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PT emitiu mil milhões em obrigações em 2013 para investir metade na ESI

As aplicações da Portugal Telecom em títulos de dívida de empresas do Grupo Espírito Santo foram muitas vezes efectuadas com recurso ao endividamento da empresa de telecomunicações, de acordo com a auditoria da PwC.

08 de Janeiro de 2015 às 22:45

As aplicações em produtos financeiros de empresas do Grupo Espírito Santo por parte da Portugal Telecom ganhou destaque em 2014, quando a Rioforte não reembolsou 900 milhões de euros à empresa de telecomunicações, mas há vários anos que elas já existiam.

A auditoria conduzida pela PwC, cujas principais conclusões foram esta quinta-feira reveladas pela PT em comunicado à CMVM, indica que a exposição do grupo PT a títulos do GES começou em 2001, sendo que no final desse ano ascendia a 600,2 milhões de euros.

Ao longo destes 14 anos "esta exposição atingiu o valor máximo de 1.218 milhões de euros em 2005, sendo de 897 milhões de euros em Julho de 2014". 

O relatório é exaustivo em relação às aplicações efectuadas pela PT em dívida de empresas do GES, questionando a análise de risco que foi efectuada a estes investimento e dando conta que a Portugal Telecom chegou mesmo a endividar-se para aplicar grande parte do encaixe em dívida do GES.

Foi o que aconteceu em Maio de 2013, quando a PT emitiu obrigações no valor de mil milhões de euros, sendo que deste encaixe, "500 milhões de euros foram utilizados para subscrever títulos da ESI".

Em Maio de 2013 era ainda Zeinal Bava o CEO da Portugal Telecom. Só em Junho de 2013 é que o gestor assumiu o cargo de CEO da Oi. Granadeiro era o "chairman" da PT. Ambos os gestores já saíram da empresa, ambos na sequência deste investimento na Rioforte.

A auditora da PwC deixa claro que a PT teve que aumentar o endividamento para, já em 2014, efectuar o polémico investimento da Rioforte.

"A PwC verificou, nomeadamente nas aplicações efectuadas em papel comercial da Rio Forte em abril de 2014, que foi necessário que a PT Finance e a PT SGPS aumentassem o seu nível de endividamento, para que, mantendo as aplicações em papel comercial da Rio Forte, conseguissem fazer face aos compromissos assumidos, nomeadamente devido a fusão com a Oi", refere o relatório.

"Este aumento de endividamento não teria sido necessário, caso não tivessem sido feitas as aplicações em papel comercial da Rio Forte", conclui.

Para investir na Rioforte em 2014 foram necessários "recursos financeiros obtidos através da utilização de linhas de crédito (ampliação dos limites de papel comercial e utilização de financiamento por via de um club deal), por forma a serem obtidos fundos suficientes para se renovar as aplicações em títulos existentes junto do GES", refere a auditoria.

A PwC diz ainda que estas aplicações em títulos de empresas do BES não se enquadram em meras aplicações de tesouraria.

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