Médio Oriente não dá tréguas e volta a atirar Wall Street para o vermelho. Super Micron afunda 33%
Os principais índices norte-americanos encerraram a semana com bastante pessimismo, com o S&P 500 a registar perdas de 1,5% e atingindo mínimos de setembro, numa altura em que a escalada do conflito - tanto em retórica como em hostilidades - no Médio Oriente continua a deixar os investidores avessos ao risco. As perdas foram adensadas depois de a CBS ter noticiado que os EUA estão a preparar-se para enviar tropas para o Irão, apesar de a Casa Branca afirmar que essa opção está fora da mesa.
O S&P 500 fechou a sessão com perdas de 1,51% para 6.506,48 pontos, enquanto o industrial Dow Jones caiu 0,96% para 45.577,47 pontos e o tecnológico Nasdaq Composite desvalorizou 2,01% para 21.647,61 pontos. O índice do "medo" de Wall Street avançou para o segundo valor mais elevado desde o estalar do conflito no Médio Oriente, impulsionado ainda por uma notícia do Wall Street Journal que indica que os EUA vão enviar mais três navios guerra para a região.
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A guerra dos EUA e Israel contra o Irão prepara-se, assim, para entrar na quarta semana sem um fim à vista, apesar das promessas do Presidente dos EUA, Donald Trump, e do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, em terminar o conflito no curto prazo. "O mercado vai ficar cada vez mais nervoso com a possibilidade de uma guerra prolongada e de uma interrupção mais duradoura na cadeia de abastecimento, o que conduzirá a um problema mais estrutural", explica Ohsung Kwon, estratega-chefe de ações da Wells Fargo, à Bloomberg.
Esta sexta-feira, a publicação norte-americana Axios revelou ainda que a Administração Trump está a considerar planos para ocupar ou bloquear a ilha de Kharg, o maior ponto de exportação de petróleo do Irão, como forma de pressionar os iranianos a abrirem a passagem no estreito de Ormuz. Teerão voltou a atacar infraestrutura energética dos Países do Golfo, o que se traduziu num novo aumento dos preços da energia e, consequentemente, num crescimento dos receios em torno do futuro da política monetária dos EUA.
O mercado de "swaps" aponta para uma probabilidade de 50% da Reserva Federal (Fed) norte-americana subir as taxas de juro em 25 pontos base este ano - o que compara com as duas descidas na mesma magnitude que estavam incorporadas antes do estalar do conflito. Na quarta-feira, o Presidente do banco central já tinha avisado que o banco central não ia cortar juros até a inflação ser domada.
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A ajudar a volatilidade, esta sexta-feira foi dia de bruxaria quádrupla. Ou seja, dia do vencimento simultâneo de quatro contratos de futuros e opções, desta vez avaliados em cerca de 5,7 biliões de dólares, que leva a um elevado volume de títulos a mudar de mãos. Isto porque os investidores que precisam de ajustar ou fechar posições podem movimentar o mercado a qualquer preço, levando as cotações a oscilarem significativamente.
Entre as principais movimentações de mercado, a Super Micro afundou 33,32% para 20,53 dólares, depois de um dos cofundadores da empresa e duas outras pessoas terem sido acusadas de desviar servidores dos EUA para a China, com semicondutores da Nvidia incluídos, numa clara violação das restrições impostas pelo Governo norte-americano às exportações para o país asiático.
Por sua vez, a FedEx acelerou 0,93%, depois de a empresa de entregas ter registado resultados que superaram as expectativas dos analistas. No seu terceiro trimestre fiscal, a FedEx conseguiu alcançar um lucro por ação de 5,25 dólares e receitas de 24 mil milhões - valores bastante acima do que era apontado pelo mercado, que via a empresa a ficar-se pelos 4,09 dólares por ação e vendas de 23,43 mil milhões.
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