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CEO da Ryanair acusa Governo português de estar "obcecado" em proteger a TAP até à venda

Michael O'Leary sustenta que a TAP deixa de ser tema quando a sua privatização está em andamento e que o foco deveria estar em aumentar a capacidade do número de passageiros. O'Leary alerta ainda para a subida dos preços depois da venda da TAP.

Michael O'Leary continua um crítico do posicionamento do Executivo em relação à companhia portuguesa.
Michael O'Leary continua um crítico do posicionamento do Executivo em relação à companhia portuguesa. Mariline Alves
11:17

A TAP é um dos temas recorrentes nas conferências de imprensa do chefe da companhia aérea "low-cost" Ryanair, e desta vez Michael O'Leary acusa o Governo português de estar "obcecado" em proteger a TAP até a vender a um dos três grupos de aviação que se colocaram na corrida no fim do ano passado.

"Já dissemos que a capacidade [do aeroporto] de Lisboa pode crescer apenas com o poder de uma caneta. Ao dia de hoje, Lisboa pode crescer até aos 35 milhões de passageiros, tudo o que é preciso é dizer que a capacidade do terminal aumentou", disse O'Leary. 

Mas a capacidade deixa de ser um tema quando o Governo está preocupado em fazer proteção cerrada à companhia portuguesa TAP na infraestrutura da capital portuguesa. "Estão obcecados em proteger e cuidar da TAP até que a TAP seja vendida", vincou.

"Se está decidido que vão vender a TAP aos alemães ou espanhóis ou o que seja, o mínimo que podem fazer é aumentar a capacidade do terminal em Lisboa e permitir-nos mais voos", criticou. Estão na corrida a IAG, Lufthansa e Air France-KLM, sendo que atualmente está a decorrer a fase das propostas não vinculativas. 

Considerando que o crescimento do Terminal 1 não é possível, O'Leary pede para que se aumente o segundo terminal. "Podem simplesmente aumentar a capacidade do Terminal 2 aqui em Lisboa. É um barracão, dupliquem o tamanho do barracão, mas a desculpa é sempre que não podem fazer nada", lamentou na conferência de imprensa. 

Apenas com quatro aeronaves baseadas em Lisboa, um número bastante inferior aos 12 no Porto e em Faro, o CEO da Ryanair admite que o crescimento de Lisboa permitiria que a companhia "low-cost" passasse a operar entre 20 a 25 aeronaves na capital. 

Outra das críticas deixadas ao Executivo português refere-se ao futuro aumento de preços que a companhia portuguesa vai sofrer com a venda, potenciando um afastamento do turismo. "O preço dos bilhetes vai aumentar ainda mais", disse O'Leary, numa tentativa de fazer crescer a sua capacidade em Lisboa.

Outro ponto crítico para a entrada de turistas em Lisboa, e que a Ryanair assume que tem causado constrangimentos na operação, é o controlo de passageiros que entrou em vigor em outubro. Apelidando que tal produz "ineficiência" nas operações, O'Leary pede a contratação de mais pessoal, caso se trate de falta de mão de obra, ou a chegada de mais máquinas automáticas.

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