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Donos de micro e pequenas empresas são mal pagos e felizes

Um inquérito da ActionCoach mostra que a mudança de colaborador para pequeno empresário traz alguma frustração no bolso ao final do mês, mas também mais sorrisos no rosto por ter “uma empresa sob o seu comando”.
Jornal de Negócios
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António Larguesa 15 de maio de 2018 às 22:37

Mal pagos, mas felizes. Assim se sentem os donos das micro e pequenas empresas portuguesas que abandonaram as funções que exerciam em companhias de maior dimensão para criar o seu próprio negócio. Um inquérito da ActionCoach mostra falhas ao nível da gestão e que quase metade investe menos de 1% da facturação na área do marketing.
O primeiro impacto desta mudança de colaborador para empresário é sentido na carteira ao final do mês: 55% dos mais de cem inquiridos pela empresa de "coaching" consideram que o seu investimento, esforço e dedicação não são "devidamente remunerados". Pelo menos numa fase inicial, indica Ken Gielen, não têm o pagamento adequado à quantidade de horas que dedicam ao projecto.
Além disso, como normalmente nestas empresas não há gestão intermédia – só o topo e depois o nível técnico –, o gestor belga responsável pela operação desta multinacional australiana de "coaching" (actua em Lisboa, Porto, Algarve, Barcelos e Viseu) sublinha que este perfil de líder empresarial "quando está sozinho está efectivamente sozinho, não tem ninguém a acompanhá-lo".
Esta solidão e a parca compensação financeira não impedem, porém, que três em cada quatro (76%) estejam mais felizes desde que têm "uma empresa sob o seu comando". "Sentir o comando da sua própria vida dá-lhes maior felicidade. E têm também uma maior flexibilidade. Em vez de apenas seguirem ordens, têm a responsabilidade de decidir o que fazem com o tempo", ilustra Ken Gielen, que em 2010 liderou o encerramento da filial da Lear Corporation, que fornecia componentes para a Autoeuropa.
No entanto, a maioria dos líderes de micro e pequenas empresas, proveniente de uma área técnica, parece não cumprir as melhores práticas de gestão. Neste estudo, 28% admitem não ter um plano estratégico de gestão e outros tantos só o actualizam anualmente. Sobem para 66% os que não usam sistemas de relatórios para controlar a actividade e 64% nem sequer recorrem a indicadores-chave de desempenho (KPI).
"Não precisam de ir tirar um curso de quatro anos, mas esse conhecimento tem de lhes chegar de alguma forma. Se querem crescer e ter mais liberdade, então têm de saber gerir uma equipa e planear a médio e longo prazo", resume o líder da ActionCoach, que emprega 24 pessoas em Portugal.

Em vez de apenas seguirem ordens, sentir o comando da sua própria vida dá-lhes maior felicidade. E têm também uma maior flexibilidade.  Ken Gielen
Responsável da ActionCoach em Portugal

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