PwC sugere que BES omitiu informação à PT sobre situação financeira da Rioforte
Em Janeiro de 2014 a Rioforte passa a controlar o ESFG e em Fevereiro de 2014 a PT passa a investir na Rioforte. Ricardo Salgado sabia que esta operação tinha um forte impacto negativo na Rioforte mas nada disse ao administrador financeiro da PT quando lhe foi apresentar esta "holding".
A auditoria conduzida pela PwC aos financiamentos da Portugal Telecom a empresas do Grupo Espírito Santo sugere que o Banco Espírito Santo e Ricardo Salgado terão escondido informação à PT sobre a situação financeira da Rioforte.
Na cronologia com as conclusões da auditoria, a PwC relata que a 27 de Novembro de 2014, já depois do incumprimento da Rioforte, é apresentado ao conselho de administração da PT SGPS uma análise financeira onde é assumido que a "integração da ESFG na Rio Forte teve um impacto negativo no valor da mesma que se cifra entre 1.600 e 1.900 milhões de euros".
Contudo, "existem indícios de que esse impacto era do conhecimento da entidade comercializadora (BES) à data da primeira subscrição pela PT SGPS de papel comercial emitido pela Rioforte". A PwC sugere assim que o BES sabia qual era a situação financeira da Rioforte, mas omitiu essa informação à PT.
Foi em Fevereiro de 2014 que a PT subscreveu títulos de dívida da Rioforte. Poucos dias depois de ter decorrido uma reunião em que Ricardo Salgado, então presidente do BES, teve a iniciativa de apresentar a Rioforte ao CFO da PT SGPS, Luís Pacheco de Melo.
"Terá sido explicado que o Grupo PT deveria passar a investir em papel comercial emitido pela Rio
Forte, em detrimento de títulos emitidos pela ESI", refere a PwC, acrescentando que "foi entregue uma apresentação sobre a restruturação do GES, que era omissa quanto aos efeitos das operações (…) na situação financeira da Rioforte".
Essas operações ocorreram no final de 2013 e resultaram em forte prejuízo para a Rioforte, uma vez que esta "holding" passou a controlar o ESFG.
Foi a 31 de Dezembro de 2013 que a Rioforte comprou a ES Irmãos, que por sua vez concentra 10,03% da ESFG. A 22 de Janeiro de 2014 foi concretizada "a aquisição por parte da Rioforte do controlo da ESFG, em execução de contrato particular celebrado a 31 de Dezembro de 2013".
Foi a aquisição deste controlo do ESFG que, já em Novembro de 2014, a PT viria a saber que teve um impacto negativo "entre 1.600 e 1.900 milhões de euros" na Rioforte. Um valor que quase duplica o montante que a Rioforte não pagou à PT.