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Novas linhas de metro abrem guerra política na região do Porto

Cinco anos depois e envolvendo agora um envelope de 860 milhões de euros até 2030, a expansão da rede de transportes volta a ser alvo de estudos de procura e de viabilidade, que estão a ser contestados por alguns autarcas.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 21 de Fevereiro de 2020 às 14:47
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A Metro do Porto vai repetir os estudos de procura e viabilidade relativamente a sete linhas de metropolitano e a vários outros percursos em "metro bus" propostas pela Área Metropolitana. Esta análise que contará com o contributo das universidades e das ordens profissionais, só estará concluída no final deste ano, mas já está a dividir os municípios da região.

 

A assinatura de um protocolo com o Governo para a "consolidação" da expansão da rede, agendado para a manhã desta sexta-feira, 21 de fevereiro, na Câmara Municipal de Gondomar, ficou marcada pela contestação de viva voz por parte dos autarcas da Trofa e de Vila do Conde e também pelas críticas e pela ausência de outros, como o de Espinho.

 

Depois do cumprimento frio que lhe foi devolvido pelo autarca de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, o presidente do município trofense, Sérgio Humberto, contestou aos jornalistas a falta de diálogo e falou de um exercício que apenas "empurra com a barriga" a execução de uma obra há muito prometida, prevista desde a primeira fase desta infraestrutura. "Tiraram-nos o comboio com a promessa de que teríamos metro", recordou o social-democrata, em referência à suspensão do serviço em 2002.

 

Maria Elisa Ferraz, que rompeu com o PS nas últimas autárquias e foi eleita em Vila do Conde, interrompeu mesmo a cerimónia para lamentar a escassa informação prévia e o facto de estes estudos não contemplarem a intervenção naquele município. O homólogo de Espinho, que também ficou de fora da expansão, queixou-se à TSF de "não [ter] sido tido nem achado" e nem sequer apareceu por se recusar "fazer papel de figurante".

 

Em causa estão cerca de 860 milhões de euros do Plano Nacional de Investimento (PNI), verbas que deverão ser executadas entre 2021 e 2030. E são precisamente estes estudos que vão sustentar a decisão política sobre as prioridades até ao final da década, atendendo a critérios como a sustentabilidade económico-financeira e ambiental e também a coesão territorial e social desta região.

 

Quais as novas linhas em estudo? 

Nos próximos dez meses, a análise vai estar concentrada em sete linhas de metro: Casa da Música - Devesas - Santo Ovídeo; prolongamento da linha circular (Casa da Música - Pólo Universitário Asprela ou Combatentes); Gondomar (Campanhã - Souto, via Valbom); São Mamede (Polo Universitário Asprela/Fonte do Cuco); ISMAI - Trofa; Campo Alegre; II Linha da Maia (Pólo Universitário Asprela/FEUP - Maia).

 

A estas somam-se algumas opções "metro bus", como a linha Avenida da República - Crestuma (Gaia) e Devesas - Canidelo (Gaia), o canal da Estrada da Circunvalação e Vila do Conde - Póvoa de Varzim. A ideia inicial era a de que estas soluções absorveriam 240 dos 860 milhões de euros, mas o ministro Matos Fernandes, que prometeu "transparência e rigor" neste estudos, frisou que "a perspetiva de uma gestão e exploração conjuntas por parte da área metropolitana" faz com que esta divisão dos montantes seja flexível.

 

Tiago Braga, presidente da Metro do Porto, considerou mesmo que "o metro bus não é o parente pobre" neste plano de expansão, podendo até estas soluções ligeiras ser "menos intrusivas [em termos de infraestrutura] e mais flexíveis" nos percursos. E após agradecer a confiança depositada na empresa para estudar e planear estes investimentos na região, o gestor lembrou aos políticos na sala que "este será um período longo que ultrapassa os ciclos" a nível autárquico e governativo.

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