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TAP reduziu 68% dos voos em setembro. CEO prevê menos procura no inverno

Numa mensagem enviada aos trabalhadores, Ramiro Sequeira diz que "retoma está a ser muito lenta". A maioria das reservas está a ser feita apenas para o mês seguinte e só nas festas de fim de ano acredita que haverá um "ligeiro aumento da procura".

Maria João Babo mbabo@negocios.pt 22 de Outubro de 2020 às 11:09
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A TAP reduziu em 72% a sua capacidade (lugares disponíveis por quilómetro) e em 68% o número de voos no mês de setembro, face ao período homólogo de 2019. E antecipa que nos próximos meses de inverno a procura seja inferior à do verão.

Os números são avançados pelo novo CEO da companhia aérea esta quinta-feira numa mensagem, a que o Negócios teve acesso, enviada os trabalhadores, aos quais garante que passará a divulgar uma "factsheet" operacional, numa base regular sobre o mês anterior.

De acordo com o primeiro relatório que revela o impacto da evolução da pandemia, das imposições de restrições à mobilidade dos passageiros e do comportamento da procura, na performance da TAP, o responsável dá ainda conta que a taxa de ocupação média (load factor) nos voos realizados entre maio e julho, após o período de paragem quase total, é de 60%, vinte pontos percentuais abaixo da taxa média global de 2019, apesar da redução na capacidade realizada.

 

"Estes valores estão em linha com o estudo da IATA que observa uma taxa de ocupação de 49% nos voos internacionais e de 64% nos voos domésticos, em agosto", afirma Ramiro Sequeiro na mensagem aos trabalhadores, salientando que a IATA prevê que "o tráfego mundial caia 66% em 2020 e que valores similares aos de 2019 sejam recuperados apenas em 2024".


Lembrando as restrições variadas na entrada e circulação de passageiros nos principais mercados da TAP, o presidente executivo sublinha ainda que "num contexto de elevada incerteza, a retoma está a ser muito lenta e a TAP, à semelhança das suas congéneres, terá de fazer o caminho da reestruturação para garantir a sua viabilidade".

Em abril, em pleno confinamento, a redução da capacidade da TAP chegou aos 99%, tendo o decréscimo diminuído para 88% em julho, para 75% em agosto e para 72% no mês passado.

"Sobre os próximos meses de inverno, e observando com preocupação o comportamento da procura atual, abaixo da dos meses de verão e com reservas realizadas cada vez mais para o curto prazo (maioritariamente para o mês seguinte), teremos que continuar a adaptar o nosso planeamento de voos a esta nova dinâmica do mercado", afirma ainda. A este cenário, acrescenta, "apenas será exceção o período das festas de fim de ano,  durante o qual planeamos estar dimensionados para o ligeiro aumento da procura esperado".


O CEO adianta ainda que a TAP subscreveu os apelos da IATA, ACI e A4E para a adoção de medidas globais e coordenadas de testagem, pelos diversos países, "que permitam maior segurança na reserva e realização de viagens, e estimulem uma mobilidade das pessoas com maior confiança" e salienta o mais recente estudo da IATA que vem "comprovar o quão seguro é viajar de avião", onde "o risco de contrair a doença é de um caso para 27 milhões de passageiros". Desde o início de 2020, revela, apenas se identificaram 44 potenciais casos de contágio a bordo.


No que respeita ao plano de reestruturação, que está em preparação e que o Governo já disse pretender entregar a Bruxelas em novembro, Ramiro Sequeira assegura na mesma mensagem que, a cada momento, procurará dar conta aos trabalhadores "do seu estado" e mantê-los "envolvidos".

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