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Ex-diretor diz que CP terá de reduzir oferta enquanto EMEF não tiver pessoal 

O ex-diretor de material circulante da CP, que foi exonerado em Dezembro, sublinhou no Parlamento que a falta de pessoal na empresa de manutenção está a levar a que as intervenções estejam a demorar o dobro do tempo.

Miguel Baltazar
Maria João Babo mbabo@negocios.pt 27 de Fevereiro de 2019 às 12:07
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O ex-diretor de material circulante da CP, José Pontes Correia, defendeu esta quarta-feira no Parlamento que devido à falta de pessoal na EMEF - Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, que está a atrasar as intervenções nos comboios, não restam alternativas à CP que não seja a readequação da oferta.

José Pontes Correia foi chamado à comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas depois de ter sido exonerado daquelas funções a 6 de dezembro pelo conselho de administração da CP depois de se ter manifestado contra um ato de gestão que em sua opinião poderia pôr em causa a segurança dos passageiros.


O ex-diretor da CP salientou por várias vezes na audição a falta de capacidade da EMEF para dar resposta à manutenção das composições devido ao défice de pessoal, o que está a obrigar unidades a "ficar à porta", dando exemplos de intervenções que "seriam de duas a três semanas e que hoje demoram o dobro do tempo porque faltam operários".

Em sua opinião, além de munir a EMEF de pessoas para recuperar no tempo, também a oferta deve ser readaptada. "É politicamente muito aflitivo dizer que antes tinha comboios de 10 em 10 minutos e agora passa a ter de meia em meia hora", afirmou, para sustentar que isso "é algo que tem de ser feito enquanto EMEF não tiver as pessoas as necessárias".


Para José Pontes Correia, este é um "momento crítico para a EMEF", já que com "a abertura do espaço ferroviário nacional a qualquer companhia que queira entrar, agora chegou o momento da verdade para CP e para as ofertas que vão aparecer", que se não tiverem capacidade de resposta em Portugal encontrão outras soluções lá fora.

Em sua opinião, nos próximos anos a CP "ou se adapta ao mercado ao morre". "Vai ser necessário investir na CP e à séria. Não é com poupançazinhas", acrescentou.

"A CP devia estar a preparar-se para o que vem aí e que vai condicionar o seu futuro", afirmou o ex-diretor de material circulante, que aos deputados disse que "nunca soube as condições objetivas" para a sua demissão, que foi noticiada em dezembro do ano passado pelo Público.


Na altura o jornal avançou que a decisão do conselho de administração da CP se deveu ao fato de José Pontes Correia se ter mostrado contra a decisão da empresa de prolongar o ciclo de manutenção dos rodados das Unidades Triplas Elétricas em mais 300 mil quilómetros. A administração da CP decidiu que a manutenção dos rodados das automotoras elétricas seria feita aos dois milhões de quilómetros em vez dos 1,7 milhões.


"Não deixei sem que houvesse um documento técnico passado pelo fabricante dizendo que estavam reunidas todas as condições para o fazer", explicou esta quarta-feira aos deputados.

O responsável lembrou que do conselho de administração da CP a justificação para a sua exoneração foi o facto de não se verificarem "as condições objetivas para o exercício da função", mas em seu entender a decisão prendeu-se à sua oposição quanto àquela decisão da empresa.

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