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“Galinha” brasileira condenada arrebita e vai abrir fábrica de placas eletrónicas em Portugal

A fabricante de placas eletrónicas Standard America, que retomou o negócio da condenada Stolden, em Campinas, prevê abrir a unidade portuguesa “entre Aveiro e Coimbra” e criar, “pelo menos, 50 empregos diretos”, no primeiro ano de atividade.

Rui Neves ruineves@negocios.pt 20 de Outubro de 2020 às 18:03
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Os empresários brasileiros Hidalgo Dal Colletto e Ricardo Helmlinger compraram a condenada fabricante de placas eletrónicas Stolden, em abril passado, rebatizaram a empresa para Standard America, mais do que duplicando o efetivo para 120 trabalhadores, em Campinas, abriram um escritório nos Estados Unidos e projetam agora a internacionalização industrial da empresa para Portugal.

 

A Standard America pretende abrir uma fábrica no nosso país, com cerca de mil metros quadrados e que "gerará, no primeiro ano, pelo menos 50 empregos diretos", prevendo iniciar as operações no primeiro semestre de 2022.

 

Num investimento estimado em 1,5 milhões de euros, a empresa brasileira acredita que este projeto será financiado pelo programa comunitário Portugal 2020, mostrando como trunfo uma candidatura que registou "a nota excelente de 4,19 pontos, numa escala máxima de 6", mas garante que a sua aposta industrial no nosso país não está condicionada pela obtenção de incentivos financeiros estatais.

 

"O investimento em Portugal não dependerá de conseguir o apoio do Portugal 2020. A empresa pleiteia [disputa] o financiamento, mas já está vendo outras formas de obter o financiamento para a fábrica, de forma privada", afiançou Hidalgo Dal Colletto, CEO da Standard America, em declarações ao Negócios.

 

E onde é que será construída a fábrica da empresa brasileira em Portugal? "Escolhemos cidades entre Aveiro e Coimbra, que serão definidas durante o decorrer do projeto", afirmou Dal Colletto.

 

Na unidade portuguesa, a Standard America conta ter "duas linhas de produção, com capacidade de faturação de dois milhões de euros no primeiro ano de operação".

 

Enquanto não arranca com a operação própria em Portugal, empresa brasileira firmou uma parceria com a Exatronic, de Aveiro, para a produção das placas eletrónicas em solo europeu. "Como já temos clientes na Europa, decidimos levar a nossa tecnologia e oferecê-la por meio de um parceiro local, tornando-o nosso ‘hub’", explicou o mesmo empresário.

 

A Standard America é uma fabricante de placas eletrónicas para as áreas de agricultura, automação industrial, automotiva, internet das coisas, telecomunicações, segurança, iluminação, saúde, aeroespacial e indústria naval.

 

"Falei: se você souber de alguma ‘galinha morta’, que eu possa ressuscitar, me avise"

 

A empresa, que apenas iniciou atividade em abril passado, prevê fechar 2020 com uma faturação de sete milhões de reais (1,1 milhões de euros), triplicando as vendas de 2,3 milhões de reais conseguidas no ano anterior pela Stolden. E ampliar a fábrica de Campinas no próximo ano, para chegar a um efetivo de 200 trabalhadores.

 

Entretanto, a empresa comunicou que ganhou um novo contrato com uma indústria de equipamentos odontológicos, sua velha cliente, no valor de 10 milhões de reais (1,5 milhões de euros).

 

"Quando adquirimos a indústria [a Stolden], vendíamos algo em torno de 200 mil reais para esse cliente. Em apenas seis meses, ganhamos a confiança de seus gestores e mostramos a capacidade que temos de atendê-los em todas as suas necessidades", enfatizou Dal Colletto.

 

E como nasceu a Standard America, em tempos de pandemia? "Eu estava procurando um negócio para investir e liguei para um amigo, que sabia que também estava estudando coisas novas. Falei: se você souber de alguma ‘galinha morta’, que eu possa ressuscitar, me avise. Ele respondeu: ‘eu tenho uma, mas acho que ainda está viva, e lhe proponho sociedade", conta Hidalgo Dal Colletto, num comunicado da empresa.

 

O amigo, Ricardo Helmlinger, levou-o a conhecer a Stolden, que tinha sido constituída há dois anos mas que estava em funcionamento há pouco mais de um ano.

 

Com medo da pandemia, os então donos da Stolden pretendiam fechar a empresa dentro de dias, tendo até já comunicado a decisão aos trabalhadores.

 

"A indústria não ‘performava’, mas também não tinha passivos que a impedissem de crescer. Então, aceitamos o desafio de transformá-la numa indústria rentável, geradora de empregos e multinacional", lembra Dal Colleto.

 

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