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México chega-se à frente para tentar impedir anulação da subconcessão da Carris e Metro

Numa altura em que se fala no fim das subconcessões dos transportes, os mexicanos, que ganharam o Metro e Carris, lembram o Estado português de que há um acordo mútuo para favorecimento económico. O Negócios sabe que o grupo pretende usar meios legais caso se sinta prejudicado.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 18 de Dezembro de 2015 às 18:07
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A diplomacia já tinha chegado às subconcessões dos transportes públicos e, esta sexta-feira, foi o México que se colocou como novo interveniente. O país, dono do grupo espanhol que ganhou a subconcessão da Carris e do Metro de Lisboa, relembra que há acordos a cumprir.

 

"O Governo do México, através do embaixador em Portugal, Alfredo Pérez Bravo, expressou às autoridades portuguesas a sua preocupação sobre a possibilidade de poderem ser anuladas as subconcessões ganhas pela empresa mexicana ADO/Avanza para operar o Metro e o sistema de autocarros urbanos de Lisboa (Carris), tendo cumprido todas as condições estabelecidas e firmado os acordos respectivos", indica um comunicado da embaixada do México em Portugal enviada ao Negócios.

 

A embaixada lembra que este acordo foi incluído num entendimento de maior abrangência entre os dois países. "Nos últimos dois anos, os governos de México e Portugal deram um impulso inédito às ligações entre os dois países, através de contactos políticos frequentes de alto nível e a uma agenda económica bilateral dinâmica, o que favoreceu o crescimento dos fluxos comerciais e do investimento em ambos os países".

 

No comunicado, há um aviso: o fim da subconcessão poderá colocar em causa essas ligações. "As autoridades mexicanas acreditam que o interesse comum em manter o ambiente propício para o incremento das relações económicas entre o México e Portugal prevalecerá nas decisões que, no futuro, sejam adoptadas sobre este importante assunto".

 

Esta semana, o Negócios já tinha dado conta que os embaixadores estavam a manifestar junto do Executivo o desagrado pela intenção de anular os contratos de subconcessão com os transportes públicos urbanos. Espanha, França e Reino Unido já tinham tentado reuniões com o ministro do Ambiente, Matos Fernandes (em causa estão a francesa Transdev, que ficou com Metro do Porto; a britânica National Express, que detém a espanhola Alsa – que ganhou a STCP; e a Avanza, também espanhola mas detida pelo grupo mexicano ADO, com a gestão da Carris e Metro de Lisboa). Assim, agora, é o México que aparece. 

 

Dona da Alsa pretende actuar

 

O Negócios sabe que o grupo ADO está disponível para actuar de forma a obrigar ao cumprimento do contrato assinado com a Transportes de Lisboa, onde estão integradas as duas empresas. Já terão sido enviadas, pelo grupo, cartas ao Presidente da República e também ao primeiro-ministro a dar conta da preocupação sobre o tema. Não é claro, efectivamente, que riscos poderá haver com a anulação dos contratos. 

 

Neste momento, é ainda uma incógnita de que forma o Governo pretende fazer no campo dos transportes, embora já tenha sido aprovado um texto conjunto para concretizar o fim das subconcessões, decididas pelo Governo de Passos Coelho. Aquando de uma visita aos trabalhadores do Metro, o secretário de Estado do Adjunto e do Ambiente, José Mendes, adiantou apenas que o novo modelo de gestão não está ainda concluído. Há um estudo que se prevê que demore, pelo menos, dois meses, segundo revelou à Lusa

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