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Tempestades e guerra no Irão ditam queda dos lucros da Navigator para 17,2 milhões até março

Os eventos climáticos extremos do início do ano e o contexto internacional adverso impactaram os resultados da produtora de pasta e papel, que registou um recuo de 64% dos lucros, de 19% do volume de negócios e de 44% do EBITDA.

Navigator
Navigator D.R.
18:36

A Navigator registou nos primeiros três meses deste ano lucros de 17,2 milhões de euros, o que representa uma quebra de 64,4% face aos 48,3 milhões apurados em março do ano passado.

Em comunicado à CMVM, a produtora de pasta e papel salienta que “superou o primeiro trimestre de 2026 com um desempenho resiliente, apesar da devastação provocada na floresta pela depressão Kristin e pelo comboio de tempestades que se seguiram, bem como do agravamento do contexto internacional em consequência da guerra no Médio Oriente”.

Até março, o volume de negócios do grupo somou 427 milhões, menos 19,3% face aos 529,3 milhões registados há um ano.  Já o EBITDA fixou-se em 65 milhões de euros, recuando 44% face a março de 2025, com a margem EBITDA nos 15,2%.

A empresa liderada por António Redondo diz que “recuperou no final do trimestre, evidenciando a eficácia da estratégia de diversificação, com tissue e packaging a representarem mais de 30% do volume de negócios e cerca de 40% do EBITDA”.

O grupo realça que os eventos climáticos extremos provocaram danos severos sobretudo na região centro do país, causando perturbações nas operações da Navigator, nomeadamente nas unidades da Figueira da Foz e de Vila Velha de Ródão. “As interrupções externas de energia e água, bem como as dificuldades no abastecimento de madeira devido à destruição de vastas áreas florestais, associada à forte precipitação, limitaram as operações florestais, agravaram os constrangimentos logísticos com forte impacto nos volumes e no custo do abastecimento de madeira às fábricas”, salienta, frisando que “estes fatores disruptivos, associados a níveis iniciais de stock mais baixos no arranque do ano, condicionaram o desempenho do trimestre”.

Esta instabilidade fez com que o trimestre fosse ainda impactado pelo “aumento do consumo de energia fóssil, em particular gás natural, com efeitos nos custos e na necessidade acrescida de aquisição de licenças de CO2”, diz a Navigator, garantindo, contudo, que “manteve o foco rigoroso na eficiência operacional e na disciplina financeira, atuando de forma transversal na gestão de custos fixos e variáveis, no reforço da produtividade e na eficiência energética”.

Assim, assegura, “registou-se uma evolução positiva dos cash costs unitários face ao trimestre homólogo, com reduções nos segmentos de papel, packaging e tissue, tanto na operação ibérica como no Reino Unido”.

Por outro lado, a política de gestão de risco financeiro, nomeadamente através da fixação parcial dos preços da energia e das operações de cobertura cambial, “contribuiu igualmente para atenuar o impacto da volatilidade registada no período”.

Como sublinha ainda no comunicado, os primeiros três meses do ano ficaram também marcados pela continuidade do ciclo de investimento orientado para a modernização industrial, a eficiência e a descarbonização, com o volume de investimento a somar 42 milhões de euros.

"Apesar "do ambiente internacional muito complexo e volátil, sobretudo em consequência da guerra no Médio Oriente, e da pressão do impacto do atual ciclo de investimento nos resultados, a Navigator reduziu o endividamento líquido em 28 milhões de euros face a dezembro, para 675,4 milhões de euros, mantendo um rácio dívida líquida/EBITDA de 2,08 vezes e 414 milhões de euros em linhas de financiamento disponíveis", realça.

As perspetivas do grupo até ao final deste ano apontam para a “recuperação gradual, disciplina operacional e foco estratégico”. “O ano de 2026 deverá continuar a ser marcado por volatilidade nos mercados internacionais e influenciado pela evolução do contexto geopolítico e por potenciais constrangimentos na cadeia logística global”, diz, acrescentando contudo que “os indicadores mais recentes sugerem uma melhoria gradual das condições de mercado, em particular no segmento da pasta, onde se observa uma recuperação progressiva dos preços e sinais de maior equilíbrio entre oferta e procura”.

“Esta evolução, conjugada com a disciplina operacional da empresa, deverá criar condições para uma melhoria gradual do desempenho ao longo do ano”, afirma.

A Navigator tem anunciado aumentos de preços em todos os negócios. No caso do papel de impressão e escrita salienta que a normalização operacional das unidades industriais da Navigator “permitirá capturar de forma mais plena os aumentos de preços anunciados no início do ano”.

No negócio de packaging, recorda que avançou com o anúncio de aumento de preços, entre 5% e 10%, com efeitos a partir de abril, e novamente um outro em abril, com efeitos a partir de junho, de um mínimo de 30 euros por tonelada.

No tissue também anunciou um aumento de preços entre 5% e 7%, aplicável a expedições a partir de maio e em todos os mercados onde o grupo opera.

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