Lufthansa defende que proximidade de Madrid e Paris é "ameaça" para "hub" da TAP

Menos rotas para o Atlântico Sul e a distância entre Lisboa e Frankfurt podem posicionar a Lufthansa à frente da corrida pela portuguesa TAP. Esta é, pelo menos, a visão do CEO do grupo alemão, que acredita que as propostas dos seus concorrentes podem não passar em Bruxelas.
Carsten Spohr voltou a posicionar a Lufthansa na frente do processo de privatização da TAP.
Lufthansa
Inês Pinto Miguel 06 de Março de 2026 às 12:37

A Lufthansa quer posicionar-se na frente no processo de privatização da portuguesa TAP. Agora, e mediante um dos critérios estabelecidos pelo Governo, o grupo de aviação alemão atirou-se à distância entre o seu "hub" e o da TAP. As ligações à América do Sul também foram colocadas em cima da mesa, com o CEO da Lufthansa a admitir que os outros já têm muitas, o que pode levar a uma vantagem.

"Temos de olhar para o mapa europeu e ver onde a Lufthansa tem o seu 'hub' e a posição única que Portugal pode ter", destacou Carsten Spohr, CEO do grupo alemão, em conferência de imprensa, onde apresentou receitas de 39,6 mil milhões de euros e lucros de 1,33 mil milhões. 

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E Carsten Spohr fez mesmo mira à localização dos "hubs" dos outros grupos que estão na corrida pela TAP. "Alguns [concorrentes] têm o 'hub' em Madrid e outros têm 'hub' em Paris, que são muito mais próximos de Portugal. Isso significa que a ameaça para o 'hub' em Portugal e Lisboa seria muito maior, o que seria outro argumento para o grupo Lufthansa" ganhar, defendeu o CEO.

Alguns têm o 'hub' em Madrid e outros têm 'hub' em Paris, que são muito mais próximos de Portugal. Isso significa que a ameaça para o 'hub' em Portugal e Lisboa seria muito maior." Carsten Spohr
CEO do grupo Lufthansa

"Mas o processo só está a arrancar agora, mas o mapa europeu não vai mudar durante o processo", lembrou o gestor, reconhecendo que poderá ganhar a corrida pela TAP, mesmo depois de ter terminado a aquisição da italiana ITA Airways no ano passado.

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Sobre a posição do grupo face às rotas no Atlântico Sul, uma vez que a TAP tem rotas diretas para várias cidades no Brasil, e recentemente anunciou o reforço e novas rotas, Spohr atirou que "os nossos concorrentes já são grandes no Atlântico Sul".

Questionado sobre se Bruxelas iria aprovar, sem aplicar remédios, o CEO da Lufthansa afirmou que "somos menores em comparação com os nossos dois concorrentes", uma vez que os grupos anglo-espanhol IAG e franco-neerlandês Air France-KLM já têm ligações em direção à América Latina. 

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"Lisboa seria um ponto de venda único para nós. Por isso, a questão anti-concorrencial não será tão importante para nós quanto para os outros grupos", atirou Carsten Spohr, tentanto posicionar-se, novamente, à frente da IAG e da Air France-KLM.

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