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Hotelaria espera "crise de tesouraria" e vai recorrer ao regime especial de lay-off

O setor hoteleiro antecipa perder até 800 milhões de euros de receitas só até ao final de junho, mas espera uma recuperação a partir da época alta.

Pedro Catarino
Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 12 de Março de 2020 às 13:16
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A perda de receitas esperada pela hotelaria deverá criar uma "situação de crise de tesouraria" no setor, que antecipa ter de recorrer ao regime especial de lay-off criado pelo Governo para mitigar o impacto do coronavírus. A projeção foi feita, esta quinta-feira, 12 de março, pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

"Esperamos chegar ao fim do ano com uma quebra de 20% nas receitas. Isso significa que a hotelaria vai ter uma situação de crise de tesouraria para garantir as remunerações devidas aos trabalhadores", afirmou Raul Martins, presidente da AHP, em conferência de imprensa.

E acrescentou: "As medidas que o Governo colocou à disposição, nomedamente o regime de lay-off, terão de ser utilizadas pelos hoteleiros". Antes de recorrer a esse regime, detalhou ainda Raul Martins, "as primeiras formas de ultrapassar a situação de crise serão a recuperação de horas e de férias, ou mesmo um crédito de horas aos trabalhadores, que poderão ser mandados para casa e compensarão as horas quando a situação for normalizada".

O regime de lay-off simplificado criado pelo Governo destina-se a empresas que vejam a sua atividade severamente afetada devido à pandemia. Através deste regime, os trabalhadores terão a garantia de retribuições ilíquidas equivalentes a dois terços do salário, até 1.905 euros, sendo 30% suportado pelo empregador e 70% pela Segurança Social, até um máximo de seis meses.

A AHP estima que o setor deverá perder entre 500 milhões e 800 milhões de euros de receitas só entre 1 de março e 30 de junho deste ano. Estas projeções têm em consideração, contudo, os valores das receitas arrecadadas em igual do período do ano passado e não consideram o efeito da quebra de novas reservas. Os números poderão, assim, ser mais elevados.

A maioria dos hoteleiros espera, contudo, que o turismo global venha a recuperar até ao final do primeiro semestre, esperando, assim, compensar parte do impacto sentido neste período durante a época alta.
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