Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Como Elon Musk quer colonizar Marte: foguetes reutilizáveis e reabastecimento em órbita

O CEO da SpaceX explicou como vai funcionar o Sistema de Transporte Interplanetário. Veja o vídeo.

Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 28 de Setembro de 2016 às 01:05
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

Elon Musk dispensa apresentações. Lidera a fabricante norte-americana de carros eléctricos Tesla, é também CEO da empresa de foguetes SpaceX e presidente não executivo da SolarCity [que se dedica à concepção, financiamento e instalação de sistemas de energia solar], além de ter sido o criador do sistema de pagamentos online Paypal.

 

A sua paixão por Marte é conhecida. Há muito que fala de colonizar o planeta vermelho. E esta terça-feira mostrou como é que será possível ali construir uma cidade auto-sustentável.

 

Para este próximo passo gigante para a humanidade serão precisas três coisas: reutilização plena dos foguetes, reabastecimento das naves em órbita e produção de combustível em Marte, explicou o empreendedor nascido na África do Sul perante uma plateia de cientistas, engenheiros e responsáveis governamentais que marcaram presença no 67º Congresso Astronáutico Internacional, na cidade mexicana de Guadalajara.

 

Numa apresentação intitulada "Fazer do ser humano uma espécie multiplanetária", Musk salientou, citado pela Bloomberg, que produzir combustível em Marte é um aspecto-chave para fazer baixar os custos das viagens. A este propósito, disse acreditar que um dia cada bilhete entre o planeta Terra e Marte – uma viagem de aproximadamente 230 milhões de quilómetros – custará apenas 200.000 dólares, quando actualmente o custo por pessoa ronda os 10 mil milhões de dólares.

 

"Quero conseguir descer o custo para o preço médio de uma casa nos Estados Unidos", afirmou, citado pelo IBTimes. Esse enorme desconto no preço poderá provir, segundo Musk, da reutilização das naves espaciais que transportam os passageiros até Marte. Atendendo ao tempo de viagem de ida e volta, essas aeronaves seriam reutilizadas a cada dois anos, acrescentou.

 

Actualmente, conforme sublinha a Exame, o custo de um lançamento do Falcon 9 que a SpaceX de Musk utiliza nas missões a Marte é de 61,2 milhões de dólares, o que já é bastante inferior ao preço conseguido pelas suas congéneres. "As empresas de lançamento estabelecidas levarão anos para igualar os custos de lançamento da SpaceX. O preço de lançamento de um foguete Atlas V, da ULA, que não é reutilizável, era de 184 milhões de dólares há dois anos. A ULA já conseguiu reduzir esse preço em um terço, mas o valor será no mínimo de 100 milhões de dólares pelo menos até 2019", refere a mesma publicação.

 

A Space Exploration Technologies Corp (SpaceX) foi criada em 2002 por Elon Musk precisamente para concretizar o seu sonho de colonizar Marte. Actualmente, recorda a Bloomberg, a empresa está já a colocar satélites em órbita e a calendarizar missões a Marte (as chamadas missões ‘Dragão Vermelho’) para explorar o planeta.

 

Essas missões são preciosas para a concepção do Sistema de Transporte Interplanetário (ITS, na sigla em inglês - Interplanetary Transport System) da SpaceX.

 

O ITS é composto por duas partes principais – o foguete e a aeronave – que ainda não têm nomes definidos. "Por enquanto, o foguete está a ser chamado de BFR (Big Fucking Rocket) e a nave espacial de BFS (Big Fucking Spaceship)", diz o Tecmundo.

 

Os novos foguetes, refere o mesmo website, possuem cerca de 122 metros de altura (quase o dobro do Falcon 9) e os propulsores contam com 12 metros de diâmetro. Já a nave espacial conta com 17 metros de diâmetro.

 

Durante a apresentação destas novidades no congresso em Guadalajara, a SpaceX exibiu um vídeo animado, antes do discurso de Musk, que mostra como é que o ITS vai funcionar.

 

O vídeo começa com algumas pessoas a entrarem na aeronave, que tem no topo o sistema propulsor do foguete. A nave espacial sai do Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral (Florida), e posteriormente estaciona entretanto numa chamada ‘órbita de estacionamento’, ou ‘órbita de espera’. Nessa altura, o propulsor separa-se da nave e regressa à Terra, onde se reabastece, sendo depois reenviado para o espaço com os módulos de combustível para o ITS. Com este combustível adicional, a nave retoma caminho até Marte.

 

Chegados a Marte, é esperado que o exterior da nave chegue à temperatura de 1.648 graus Celsius, mas os materiais do equipamento devem impedir que isso afecte os sistemas internos e a tripulação, sublinha o Tecmundo.

 

Para permitir um pouso seguro, "a SpaceX afirma que vai usar um sistema de retropropulsão supersónica de altíssimo desempenho. Assim, estima-se que todos cheguem ao planeta em segurança, para que então comecem a desempenhar as missões de reconhecimento, exploração e colonização", refere a mesma fonte.

 

Durante a apresentação do projecto, Musk disse que Marte é a melhor escolha para fazer dos humanos uma espécie interplanetária. E isto porque, sublinhou, será possível obter colheitas agrícolas naquele planeta. Além disso, "será divertido viver nesse planeta, pois há menos gravidade do que na Terra", acrescentou, citado pelo IBTimes.

 

Na sua opinião, Marte é o planeta mais próximo da Terra que é potencialmente habitável. Por outro lado, existe a possibilidade de explorar o metano ali existente e usá-lo como combustível para as naves espaciais, destacou o CEO da Tesla e da SpaceX.

 

Na Code Conference deste ano, Musk assegurou que em 2024 será enviada a primeira missão tripulada até Marte com vista à colonização do planeta – que deverá ter início um ano depois, dada a grande distância a que fica da Terra. Antes disso, planeia enviar várias missões não tripuladas até 2018.

 

Em 2014, a SpaceX assinou um acordo e alugou a plataforma de lançamento 39A do local pelo período de 20 anos. Ou seja: até 2034 a SpaceX pode usar a plataforma sem precisar de se preocupar, salienta o Tecmundo.

Ver comentários
Saber mais Elon Musk Marte 67º Congresso Astronáutico Internacional Falcon Sistema de Transporte Interplanetário Kennedy Space Center Cabo Canaveral exploração científica
Outras Notícias