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Mais de 90% da hotelaria recorre ao regime de lay-off

A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) estima que cerca de 51 mil trabalhadores vão ser abrangidos pelo regime de lay-off.

Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 08 de Abril de 2020 às 12:29
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Mais de 90% dos hotéis em Portugal pretendem recorrer ao regime de lay-off simplificado criado pelo Governo para assegurar os postos de trabalho durante a pandemia do coronavírus. O cálculo resulta de um inquérito realizado pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) durante os primeiros dias de abril. Os hoteleiros esperam agora quebras de receitas que chegam até aos 100% durante o primeiro semestre.

Os dados foram apresentados esta quarta-feira, 8 de abril, pela diretora executiva da AHP, Cristina Siza Vieira. Os resultados do inquérito, realizado entre 1 e 7 de abril junto de 60% dos associados da AHP, mostram que 93,8% dos hoteleiros pretende recorrer ao regime de lay-off.

Na maioria dos casos, este regime vai abranger toda a força de trabalho: mais de 44% dos inquiridos que pretendem recorrer ao lay-off afirmam que este regime irá abranger todos os trabalhadores. Outros 50% dos inquiridos dizem que o regime irá abranger entre 80% e 99% dos trabalhadores.

Considerando uma média de 85% dos trabalhadores que serão afetados em cada unidade hoteleira, a AHP estima, assim, que cerca de 51 mil trabalhadores da hotelaria serão abrangidos pelo lay-off. Esta é, contudo, uma estimativa que "peca por defeito", admite Cristina Siza Vieira, uma vez que "a hotelaria tem muito trabalho externalizado".

Este cenário ocorre em que a larga maioria dos hotéis, superior a 80%, pretende permanecer encerrada durante os meses de abril e maio. Há ainda 4% dos hotéis que ficarão encerrados, pelo menos, até ao final do primeiro semestre. Já entre os que permanecem abertos, a capacidade e os serviços chega a ser reduzida até 80%.

Quebras de receitas chegam até 100%

Numa altura em que já quase ninguém antecipa uma normalização do setor do turismo até ao final do primeiro semestre, as projeções para as quebras de ocupação e de receitas vão-se acentuando.

Cerca de 65% dos inquiridos espera que, no período de janeiro a junho deste ano, a quebra na taxa de ocupação se situe entre 70% e 100% - importa ressalvar que muitos hotéis encerram durante a época baixa. Tendo em conta a pandemia do coronvírus, não chegaram a reabrir este ano e vários esperam permanecer encerrados até ao final do primeiro semestre, o que explica a quebra de 100% na taxa de ocupação.

Por outro lado, para o mesmo período, 71% dos inquiridos espera quebras de receitas entre os 70% e os 100%.

Com base nestas respostas, e tendo em consideração os valores de receitas turísticas e hoteleiras registados em 2019, a AHP faz duas projeções para a perda de receitas no período de março a junho deste ano. No cenário mais otimista, em que a quebra de receita é de 80%, os hotéis perderão 1,28 mil milhões de euros nesse trimestre. No segundo cenário, considerado mais provável, em que a queda de receita é de 90%, as perdas da hotelaria ascendem a 1,44 mil milhões de euros no mesmo período.

Notícia atualizada pela última vez às 12h46 com mais informação.
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