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Hotelaria prepara-se para perder até 800 milhões de receita

O setor da hotelaria antecipa quebras de receita de até 30%, mas, no pior dos cenários, poderão chegar aos 50%.

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Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 12 de Março de 2020 às 11:48
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A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) está a projetar quebras de receitas entre os 500 milhões e os 800 milhões de euros até ao final do primeiro semestre deste ano, devido ao impacto que o coronavírus está a ter sobre o setor. Os hoteleiros esperam, ainda assim, que o turismo mundial venha a normalizar até junho.

 

As perspetivas foram apresentadas, esta quinta-feira, 12 de março, pela diretora executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, em conferência de imprensa. As projeções apresentadas esta manhã foram feitas com base nas respostas dos associados a um inquérito realizado no período de 2 a 9 de março, período em que o alarme em torno do coronavírus não era tão grave como hoje.

 

De acordo com os resultados deste inquérito, a maioria dos hoteleiros antecipa quebras na taxa de ocupação até apenas 5%, embora uma parte significativa espere quedas ente os 10% e os 30%, havendo ainda uma fatia a prever reduções superiores a 30%.

 

Contudo, no lado da receita, as quebras serão mais acentuadas, uma vez que o alojamento representa uma fatia cada vez menor das receitas totais. Assim, e tendo em conta os cancelamentos de vários eventos ou as quebras nas receitas de restauração dos hotéis, entre outros fatores, um grupo significativo dos inquiridos espera uma queda das receitas superior a 30%.

 

No período em que o inquérito foi realizado, tinham sido canceladas 346.497 reservas, a maioria das quais marcadas para o mês de março. A juntar aos cancelamentos de reservas já registados, há também uma quebra das reservas futuras. Todos os inquiridos admitem um abrandamento das reservas futuras, em relação à mesma altura do ano passado, e mais de metade acredita que este abrandamento será significativo.

 

É neste cenário que a AHP projeta as perdas de receitas até ao primeiro semestre deste ano. O exercício é feito tendo por base as receitas arrecadadas no ano passado e assume que os valores seriam iguais este ano, o que significa que não é ainda considerado o abrandamento das reservas futuras, pelo que a perda de receita calculada poderá, até, ser superior. Num cenário normal, entre 1 de março e 30 de junho deste ano, a hotelaria teria receitas totais de 1,6 mil milhões de euros. Num cenário de quebras de 30% das receitas, o setor perderia cerca de 500 milhões. Já no cenário mais pessimista, com perdas de 50%, o impacto seria de 800 milhões.

 

Já olhando para o conjunto do ano, o presidente da AHP, Raul Martins, espera uma quebra de receita total de 20%, uma situação que admite que irá criar uma "crise de tesouraria" no setor. No conjunto de 2019, as receitas totais da hotelaria ascenderam a 4,48 mil milhões de euros.

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