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Após falência, ações da fabricante de aspiradores-robô Roomba afundam mais de 70%

Quando o processo de falência terminar, a iRobot vai deixar de estar cotada no Nasdaq e, tal como anunciou a empresa, os investidores vão "sofrer uma perda total".

Roomba declara falência e passa para as mãos de uma empresa chinesa.
Roomba declara falência e passa para as mãos de uma empresa chinesa. Jens B'ttner / picture-alliance / dpa / Associated Press
15 de Dezembro de 2025 às 19:54

É o fim de uma era. Depois de ter entrado em força no mercado dos eletrodomésticos com o lançamento do aspirador-robô Roomba em 2002, mais de . A reação dos mercados foi imediata e a empresa está a perder mais de 72% do seu valor em bolsa, valendo cerca de 40 milhões de dólares. A iRobot chegou mesmo a cair 75%, com cada ação a valer um mínimo histórico de 1,07 dólares. 

No comunicado de imprensa que anunciou a falência, a iRobot explica que, caso o tribunal norte-americano aprove o pedido, os detentores de ações ordinárias da empresa deverão "sofrer uma perda total" e não deverão "receber qualquer recuperação do seu investimento". Com os ativos a serem vendidos à chinesa Picea Robotics, o maior fornecedor de componentes para os aspiradores da marca Roomba, a tecnológica vai deixar de ser uma empresa cotada em bolsa. 

A iRobot já tinha avisado por várias vezes as grandes dificuldades financeiras que atravessava, que culminam agora com a falência da empresa criada em 1990. Depois de ter atingido o seu pico em 2021, em pleno período de pandemia, durante o qual a iRobot chegou a ser avaliada em 3,56 mil milhões de dólares, os anos seguintes trouxeram menos vendas, mais concorrência e uma pressão financeira acrescida.

Em 2022, a Amazon avançou com uma proposta de aquisição da produtora dos aspiradores robôs, mas o negócio avaliado em 1,4 mil milhões de dólares acabaria por cair por terra em 2024 devido ao chumbo do negócio por parte da Comissão Europeia. Este negócio era visto como uma das últimas tábuas de salvação da iRobot e nem mesmo o valor de compensação por o negócio não se ter concretizado (cerca de 90 milhões de dólares) foi suficiente para manter a empresa à tona.

A nova política monetária dos EUA também ajudou a contribuir para a queda da iRobot. De acordo com o pedido falência apresentado ao tribunal norte-americano, a empresa, antecipando "incerteza tarifária com a China", decidiu mudar grande parte da produção dos seus aspiradores-robô para o Vietnam. Uma decisão que acabou por fazer ricochete, uma vez que o país enfrentou taxas alfandegárias de 46% - que, eventualmente, foram reduzidas para apenas 20%. 

"Tivemos perdas operacionais substanciais nos anos anteriores, antecipamos continuar a incorrer em perdas operacionais no futuro previsível e podemos não voltar a alcançar a rentabilidade no futuro", admitia, em março, a iRobot num documento regulatório. Agora, e com a empresa em mãos chinesas, espera-se que as marcas iRobot e Roomba continuem a marcar presença no mercado - pelo menos, no curto prazo.

(Notícia atualizada às 20h17 com mais informação)

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