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Bruno tem paralisia cerebral, é gestor de duas start-ups e criou videojogo para a PlayStation

Jovem empresário do Porto com tem paralisia cerebral, desloca-se numa cadeira de rodas e, na adolescência, uma frase de José Mourinho mudou-lhe a vida, sendo hoje, com 30 anos, gestor de duas start-ups, numa das quais desenvolve um videojogo para a Playstation.

Lusa 23 de Fevereiro de 2019 às 09:29
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Aos 30 anos, o jovem empresário Bruno Osório, que tem paralisia cerebral, diz "não ter tempo" para lamentos e valoriza "cada segundo" da sua existência, materializando uma instrução paternal que lhe garantiu que "poderia ser aquilo que quisesse".

 

Em entrevista à agência Lusa, no Porto, Bruno Osório falou de uma adolescência "com muitas incertezas" até que um dia, aos 14 anos, ouviu José Mourinho, na sua apresentação como treinador do FC Porto, a afirmar: "tenho a certeza que no próximo ano nós vamos ser campeões nacionais".

 

"Comecei então a pensar: se ele chega aqui e está a prometer com tanta certeza que vai conseguir uma coisa que ainda está para acontecer, então também consigo", descreveu, explicando depois que passou a "estruturar o pensamento" de "eu não consigo" para o "eu vou conseguir".

 

Mudado o "paradigma mental", Bruno Osório passou a ver o seu mundo com outros olhos, interpretando que a "cadeira de rodas não seria um facto que retirava coisas, mas que poderia acrescentar algo".

 

A questão era "perceber como o seria capaz de fazer", precisou.

 

Numa entrevista intervalada com muitos sorrisos, fruto de quem se sente muito bem com a vida, o jovem empresário avançou até à faculdade onde se formou em engenharia informática, cimentando um percurso onde se viu a criar as "próprias empresas".

 

Hoje detém duas 'startup', a Foxtech, criada em 2016, e "focada em tecnologia", e a Adamastor Studio, criada em 2018, de "produção de videojogos e conteúdos digitais", dando "emprego a 12 colaboradores".

 

O videojogo que está a desenvolver para a plataforma de jogos Playstation, o VRock, de "ritmos musicais", comprou-o a um amigo, após perceber que aquele entretenimento "tem muitas variantes" e também "muito público para explorar".

 

Seguiu-se o acordo com a PlayStation, que "fechou um negócio de exclusividade" com Bruno Osório "a troco de 100 mil euros em campanhas de publicidade", sendo que a consola da Sony vai ser a única a vender o videojogo.

 

"Está a ser feito praticamente de novo, quis dar-lhe o meu cunho pessoal", disse de um negócio que considera ter sido "um marco", porque o projetado "está a ser conseguido" e foi acrescido de "um contrato de investimento de um grupo de business angels (investidores)".

 

Projetando para o primeiro semestre de 2019 a conclusão do videojogo, são muito maiores os objetivos que tem por realizar, assumindo querer ser "um dos ícones do empreendedorismo português", ao mesmo tempo que garante que "vai ser a bandeira de que tudo é possível executar independentemente das limitações".

 

Também atleta de alto rendimento de boccia, Bruno Osório representa a Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC), instituição com quem diz ter "uma relação umbilical" e aponta à participação nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, em 2020.

 

"Tudo o que projetei aos 14 anos ou está cumprido ou estou na carreira para o cumprir e a vertente empresarial é uma delas. Não tenho tempo nem paciência [para lamentar]. Não faz parte do meu ADN. Gosto de ser como sou e de ser quem sou", anotou.

 

Para Bruno Osório "é preciso que as pessoas com deficiência queiram assumir um percurso, uma maneira de estar na vida".

 

"Tudo aquilo que possamos fazer para melhorar a nossa condição deve ser feito, mas deve partir do nosso íntimo. Em Portugal as pessoas devem sair de casa, devem-se mostrar, não devem ter medo de mostrar quem são e pensar que a deficiência, em vez de fechar abre muitas portas", sustentou.

 

O empresário sonha no "prazo de três a cinco anos vender as duas empresas" que detém para tornar-se "investidor", "viver uma temporada nos Estados Unidos", e a nível pessoal "constituir família" a par da missão de "através da política dar mais voz ao cidadão com deficiência".

 

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