a empresa que resulte da OPA venda hipoclorito de sódio a preço de custo durante um período máximo de 15 anos, o que a gestão defende que pode limitar a rentabilidade do negócio, reduzir a sua capacidade de gerar receitas e provocar uma perda significativa de valor. Mas a Bondalti contrapõe que "esta informação pode induzir em erro quanto à magnitude do impacto uma vez que não especifica que esta imposição está limitada a um volume máximo total de 85.000 toneladas".
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Sobre a dívida, defende que o financiamento da OPA ser feito em parte por bancos com os quais a Ercros já trabalha representa uma "validação implícita da viabilidade financeira do projeto combinado". Já sobre a redução da distribuição de dividendos prevista, salienta que a espanhola não distribui dividendos atualmente. Acrescenta que o relatório indica que nas duas últimas assembleias gerais os acionistas da Ercros manifestaram de forma maioritária a sua opinião desfavorável à OPA, mas que não há registo de que tenha havido qualquer votação a este respeito.
"Surpreende que uma empresa cotada com uma equipa de gestão à frente da mesma há muitos anos pretenda também associar o fraco desempenho da Ercros à existência de uma oferta não solicitada, afirmando que a mesma constituiu uma perturbação no normal desenvolvimento da empresa ao longo destes dois anos", acusa o grupo português.
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"Por último, consideramos que a empresa emite um grave juízo de valor ao insinuar que a Ercros ficaria diluída e perderia a sua relevância num conglomerado muito maior cujo negócio principal não é o químico, quando tal não corresponde à realidade. A indústria química tem sido o negócio fundador do Grupo José de Mello desde a sua criação em 1898. Hoje, a Bondalti é um dos líderes europeus em vendas de anilina e o maior produtor ibérico de cloro, utilizando a tecnologia mais sustentável e eficiente e as práticas de referência no âmbito ambiental", acrescenta.
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