Hóspedes e dormidas cresceram em 2025. Proveitos atingiram 7,2 mil milhões de euros

Os mercados externos continuam a dominar o setor do turismo em Portugal, mas os residentes estão a tentar ganhar terreno. Hóspedes e dormidas crescem, mas sinais de abrandamento já são visíveis.
Dormidas de residentes continuam a dar impulso, mesmo com a predominância dos mercados externos.
Sebastian Gollnow/AP
Inês Pinto Miguel 11:38

O setor do turismo voltou a crescer em 2025, embora revelando o abrandamento que vinha a ser sinalizado por várias entidades. Na totalidade do ano, Portugal registou 32,5 milhões de hóspedes e 82,1 milhões de dormidas, aumentos de 3% e 2,2%, respetivamente, e que comparam com as subidas de 5,2% e 4,1% observadas no ano anterior. Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) evidencia que estes números se traduziram em proveitos totais de 7,2 mil milhões de euros, significando um salto de 7,2% e proveitos de aposento de 5,5 mil milhões de euros.

Foi o mercado nacional que, segundo o órgão estatístico, deu gás às dormidas, uma vez que a dependência dos mercados externos continuou a cair ao longo do ano. "Em comparação com 2024, observou-se uma aceleração do crescimento das dormidas dos residentes (+5,4%; +2,2% em 2024) e um abrandamento nas dos não residentes (+0,8%; +4,9% em 2024)", destaca, ainda que as dormidas de turistas externos continuem a predominar no setor, contabilizando 57 milhões de pernoitas no território nacional no ano passado, enquanto aquelas realizadas por residentes atingiram os 25,1 milhões.

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Os dados mostram que a dependência dos mercados externos caiu para níveis de 2022, sendo que antes era preciso recuar até 2015. No ano passado, os residentes dominaram as dormidas nas regiões Centro e Alentejo, enquanto os não residentes foram mais expressivos na Região Autónoma da Madeira e na Grande Lisboa. 

"Os mercados estrangeiros predominaram em todos os meses de 2025, com maior preponderância nos meses de outubro e de maio, em que representaram 74,8% e 74,4% do total das dormidas apuradas em cada mês, respetivamente. Nos meses de dezembro e agosto registaram-se as menores dependências dos mercados externos, tendo as dormidas de residentes representado 38,7% e 35,8% do total de cada mês, respetivamente", observa o INE.

Apesar de se ter registado um decréscimo de 1,5% nas dormidas do mercado britânico, estes turistas mantiveram-se como o principal mercado emissor em 2025, seguido dos mercados alemão, norte-americano e espanhol, sendo que os dois últimos inverteram as posições que tinham sido registadas em 2024.

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A Península de Setúbal foi a região que registou menor dependência do principal mercado externo, seguindo-se o Norte, Grande Lisboa e Região Autónoma dos Açores. Já a Grande Lisboa registou a menor dependência dos três principais mercados, sendo seguida pela Península de Setúbal. Por sua vez, o Algarve continua a ser a região mais dependente do principal mercado externo, "que representou 35,9% das dormidas de não residentes registadas na região", seguida do Centro, Madeira e Oeste e Vale do Tejo. Em simultâneo, o Algarve e a Madeira foram as regiões com maior dependência dos três principais mercados externos. 

O mercado espanhol destacou-se em cinco regiões: Centro, Oeste e Vale do Tejo, Alentejo, Norte e Setúbal. Já os Estados Unidos preferiram os Açores e a Grande Lisboa, enquanto a Alemanha se ficou pela Madeira e os britânicos preferiram o Algarve.

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Os alojamentos turísticos registaram mais 1,7 milhões de dormidas, com os residentes a serem responsáveis por 1,3 milhões de pernoitas deste crescimento, com 445 mil a recaírem sobre os não residentes.

O empurrão da Páscoa para fim de abril no ano passado - que este ano acontece no início do mês - contribuiu com 481,9 mil dormidas adicionais, o que levou a que fevereiro e março perdessem fôlego no ano e fossem os únicos a perder dormidas face a 2024. Perderam, segundo o INE, 104 mil e 161,4 mil dormidas em relação ao ano anterior. A seguir a abril, julho foi o que mais contribuiu para o crescimento anual, adicionando 356,2 mil pernoitas, e junho acrescentou 240,5 mil.

Os maiores crescimentos foram observados no Norte e na Região Autónoma da Madeira. De facto, o INE evidencia que o Norte acrescentou 634,8 mil dormidas àquelas que tinham sido registadas em 2024, enquanto a Madeira adicionou 380,8 mil pernoitas no ano passado. No seu conjunto, estas duas regiões contribuíram com 58,7% para o acréscimo de dormidas em 2025, com o Norte a registar 36,7% e a Madeira 22%. O ganho no Norte foi impulsionado pelos não residentes, enquanto os portugueses optaram pela Madeira.

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