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Mais de 70% das empresas de mobiliário só têm encomendas para dois meses

O lay-off aguentou a maioria das fábricas e dos empregos no cluster do mobiliário, colchoaria, decoração, tapeçaria e iluminação, mas o planeamento produtivo antecipa o regresso das nuvens negras a partir de setembro.

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António Larguesa alarguesa@negocios.pt 21 de Julho de 2020 às 14:21
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A quebra de encomendas forçou 63% das empresas portuguesas do cluster do mobiliário a recorrer ao regime de lay-off simplificado nos últimos meses, com a esmagadora maioria (87%) a garantir que manteve a totalidade dos postos de trabalho que tinha antes da pandemia de covid-19. Porém, mantêm-se as interrogações sobre a reação do mercado no final do verão.

Um inquérito promovido pela associação do setor (APIMA) junto de cerca de 200 empresas, entre 3 e 16 de julho, confirma essas dúvidas no atual planeamento produtivo das empresas: 44% tem encomendas para um mês ou menos, 27% regista planeamento para dois meses e apenas 29% das organizações têm pedidos acertados com os clientes para um período superior.

"Sentimos nas empresas uma grande incerteza em relação ao último quadrimestre do ano, à evolução do consumo neste período, à resposta dos principais mercados e à possibilidade de surgimento de uma segunda vaga. São demasiadas variáveis que influenciam o poder de compra e a confiança dos mercados", frisa Joaquim Carneiro, presidente da APIMA e também da Animovel, que investiu dois milhões de euros em novas máquinas e numa serralharia em Paços de Ferreira.

Os resultados partilhados com a imprensa esta terça-feira, 21 de julho, mostram que a maioria (63%) das empresas de mobiliário, colchoaria, decoração, tapeçaria e iluminação adiaram ou cancelar os investimentos previstos devido à pandemia. Nos primeiros cinco meses do ano, a queda homóloga nas receitas, que levou à revisão destes planos de crescimento e de modernização, abrangeu quase todas as empresas. Só 10% vendeu mais neste período.

Sentimos uma grande incerteza em relação ao último quadrimestre do ano, à evolução do consumo neste período, à resposta dos principais mercados e à possibilidade de surgimento de uma segunda vaga. Joaquim Carneiro, presidente da APIMA



Quais são as principais preocupações das empresas deste cluster, que exporta 90% da produção? O encerramento ou dificuldades financeiras dos clientes (70%), a procura de novas formas de promoção internacional, alternativas às feiras (70%), a proteção e a segurança dos colaboradores (56%), as dificuldades na cadeia logística internacional (37%) e o encerramento ou dificuldades financeiras dos fornecedores (18%).

Só 13% dos inquiridos antevê igualar a faturação pré-pandemia até dezembro. A maioria (60%) prevê retomar o volume de negócios anterior até ao final de 2021, entre o primeiro e o segundo semestre; e 17% atiram essa recuperação para o ano seguinte. Há ainda um em cada dez empresários a traçar um cenário mais pessimista e a reconhecer que só conseguirá voltar ao mesmo nível de vendas depois de 2022.

10%Retoma
Um em cada dez empresários do setor antecipa que só depois de 2022 é que vai conseguir recuperar o nível de vendas que tinha antes da pandemia.


Estes dados foram transmitidos na segunda-feira, 20 de julho, ao secretário de Estado Adjunto e da Economia, João Correia Neves, e também ao presidente do IAPMEI, Nuno Mangas, durante uma reunião com a APIMA, sediada no Porto, e na visita a três empresas do cluster, localizadas em Paredes e na Maia: a Pelcorte (estofos), a JMS (cadeiras e mesas) e a Frato (decoração de interiores e mobiliário de luxo).

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