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À terceira será de vez? Venda do rei dos cogumelos remarcada para sexta

A escritura de venda dos créditos do grupo Sousacamp à capital de risco Core Capital, que implica um perdão de dívida de 54 milhões de euros, está agora marcada para a próxima sexta-feira, depois de já ter sido adiada por duas vezes, mas pode ainda resvalar para o dia 25.

No verão de 2016, Marcelo Rebelo de Sousa visitou a empresa fundada por Artur Sousa (à direita, na foto). José Coelho/Lusa
Rui Neves ruineves@negocios.pt 20 de Maio de 2020 às 19:45
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Inicialmente agendada para esta segunda-feira, foi adiada para o dia seguinte, estando agora marcada para a próxima sexta-feira, 22 de Maio, podendo ainda resvalar para o dia 25.

 

A escritura da cessão de créditos das instituições bancárias no grupo Sousacamp a favor da Core Capital tem vindo a ser ultimamente adiada devido à complexidade contratual da transação, depois de ter já sofrido atrasos por causa do impacto económico e as incertezas decorrentes da covid-19, que atrasaram o processo de salvação do maior produtor nacional de cogumelos.

 

Em causa está a venda dos créditos do Novo Banco e do Crédito Agrícola, os maiores credores da Sousacamp, que inicialmente tinham concordado em perdoar cerca de 37 milhões, mas que entretanto acordaram em fazer um "haircut" adicional de dois milhões de euros.

Depois de ter aceitado perdoar 24 milhões dos mais de 34 milhões de euros que tinha a haver no grupo, o Novo Banco aceitou perdoar mais 1,4 milhões, enquanto o grupo Caixa Agrícola Mútuo, que já tinha feito um desconto de 11 milhões dos 15,9 milhões que reclamava, acabou por perdoar mais 700 mil euros.

A Core Capital irá, então, ficar com o maior produtor nacional de cogumelos através da liquidação dos créditos daquelas duas instituições, de cerca de 12,3 milhões de euros, assumindo, ainda, as dívidas ao Fisco (2,4 milhões de euros) e à Segurança Social (881 mil euros).

O Novo Banco e o Crédito Agrícola aceitaram, também, apoiar a tesouraria do grupo Sousacamp com linhas de créditos de dois milhões de euros.

 

Fundamental para o acordo final de recuperação do maior produtor nacional de cogumelos, que emprega cerca de 400 pessoas, foi também o papel do credor público IFAP (Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas), que aceitou suspender uma garantia bancária, de 5,2 milhões, por conta do financiamento de 17milhões de um projeto da Sousacamp que parou a meio.

 

A Core Capital, que já tinha adiantado à massa insolvente do grupo Sousacamp cerca de dois milhões de euros para o pagamento de salários aos trabalhadores nos últimos meses, compromete-se a viabilizar novos investimentos, que deverão ultrapassar os 10 milhões no decurso dos próximos anos.

 

A produtora portuguesa de tomate Sugal, que já é acionista da Core, terá uma participação direta de 10% no grupo Sousacamp.

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