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Associações de táxis pedem limites na revisão da lei dos TVDE

Tanto Florêncio de Almeida, presidente da ANTRAL, como Carlos Silva, presidente da FPT, consideraram que, ao ser mexida a lei que regula os TVDE, haverá implicações no setor do táxi.

Mexidas no setor dos TVDE terá impacto junto dos táxis, segundo as associações do setor
Mexidas no setor dos TVDE terá impacto junto dos táxis, segundo as associações do setor João Cortesão / Jornal de Negócios
14:26

As associações do setor do táxi pediram esta quarta-feira, no parlamento, limites na revisão da Lei 45/2018, regime jurídico dos TVDE, para que seja assegurada a sobrevivência do serviço público do táxi, defendendo que este tem de ser preservado.

A Associação Nacional dos Transportes Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) e a Federação Portuguesa do Táxi (FPT) foram ouvidas na comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, no âmbito da apreciação das iniciativas legislativas que alteram o regime TVDE (Transporte Individual e Remunerado de Passageiros em Veículos Descaracterizados a partir de Plataforma Eletrónica).

Tanto Florêncio de Almeida, presidente da ANTRAL, como Carlos Silva, presidente da FPT, consideraram que, ao ser mexida a lei que regula os TVDE, haverá implicações no setor do táxi.

"A alteração da lei dos TVDE não é apenas um assunto de regulação do setor. É também uma questão decisiva para o futuro dos táxis em Portugal, que, depois de mais de um século de serviço público, corre sérios riscos de desaparecer se o legislador continuar a tolerar um regime desequilibrado, permissivo e profundamente injusto", disse Carlos Silva.

Também Florêncio Almeida lembrou aos deputados que o "táxi não deve existir para resolver os problemas do TVDE", considerando que, como está à vista de todos, "o mercado está saturado".

"O táxi tem sido desprezado até agora. O erro maior foi a entrada do TVDE sem contingente", frisou Florêncio Almeida, considerando que aquele setor também deveria ter contingentes municipais à semelhança do que acontece com os táxis, mesmo nos territórios de baixa densidade.

Ambos os dirigentes consideraram que o setor do táxi sofre de "concorrência desleal, assimétrica e desregulada" por parte dos TVDE, sublinhando que vive sujeito a "licenciamento, contingentes" e obrigações "tarifárias, fiscais, contributivas e territoriais".

Para Carlos Silva, o futuro do táxi "está diretamente ligado ao que o parlamento decidir agora", sublinhando que, se a revisão da lei "se limitar a afinar procedimentos e dar conforto ao modelo atual, estará a assinar, de forma indireta, mais um passo na erosão do táxi".

"Se o legislador tiver coragem para impor regras sérias aos TVDE, estará a defender o táxi, a mobilidade urbana e a qualidade do transporte de passageiros no país", frisou o responsável.

Foram ouvidas, anteriormente, sobre o mesmo assunto, a Associação Nacional Movimento TVDE, bem como a Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD) e o Movimento Cívico Somos TVDE.

Em 29 de abril, cerca de 200 motoristas TVDE percorreram a pé o trajeto entre o Campo Pequeno e a Assembleia da República, em Lisboa, reivindicando o aumento das tarifas, a não inclusão do táxi no setor e um apoio aos combustíveis.

Atualmente, motoristas e operadores TVDE estão alinhados em três pontos-chave: defesa do aumento das tarifas por parte das plataformas, contra a intenção de, na revisão da lei 45/2018, os táxis fazerem TVDE e na chamada de atenção ao Governo para um apoio ao combustível.

Segundo os dados oficiais na plataforma criada pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes, em colaboração com a Uber e a Bolt, para monitorizar a atividade dos TVDE, no mês de março estavam registados 39.615 motoristas certificados ativos e o número de operadores ativos totalizava os 14.649.

Também em meados de março, mais de sete anos após a entrada em vigor, a revisão da lei que estabelece o regime jurídico dos TVDE passou no parlamento à especialidade com aprovação dos projetos do PSD e CDS-PP.

O setor ficou assim mais perto de sofrer a maior revisão de sempre com a proposta de lei do PSD a ser aquela que traz mais alterações e que pretende atualizar o enquadramento legal à evolução tecnológica e ao crescimento do mercado, bem como reforçar a fiscalização, a segurança e a clareza das responsabilidades dentro do setor.

A primeira alteração àquela que também ficou conhecida como "lei Uber", em dezembro de 2024, estabeleceu normas para a obtenção e renovação do certificado de motorista, garantindo o conhecimento das regras da atividade e "competências para conduzirem de forma segura".

Na anterior legislatura, os projetos de lei do PSD e da Iniciativa Liberal que previam a revisão desta lei chegaram a ser aprovados na generalidade e baixaram à respetiva comissão, mas a queda do Governo travou o processo.

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