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IP vai “continuar a construir alta velocidade em bitola ibérica e até 2040 reavaliamos”

A empresa pública diz que no projeto da alta velocidade estão a ser usados “todos padrões europeus para quando um dia se justificar”. Esse dia, explicou Carlos Fernandes, será quando a linha estiver toda construída e a bitola europeia se ligar à ferrovia portuguesa.

A IP vai pedir a derrogação da migração da bitola até 2040.
A IP vai pedir a derrogação da migração da bitola até 2040. João Cortesão
12:32

O vice-presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), Carlos Fernandes, afirmou esta terça-feira no Parlamento que para a alta velocidade em Portugal “temos de continuar a construir em bitola ibérica e no fim, até 2040, reavaliamos”.

Na comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, o gestor explicou que há dois estudos sobre análise custo-benefício da bitola. Um, disse, “está previsto no regulamento que obriga a que os países que tenham uma bitola diferente tenham que apresentar um estudo sobre a sua rede avaliando diferentes cenários sobre se faz ou não sentido migrar esse corredor para a bitola europeia”. No caso da IP, adiantou, “estamos a avaliar, em grande articulação com Espanha, e temos vários cenários desde migrar tudo, migrar o corredor a não migrar nada”, sendo que “temos  obrigação de entregá-lo em julho à Comissão Europeia”. 

Já o segundo estudo, explicou, tem a ver com a linha Lisboa-Porto. “O regulamento que saiu obriga nas linhas novas a que que país apresente uma análise custo- benefício que possa justificar uma derrogação dessa obrigação”. “Portugal está a fazer essa análise e, com parte da linha construída, não faz sentido migrar. Estamos a pedir derrogação até 2040”, afirmou, acrescentando que o assunto “tem vindo a ser conversado com a Comissão Europeia”, que “concorda connosco, que não faz sentido nesta fase criar um troço de 70 quilómetros em bitola europeia que a nada se ligava”.

Carlos Fernandes frisou ainda que “não há nenhuma linha espanhola prevista para se ligar em Portugal em bitola europeia” e que “o que Espanha está a fazer é que a parte final das linhas que está a construir é em bitola ibérica para poder ir as cidades”.

“Isso permite que quem saia da alta velocidade em Campanhã tenha mais de 200 destinos que pode ir de comboio, seja suburbano, linha do Douro, linha do Minho”, explicou, assegurando que estão a ser usados “todos padrões europeus -  sinalização, eletrificação, travessas de dupla fixação - para quando um dia se justificar”. Quanto se pode justificar? “Quando tivermos a linha toda construída  e estiver prevista a linha em bitola europeia a ligar-se à linha portuguesa, o que não está neste momento previsto”, disse.

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