Indústria Dona da Lion of Porches compra a Decenio ao grupo Ricon

Dona da Lion of Porches compra a Decenio ao grupo Ricon

A Têxtil Cães de Pedra adquiriu em Novembro a marca de vestuário, que emprega 150 pessoas e tem 21 lojas em Portugal e no estrangeiro. Em apenas dois meses, o grupo de Famalicão alienou duas participações empresariais.
Dona da Lion of Porches compra a Decenio ao grupo Ricon
Ricardo Castelo/Negócios
António Larguesa 05 de fevereiro de 2015 às 19:33

O grupo Ricon vendeu a marca de vestuário Decenio à Têxtil Cães de Pedra (TCP), um grupo familiar de Guimarães que detém também a Lion of Porches e cujo volume de negócios ascendeu a 20 milhões de euros no ano passado. Segundo apurou o Negócios, a proposta de aquisição foi apresentada no final do primeiro semestre de 2014 e o contrato foi assinado a 15 de Novembro, após cerca de quatro meses de negociações. A operação, cujo valor envolvido não foi divulgado por nenhuma das partes, foi concretizada através da participada Herbrand.

 

Além da marca Decenio, criada em 1994, a aquisição contemplou também a transmissão da estrutura física e de pessoal – equivalente a perto de 150 trabalhadores – inerente à exploração comercial da marca, nomeadamente as 19 lojas monomarca, dois "corners" do El Corte Inglés e duas lojas franchisadas. Foram também transmitidos os acordos de fornecimento existentes com cerca de 80 clientes multimarca, distribuídos por Portugal, Angola, Moçambique e Espanha.

 

Fundada em 1965, a TCP era uma empresa essencialmente industrial, que se dedicava principalmente à produção de malhas tricotadas, nomeadamente em regime de "private label". Em 2007, numa estratégia de diversificação da actividade, a empresa entrou no negócio do retalho de vestuário e acessórios de moda ao comprar a marca Lion of Porches ao grupo Califa, que detinha também as icónicas camisas Victor Emmanuel e passou por vários processos de insolvência e de recuperação, até fechar portas em definitivo em Setembro de 2012.

 

O Negócios contactou o grupo Ricon, que não se mostrou disponível para esclarecer as razões para a alienação deste activo relevante e qual o caminho que o grupo de Famalicão vai prosseguir no sector, nomeadamente se vai concentrar-se apenas na componente fabril. Segundo as informações disponíveis, opera na vertente industrial através das suas subsidiárias Delos, Delcon e Fielcon, que produzem vestuário para marcas internacionais, como Paul Smith, Massimo Dutti e Carolina Herrera. Na área do vestuário, a empresa tem ainda a representação da Gant, que conseguiu em 1991, e as licenças das marcas estrangeiras Henry Cotton´s e Jacob Cohen.

 

Em apenas dois meses, esta é já a segunda venda de participações por parte do grupo que, após um acordo entre os filhos do fundador Américo Silva, o empresário Pedro Silva passou a controlar a 100% em 2008. Como o Negócios noticiou em primeira mão, em Outubro do ano passado o grupo Ricon vendeu a sua participada XRS Motor, que detinha os centros da Porsche no Porto e em Braga, a um grupo de três investidores individuais – entre os quais dois membros da família Soares dos Santos –, abandonando assim o negócio dos automóveis de luxo. O grupo tem ainda a empresa de aviação Everjets, dedicada à aviação executiva e aos aparelhos aéreos de combate a incêndios.

 

Oferta complementar e escala no retalho

 

O presidente do conselho de administração da Têxtil Cães de Pedra, Ricardo Freitas Fernandes, adiantou que, no primeiro mês e meio de actividade, correspondente a metade de Novembro e Dezembro, as vendas da Decenio ascenderam a dois milhões de euros e o EBITDA estimado é de cerca de 400 mil euros. O accionista único da TCP, que emprega actualmente 212 funcionários, explicou ainda ao Negócios que, com esta aquisição, pretendeu "incrementar a escala do negócio de retalho e aproveitar as significativas sinergias que resultam da exploração conjunta das duas marcas, nomeadamente ao nível da gestão da produção, compras, gestão logística e gestão administrativa", além de passar a ter "uma marca com oferta complementar à da Lion of Porches".

 

Numa primeira fase, os novos donos da Decenio pretendem "consolidar [esta] marca e o negócio existente", mas prometem que, "oportunamente", vão igualmente introduzir "upgrades" à imagem da marca, das lojas e às futuras colecções. Segundo o administrador da empresa vimaranense, essa é uma "condição necessária para garantir um crescimento sustentado, quer do volume de negócios, quer da rentabilidade" da marca mais recente incluída no portefólio.

 

Apesar de ter sido criada como uma empresa industrial, desde que comprou a Lion of Porches, o negócio comercial foi ganhando cada vez mais relevância no total do volume facturado. Até que, a partir de 2013, deixou de ter qualquer capacidade produtiva instalada e focou-se em exclusivo na actividade comercial e na exploração dessa marca de inspiração britânica, que conta actualmente com 28 pontos de venda monomarca em Portugal, dez em Espanha, um em França, três em Angola e um Moçambique, além da presença em lojas multimarca em países como Rússia, Inglaterra, Escócia, Suíça e Estados Unidos da América.




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